Lacan cibernético

por Bernardo Sollar Godoi

O presente texto origina-se de uma discussão mais abrangente realizada em minha tese de doutorado[1]. Essa discussão se pauta na forma como Lacan se apropria da cibernética para reformular epistemologicamente a compulsão à repetição no contexto de seu “retorno a Freud” na década de 1950. Nesse contexto, o uso da cibernética parece possuir duas implicações gerais. De um lado, ela serve para expurgar aspectos essencialistas e humanistas então presentes em conceitos psicanalíticos em decorrência de leituras específicas de alguns pós-freudianos. E, de outro, fornece uma abordagem materialista e mecanicista do funcionamento do simbólico, de maneira geral, e da compulsão à repetição, de maneira específica. Mas o curioso é que essa abordagem ocorre de forma indireta: é por intermédio de algo criado pelo próprio humano (a saber: a máquina), a partir de um manejo específico do simbólico, que Lacan examina o funcionamento simbólico destituindo-o de seus aspectos imaginários.

Tendo isso em vista, o objetivo deste texto é discutir alguns usos que Lacan faz da noção de máquina derivadas no período em que se aproximou das questões cibernéticas então em voga. Para tanto, apresentarei o que estava em jogo na primeira aparição da palavra “cibernética” em seu ensino e como podemos defini-la para, em seguida, discutir alguns usos lacanianos das “máquinas cibernéticas”.

Em um dos primeiros comentários sobre a ordem simbólica no Seminário 2, Lacan[2]< define seu caráter paradoxal: ela é, ao mesmo tempo, a fundamentação do que é propriamente humano, mas também é o inumano no humano. Em outras palavras, a ordem simbólica diz respeito ao humano por ser dele, e não de outra espécie, que ela emerge, e ela é inumana pelo fato de o símbolo ter a capacidade de se destacar do humano para constituir uma ordem na qual o sujeito, de maneira inevitável, se insere e se estrutura. O que nos interessa mais particularmente é esse segundo aspecto.

Para abordar o caráter inumano e autônomo do símbolo, Lacan recorre a noções de máquina a partir das conquistas teóricas e técnicas da cibernética. O encaminhamento dessa discussão perdura várias lições nesse período. Mas é válido lembrar que a empreitada de reforma epistemológica da psicanálise é uma maneira de falar contra algumas perspectivas psicanalíticas vigentes. Nesse caso em específico, trata-se de ir contra uma “substancialização” ou um humanismo metafísico do eu e da consciência, presente em escolas pós-freudianas, especialmente na ego psychology. Portanto, contra o eu autônomo de Heinz Hartmann, Lacan mobiliza a autonomia simbólica da cibernética.

A primeira menção à cibernética se encontra na terceira lição do Seminário 2, em um diálogo com Jean Hyppolite. Ambos discutem se a palavra “máquina” não teria mudado de sentido desde o início da cibernética: algo com o qual Lacan concorda prontamente[3]<. De fato, a cibernética instaura outra forma de compreender o funcionamento de máquina. Antes da cibernética, podemos considerar “máquina” como um autômato, a exemplo do relógio, cuja funcionalidade independe da interação com aquilo que é externo a ele. Se recuperarmos sua etimologia, “autômato” se refere ao movimento de si mesmo sobre si mesmo e àquilo que não tem causa externa a si mesmo. Com a cibernética, por sua vez, a ideia de máquina é redefinida, passando a abarcar máquinas regidas por um sistema de retroalimentação (feedback) que interage com o ambiente, modifica seu estado interno e aplica uma ação externa. Esse aspecto interessa a Lacan, por entrever aí a oportunidade de usar a máquina cibernética como modelo para a explicação do simbólico.

O raciocínio aqui é intrigante: explorar a autonomia do símbolo no sujeito por meio do funcionamento do que é automatizado, ou seja, da máquina. Mas, antes de explorar a “cibernética lacaniana”, vejamos como podemos definir a própria cibernética a partir de seu surgimento na primeira metade do século XX.

 

Movimento cibernético

Grosso modo, o movimento cibernético pode ser caracterizado como o esforço de construir um paradigma comum para explicar o funcionamento de máquinas e organismos (em particular, a mente). Tal movimento surge por um grupo bastante diverso de pesquisadores que se reuniam periodicamente durante os anos de 1946 a 1953 nas chamadas “Conferências Macy”. Essas conferências privilegiavam o debate coletivo de ideias e a interlocução entre diversas disciplinas, geralmente catalisadas pelas apresentações individuais de seus participantes.

De acordo com Dupuy[4], podemos dividir o elenco bastante diverso de cientistas e intelectuais em quatro grandes grupos. O primeiro grupo é formado pelos seus cibernéticos, propriamente ditos (Nobert Wiener, Warren McCulloch, Julian Bigelow, Arturo Rosenblueth, Walter Pitts e John von Neumann), que buscavam uma modelização técnico-matemática da mente. O segundo grupo é o dos anatomistas e fisiologistas, que não eram tão afeitos à matematização. O terceiro é o grupo “psi”, formado por profissionais de diversas abordagens teórico-metodológicas (como Gestalt, psicologia social, psicologia experimental, psiquiatria, neuropsiquiatria, psicologia comparada). Nesse grupo, encontra-se o único psicanalista participante ativo do movimento cibernético, Lawrence Kubie[5]<. O quarto grupo é o dos filósofos e cientistas sociais, que inclui, por exemplo, Gregory Bateson e a participação esporádica de Roman Jakobson.

A história intelectual[6] identifica a origem do movimento cibernético no impacto da descrição da máquina universal por Alan Turing em seu artigo de 1936[7]. Efetivamente, a “máquina de Turing” é uma das grandes conquistas técnico-científicas do século passado, e foi crucial para repensar o funcionamento de máquinas. Entre as consequências da proposta de Turing, um grupo de pesquisadores, mais tarde então conhecidos como cibernéticos, empolgaram-se com seu artigo a ponto de almejar a construção de um modelo para explicar o vivente a partir do funcionamento de máquina.

A máquina de Turing é formada por três componentes: a máquina, com seus estados finitos; uma fita de extensão ilimitada nos dois sentidos, que é dividia em “casas”; e um cabeçote, que possui a função de ler, escrever ou apagar, e se deslocar para a direita ou para a esquerda. Turing[8] fornece alguns exemplos da máquina de computar. Inspirado nos exemplos do autor, podemos ilustrar o funcionamento de uma dessas máquinas da seguinte maneira. Uma máquina possui suas configurações próprias (A, B, C e D), que sinalizam qual operação realizar. A fita é dividida em casas, com a presença de símbolos (vamos supor, 0 ou 1; mas poderíamos supor mais símbolos) ou não, que são “lidas” pelo cabeçote. A depender do estado interno (posição A, B, C ou D), a partir do qual o cabeçote “olha” o símbolo, a máquina segue a configuração do seu estado atual e opera: se estiver, por exemplo, em A e não vir nenhum símbolo na casa, a regra indica que é necessário escrever o número 1 e deslocar-se para a esquerda. Depois disso, a máquina, a depender da regra que foi programada, pode permanecer em A ou mudar para outra posição (B, C ou D). A máquina para de seguir uma sequência de leitura e escrita quando não há mais possibilidade de seguir regras de inferências. Por exemplo, a máquina está na posição D e lê o símbolo Φ, mas não há regra que lhe indique o que fazer ao ler o símbolo Φ, apenas os símbolos 0 e 1. Percebe-se que a máquina possui três movimentos: (a) a possível mudança de estado interno (e.g., de A para B, C, D, ou manter-se em A); (b) a manutenção ou a mudança do conteúdo da casa lida (apagamento ou escrita); (c) e o deslocamento do cabeçote (para direita ou para esquerda).

Poucos anos mais tarde, em 1943, Rosenblueth, Wiener e Bigelow publicaram “Behavior, Purpose and Teleology”[9] e McCulloch e Pitts publicaram “A logical callculus of the ideas immanent in nervous activity”[10]: os dois textos considerados fundadores do movimento cibernético[11]. Sinteticamente, o primeiro texto versa sobre noções como a distinção entre método comportamental e método funcional, o que é uma máquina de comportamento propositado e não propositado, com feedback (positivo ou negativo) e sem feedback, comportamento preditivo e não preditivo, além de fazer a analogia entre comportamento da máquina e do animal. Já o segundo texto objetiva demonstrar que a anatomia e a fisiologia do cérebro funcionam como uma máquina lógica, assimilável à máquina de Turing. A proposta desses autores é precursora no modelo computacional de redes neurais, em que o neurônio é tratado de forma artificial e matemática.

Para abordar o uso que Lacan faz da cibernética, o que mais nos interessa é o conteúdo do texto de Rosenblueth, Wiener e Bigelow. Comecemos então com algumas distinções. Segundo os autores, as máquinas não propositadas são as que não possuem uma finalidade internamente programada para o seu uso. É o caso da roleta, do relógio e do revólver, por exemplo, que até podem ter sido projetadas com algum propósito, mas este é externo ao objeto (sendo, portanto, de natureza subjetiva). Assim, essas máquinas não estabelecem relação com o que lhe é externo, a não ser pela ação de outro agente. Já as máquinas propositadas podem ser chamadas de “servomecanismos”, e são dotadas da capacidade de mudar o comportamento de acordo com sua programação interna e a informação que lhe chega do ambiente externo. É o caso do termostato e do míssil com mecanismos localizador e preditor de movimento do alvo. Expliquemos a partir do primeiro exemplo.

Um termostato, instalado no cômodo de uma casa, é um servomecanismo orientado pela meta de manter o ambiente em determinada temperatura, por exemplo, 23 ºC. Quando o termostato é acionado para manter a temperatura nessa meta, ele precisa saber identificar a temperatura do ambiente (informação de entrada) e corrigir o erro em relação à meta. Essa correção de erro é a resposta de saída. Assim, a ação da máquina que muda a temperatura do cômodo alimenta de volta (ou “retroalimenta”) o termostato para reorientar novamente o seu comportamento, de acordo com a nova temperatura adquirida. Temos, desse modo, uma máquina com um sistema de feedback, que transforma uma informação de entrada em uma resposta de saída, por correção do erro entre a meta e a informação inicial, encerrada em um ciclo sem fim[12].

São dois os tipos de feedback. As máquinas propositadas podem conter um sistema de feedback positivo, em que parte da energia de saída é reconduzida à entrada, ou um sistema de feedback negativo, como no exemplo anterior, em que o comportamento é ajustado pela margem de erro entre o objetivo e o estado atual[13].

Desde o início, os cibernéticos estavam interessados em ações direcionados para metas. Antes deles, essa perspectiva era criticável, uma vez que explicar ações em termos de suas metas significava explica-las por meio de eventos que ainda não aconteceram – como se a causa viesse após o efeito[14]. Rosenblueth, Wiener e Bigelow[15] rejeitam essa crítica e argumentam a favor de ações propositadas, uma vez que passa a existir máquinas que funcionam a partir da retroalimentação do seu sistema. Esse tipo de funcionamento substitui, assim, a relação tradicional entre causa e efeito, que passa da causalidade linear simples para uma “causalidade circular”, em decorrência dos circuitos de feedback. Restava então transferir o modelo dos servomecanismos para organismos dotados de uma neurofisiologia. Dessa maneira, supõe-se um processo de causalidade circular (com um sistema de feedback) como lugar comum de uma investigação sistemática para máquinas e organismos, assim como sistemas organismo-máquina combinados. Tem-se o projeto de compreender e explicar a mente de forma mecanicista, mas agora com outro modelo: as máquinas cibernéticas, dotadas de propósito, de um sistema de retroalimentação e que interagem com o que lhes é externo.

 

Influências cibernéticas

A cibernética chega até Lacan através de pelo menos dois intermediadores: Georges-Théodule Guilbaud (1912 – 2008) e Jacques Riguet (1921 – 2013). Guilbaud foi um dos grandes responsáveis pela tradução e pela introdução da cibernética, da teoria dos jogos e da teoria da informação no contexto intelectual francês, sendo reconhecido pelos autores estadunidenses como um importante contribuidor da teoria dos jogos[16]. O matemático ofereceu um seminário em Paris nos anos 1950 e 1951 sobre cibernética, mas não se sabe com certeza se Lacan esteve ou não presente nesses seminários. No entanto, tudo indica que ambos, Guilbaud e Lacan, sabiam do trabalho um do outro nessa época. Em 1954, Guilbaud publica La cybernétique, poucos meses antes do seminário de Lacan sobre “A carta roubada”, de Edgar Allan Poe. Nesse ano, também saiu um importante artigo do matemático sobre teoria dos jogos, que faz uma referência ao jogo de par ou ímpar presente no conto de Poe[17].

Guilbaud apresenta um vívido interesse estatístico sobre a linguagem natural e o sistema simbólico em geral. Para o autor, os cibernéticos teriam a tarefa de aplicar métodos matemáticos para analisar os processos estocásticos[18] da linguagem, com o objetivo de reconhecer a variação estatística das combinações dos elementos de um sistema (e.g., há uma não uniformidade na frequência do uso das mesmas letras em línguas diferentes). Ele acredita que a cibernética e a teoria da informação possuem a capacidade de revelar a estrutura da mente, além de possibilitar o estudo dos processos linguísticos e trazer à tona a estrutura inexplícita que os produz[19].

O psicanalista já tinha familiaridade com o trabalho do matemático desde 1945, e eles se tornaram amigos íntimos em 1950; uma amizade que perdurou até a morte do psicanalista, em 1981[20]. Guilbaud cumpre uma função importante nos estudos de Lacan sobre as matemáticas. Ele nunca foi a um seminário do psicanalista, mas compartilhava com ele um interesse pelo jogo matemático, seja pela representação física dos espaços topológicos, seja pela teoria dos jogos; além disso, seu trabalho chegou a auxiliar Lacan na literalização da sua teoria dos quatro discursos[21].

Já o encontro com Riguet vai ocorrer poucos anos depois de seu conhecimento a respeito de Guilbaud. Lévi-Strauss organizou, em 1954, um seminário interdisciplinar com especialistas em ciências humanas e sociais, como Benveniste, Lacan, Faucheux Maucorps, de um lado, e matemáticos, como Guilbaud, Riguet, Mandelbrot, Schützenberger, de outro. Os três primeiros matemáticos compunham o Círculo de Estudos Cibernéticos, grupo formado na França pouco depois da publicação, em 1948, do famoso livro de Wiener, Cibernética: ou controle e comunicação no animal e na máquina, como uma resposta entusiasmada ao surgimento da cibernética[22].

Na ocasião do seminário interdisciplinar, Lacan conhece Riguet. Tanto Lévi-Strauss quanto Lacan aspiravam trabalhar com o matemático. Desse momento em diante, Riguet passa a visitar Lacan em sua casa de campo em Guitrancourt e o auxilia em questões matemáticas para a investigação acerca da estrutura do inconsciente. Eles conversam sobre cibernética, topologia, teoria das superfícies, grafos sobre superfícies; Riguet ensina o psicanalista sobre o plano projetivo e os espaços topológicos, como cross-cap. Podemos identificar a presença de Riguet em várias lições no Seminário 2, através de sua participação nos momentos em que Lacan aborda assuntos relativos à cibernética e às matemáticas. Durante o período do Seminário 5 e do Seminário 6, Riguet trabalha com Lacan na criação dos grafos que pretendem formalizar circuitos do desejo[23].

Em suma, tanto Guilbaud, desde a década de 1940, quanto Riguet, um pouco mais tarde, serviram, para Lacan, como “conselheiros matemáticos”[24]. Essas influências parecem decisivas no modo como Lacan interpretou e se apropriou dos trabalhos do movimento cibernético.

 

Máquinas lacanianas

No período de 1954, 1955 e 1956, Lacan realiza um esforço de leitura cibernética da psicanálise. Lacan identificava nas reflexões cibernéticas um apoio para pensar a estrutura da linguagem e o funcionamento inconsciente. Ronan Le Roux[25] realiza estudos minuciosos acerca da maneira como Lacan se apropria das discussões cibernéticas e chega à conclusão que o psicanalista utilizou a cibernética de maneira “desequilibrada”, se considerarmos estritamente a definição proposta por Wiener.

Exploraremos a perspectiva do autor. Todavia, precisamos ter claro que as fronteiras da cibernética são movediças e particulares, principalmente se atentarmo-nos para os trabalhos dos matemáticos do círculo de convívio de Lacan[26]. Acompanharemos a argumentação de Le Roux e, em alguns momentos, nos afastaremos do autor para abordar aspectos não suficientemente trabalhados por ele.

Seguindo a perspectiva de Wiener, a cibernética possui dois domínios característicos: o da comunicação, responsável pela investigação dos canais de transmissão e transformação das mensagens (além da quantidade de informação e da presença de ruído); e o do controle, responsável pelo feedback, pela homeostase, pelo comando e pelo servomecanismo. Basicamente, nessa visão, o que interessa à cibernética é compreender o mecanismo pelo qual a máquina e o organismo aprendem a informação sobre o resultado da sua ação para atender uma meta ou manter um regime de funcionamento específico. Assim, estamos falando de trocas de informação e mecanismos de estabilização de um sistema. A analogia de funcionamento entre máquinas e organismos sugere que é possível estudar seus respectivos funcionamentos de maneira formal, independentemente da natureza dos sistemas subjacentes[27].

Le Roux nota que, quando Lacan menciona a cibernética, geralmente associada às palavras “máquina” ou “máquina cibernética”, ele se refere quase exclusivamente à máquina de calcular e ao tema do tratamento automático dos símbolos e das mensagens. Essa referência à “máquina” aparece, constantemente, nas ocasiões em que Lacan defende a autonomia da ordem simbólica. Para sustentar isso, ele precisa de uma noção de máquina não apenas teórica, mas também material, capaz de fazer operações sobre cadeias de símbolos, automaticamente e conforme certas regras[28]. Acontece que essa noção de máquina não abarca ambos os conjuntos semânticos sob o nome “cibernética” propostos por Wiener. A calculadora está ligada, sim, ao domínio da “comunicação” (pelas operações efetuadas sobre uma cadeia de símbolos arbitrários), mas não ao do “controle”. Por outro lado, a calculadora está relacionada à materialização tecnológica, que não é especialmente indispensável para cibernética, e remete mais à máquina de Turing[29].

Essa predominância de um conjunto semântico, em detrimento de outro, é flagrante quando Lacan afirma que “a palavra-chave da cibernética é a palavra mensagem[30] e propõe aos seus alunos definirem o termo “mensagem”. É quando Wladimir Granoff (1924 – 2000) diz que mensagem é o que se coloca em uma máquina universal e que tem como consequência uma resposta de saída. Lacan prontamente concorda[31], sinalizando que não leva tanto em consideração o domínio do controle e da regulação[32].

De fato, as calculadoras interessam os cibernéticos. Afinal, elas são pioneiras para a informática. Há muito tempo, existe uma discussão sobre as analogias entre o cérebro e a máquina de calcular: uma vez que o cérebro processa informações percebidas no ambiente, então ele deve ter, por consequência, princípios de funcionamento análogos aos da calculadora, tal como a máquina de Turing. Mas esta não é, segundo Le Roux, exatamente uma máquina cibernética, mas sim um cérebro simplificado, sem sistema nervoso, ou seja, um organismo de cálculo cego. O resultado depende das informações de entrada. Dessa forma, elas, em si, não são as máquinas que ajustam, corrigem e procuram alcançar a meta de modo mais ou menos independente da informação de entrada[33].

Le Roux sugere que Guilbaud e Riguet possuam influências nessa “desproporção” da cibernética de Lacan. De um lado, Guilbaud, em seu livro sobre cibernética, discorre mais sobre o domínio das mensagens do que dos servomecanismos, apesar de pouco falar das máquinas de cálculo. Riguet, por outro lado, já apresenta uma influência mais decisiva nesse sentido. O trabalho dele inclina-se para uma teoria matemática geral das máquinas. William Ashby (1903 – 1972), neurologista com quem colaborou e para quem a cibernética era “a ciência de todas as máquinas possíveis”, pode ter levado Riguet para essa interpretação. Essa generalidade, com a qual Riguet parece coadunar, torna possível qualificar as máquinas de Turing e, consequentemente, as calculadoras como “máquinas cibernéticas”. Se Riguet não deu esse passo, parece provável que Lacan o tenha dado. Desse modo, podemos assumir que essa desproporção seja a característica da sua apropriação da cibernética de maneira mais geral[34].

Mas isso não significa que o tema da regulação esteja inteiramente excluído das discussões cibernéticas de Lacan. Ele tende a aparecer principalmente em três ocasiões: (1) no modelo das tartarugas eletrônicas; (2) no problema da auto-contagem da máquina; e (3) quando reformula a compulsão à repetição freudiana como a replicação de uma mensagem (ou, ainda, de significante)[35].

Le Roux destaca que, curiosamente, esses temas não vieram acompanhados da rubrica “cibernética”. Todavia, ele não está de todo correto. Ele pode não ter notado, mas, na segunda vez em que Lacan menciona o experimento das tartarugas eletrônicas (que veremos adiante), ele utiliza a palavra “cibernética”[36], mostrando-se ciente do seu componente homeostático. Abordarei aquelas três ocasiões, acompanhando os argumentos de Le Roux, mas com alguns acréscimos.

Preliminarmente, recordemos que, no período do Seminário 2, Lacan se esforça em expurgar qualquer fundamento essencialista e humanista que possa estar impregnado nas noções de eu e de consciência transparente a si mesma. Esse expurgo também atinge a concepção de que o imaginário e o simbólico seriam atributos essencial e exclusivamente humanos. A cibernética é a ferramenta utilizada para esse propósito:

A palavra é inicialmente este objeto de troca com o qual a gente se reconhece, e porque vocês disseram a senha, a gente não quebra a cara etc. A circulação da palavra começa assim, e ela se infla a ponto de constituir o mundo do símbolo que permite cálculos algébricos. A máquina é a estrutura como desvinculada da atividade do sujeito. O mundo simbólico é o mundo da máquina[37].

A máquina é tomada como a melhor expressão do simbólico, por elidir outros componentes do humano (como o imaginário). A partir dela, conseguiríamos, supostamente, apreender os efeitos das palavras, que seriam, nesse momento, pensadas como homólogas ao símbolo. No entanto, a cibernética também o auxilia a dar explicações materialistas do imaginário. Atentemo-nos para os dois casos.

(1) Lacan é contrário a uma história teleológica da consciência, como se a consciência fosse o cume da evolução dos fenômenos, em que, “por acaso”, o ser humano se situaria[38]. O que o autor propõe é que a consciência não passa de uma propriedade contingente. Ela seria nada mais do que uma imagem. E, em vez do estádio do espelho, que costuma ser a explicação imediata a que costumeiramente se recorre para abordar o imaginário, Lacan usa robôs cibernéticos, desenvolvidos por membros do Círculo de Estudos Cibernéticos, para abordar a consciência e o eu[39].

Inicialmente, o psicanalista não recorda ao certo se se trata de robôs “tartaruguinhas” ou “raposinhas”. Realmente, existiram os dois tipos de robôs, mas o experimento que Lacan descreve se refere apenas a um deles. As “raposas” foram construídas por Albert Ducrocq (1921 – 2001), divulgador e jornalista científico, que foi membro do Círculo de Estudos Cibernéticos, junto a Guilbaud e Riguet. Mas é o experimento das “tartarugas cibernéticas” de William Grey Walter (1910 – 1977), neurologista e engenheiro, apresentado no Congresso de Paris, em 1953, que é evocada por Lacan. Grey Walter descreve o experimento da seguinte maneira:

Autorreconhecimento. As máquinas são equipadas com uma pequena lâmpada piscante no cabeçote, que é desligada automaticamente quando a fotocélula recebe um certo sinal luminoso apropriado. Quando um espelho ou uma superfície branca é encontrada, o reflexo da lâmpada é suficiente para operar no circuito que controla a resposta do robô à luz, de modo que a máquina se mova em direção ao seu próprio reflexo; mas, ao fazê-lo, a luz se apaga, o que significa que o estímulo é cortado – entretanto esse corte restaura a luz, vista novamente como um estímulo, e assim por diante. A criatura fica assim diante do espelho, piscando, chilreando e balançando como um Narciso desajeitado (…)[40].

Para Grey Walter, o funcionamento dessa máquina é uma representação técnica do comportamento social: são modelos que servem de influência para uma luta competitiva por um objetivo comum[41]. Para Lacan, por sua vez, “o movimento de cada máquina está condicionado à percepção de um certo estádio alcançado por uma outra. É o que corresponde ao elemento de fascinação”[42]. Aqui, Lacan se empolga por ver nessas máquinas uma materialização cibernética do seu estádio do espelho. Essas tartarugas cibernéticas, de maneira similar à formação do eu, dependeriam do passo que uma dá para que a outra realize o movimento equivalente. Em outras palavras, o experimento amalgama rivalidade e fascinação pela imagem do outro, presentes na constituição do eu[43]. Além disso, Le Roux[44] destaca que esse experimento mostra a Lacan a reciprocidade imaginária concernente ao desejo: em uma relação imaginária, quando alguém manifesta o desejo, ele se torna “automaticamente” desejo do outro por meio da identificação entre eu e outro.

Na lição seguinte, Lacan volta a mencionar o experimento e afirma que seu objetivo em apresentá-lo é uma forma de situar o que entende por sujeito:

O sujeito é ninguém. Ele é decomposto, despedaçado. E ele se bloqueia, é aspirado pela imagem, ao mesmo tempo enganadora e realizada do outro, ou, igualmente, por sua própria imagem especular. Lá, ele encontra sua unidade. Apossando-me de uma referência tomada do mais moderno destes exercícios maquinistas que tem tanta importância no desenvolvimento da ciência e do pensamento, eu lhes representava esta etapa do desenvolvimento do sujeito através de um modelo que tem a peculiaridade de não idolificar de maneira nenhuma o sujeito[45].

Nessa passagem, é possível perceber o quanto o experimento de Grey Walter agradou a Lacan, por lhe servir como forma de dessubstancializar e “desumanizar” o sujeito; excluir qualquer elemento transcendental do eu e da consciência, além de restringir a referência a uma essência autônoma. Toda a noção de “eu” e de “consciência” foram submetidas à imagem do outro por meio das tartarugas robóticas como modo de fornecer uma explicação materialista do imaginário.

Como nota Le Roux[46], no Seminário 3, Lacan[47] retorna a essa cena para elucubrar o acréscimo de outras máquinas no circuito sem uma autorregulação global, ainda se orientando umas pelas outras. Elas, ao dançarem em conjunto como as tartarugas robóticas, inevitavelmente se chocariam. Lacan conclui que, como cada uma é unificada e regrada pela visão da outra, isso as levaria a se aglomerar e colidir no centro. Ora, não estaria aí a natureza “desajeitada” de Narciso (tal como classifica Grey Walter na citação acima)? A ânsia por uma sensação de unidade, a dependência do olhar do outro-semelhante para a formação de sua imagem denunciam a falta de um Outro simbólico capaz de, minimamente, regular a diferença que o separa da imagem do outro.

Mas há uma continuidade dessa leitura que não desperta o interesse de Le Roux. Até mesmo o complexo de Édipo não sai impune de uma leitura cibernética nesse momento. A introdução simbólica que ele implica, pela inclusão de um terceiro que representaria um acabamento simbólico (de uma imagem supostamente “bem-sucedida”, representada, por Lacan, no mundo humano, por aquele que é nomeado de “pai”), forneceria a autorregulação global para harmonizar o comportamento (das máquinas e) dos sujeitos; ou seja, é a possiblidade de saída da relação imaginária[48]. Percebamos que Lacan encara a ordem simbólica como um sistema de autorregulação. É justamente a introdução de “estruturas elementares” nas relações de troca que poderia fornecer ao “balé das máquinas” a possibilidade de não se chocarem[49].

(2) Sigamos para o problema da auto-contagem. Após expor o experimento das tartarugas robóticas, Lacan[50] assinala uma diferença marcante entre as máquinas e o sujeito: enquanto as máquinas estão, naquele modo de funcionar, impossibilitadas de contar, os humanos se contam pela introdução do sistema simbólico. É a introdução do terceiro elemento, com o Édipo, que permite ao inconsciente, ou seja, à estrutura, contar o sujeito.

Quem é evocado para corroborar essa hipótese é Freud[51]. As associações livres produzidas a partir de um número dito “ao acaso” se tornam a prova de que o sujeito se leva em consideração nas enunciações que emite, por mais que não tenha consciência disso[52]. Aliás, não seria a consciência o meio de apreensão do sujeito por si mesmo, mas sim o próprio inconsciente. Por exemplo, com as associações, o sujeito se dá conta de que um número escolhido “ao acaso” tem relação com sua história e, assim, permite assimilar-se à sua “contação”. A leitura que Lacan faz desse exemplo é realmente interessante ao ser conjugada com as recreações matemáticas que ele fará mais tarde, e que apresenta sua formulação final em “O seminário sobre ‘A carta roubada’”[53], pois parece justificar uma homologia entre uma linguagem combinatória de elementos e o uso que o sujeito faz de uma linguagem natural.

(3) Para continuar a crítica à perspectiva humanista e essencialista do eu e da consciência, Lacan tenta mostrar como a autonomia do símbolo, em funcionamento na máquina, é expressa na compulsão à repetição freudiana – mais tarde traduzida por ele como “insistência da cadeia significante”[54]. Em uma passagem já citada, percebemos que a máquina é visada como a melhor expressão do simbólico e, a partir dela, conseguiríamos apreender os efeitos das palavras, que são, nesse momento, pensadas como homólogas aos “algoritmos”, esvaziados de sentido intrínseco.

A compulsão à repetição é compreendida como a replicação da mensagem em um circuito. Lacan utiliza essa concepção para abordar a reprodução do sintoma entre gerações da mesma família. Apesar de o sintoma ser um elemento simbólico, a sua “autorregulação”, por mais que oriente o sujeito, ocorre de maneira potencialmente problemática. Antes de entrar na argumentação de Lacan, façamos a ressalva de que entraremos em aspectos que Le Roux não aprofundou, principalmente a respeito da importância atribuída à homeostase no tratamento desse assunto.

Para Lacan, Freud teria utilizados o termo “inércia” porque não teve a seu alcance o termo “homeostase”, próprio da cibernética, que se refere à capacidade de autorregulação de um sistema. Nas palavras do autor, a homeostase é a “função restituidora da organização psíquica”, que seria o próprio princípio de prazer, cuja função é regular o aparelho psíquico em determinada posição de equilíbrio[55]. Na verdade, seria melhor relacionar a homeostase com o “princípio de constância”, uma vez que é este que se associa ao princípio de prazer enquanto princípio autorregulador do aparelho psíquico.

Porém, Freud não estabelece apenas um princípio regulador. A formulação de um além do princípio de prazer coloca um fim a um sistema único de autorregulação. Com isso, noções como “carga” e “descarga” de energia passam a não ser suficientes para interpretar os fenômenos psíquicos. Isso imediatamente passa a significar que o aparelho psíquico também possui um princípio de desorganização no sistema: um princípio que revela uma insistência, próprio à compulsão à repetição, por fixar um elemento simbólico que impede a homeostase psíquica[56].

Ao usar termos maquínicos, Lacan esquiva de conotações potencialmente obscuras que o termo “energia” (ou mesmo “força”) possa conter. Ele afirma: “A máquina encarna a mais radical atividade simbólica no homem, e ela era necessária para que as questões se colocassem – talvez não dê para vocês notarem no meio disto tudo – no nível que as colocamos para nós”[57]. A partir disso, o autor chama a atenção para uma definição materialista de energia, que somente emerge quando se constata a necessidade de mensurar os níveis de desgaste e rendimento da máquina. A deterioração de um organismo somente é levada em conta (nesse caso, literalmente) quando identificam que é possível fazê-lo com as máquinas[58]. Dessa maneira, elimina-se a possibilidade de uma noção mítica ou vitalista de energia, em prol de uma perspectiva materialista e mecanicista.

Depois de reformulada a concepção de “energia” por meio da possibilidade de sua mensuração, Lacan retorna à relação entre compulsão à repetição e máquina. Enquanto o princípio de prazer possui uma tendência conservativa e restitutiva, a pulsão de morte possui uma tendência de repetição insistente[59].

Percebamos que Lacan faz todas essas aproximações para interpretar o inconsciente como uma máquina cibernética[60]. Não demora para o autor ver uma homologia entre o funcionamento da compulsão à repetição e o funcionamento de uma máquina que possui um sistema específico de codificação de linguagem binária[61]. Assim, conceitua “mensagem” como as combinações e relações estabelecidas entre símbolos binários. Rapidamente, assimila essa definição ao conceito de ordem simbólica:

É algo de articulado, da mesma ordem que oposições fundamentais do registro simbólico. Num dado momento, este algo que gira tem ou não de entrar no jogo. É algo que está sempre pronto a trazer uma resposta, e a completar-se no próprio ato para responder, isto é, deixar de funcionar como circuito isolado e giratório, e entrar num jogo geral. Eis o que se aproxima exatamente do que podemos conceber como a Zwang, a compulsão à repetição[62].

A aproximação da mensagem cibernética com o símbolo que se replica na compulsão à repetição é inequívoca. O inconsciente é considerado um reprodutor de mensagem, independente das limitações físicas que separam os organismos individuais. O que importa é a transmissão da mensagem (símbolo) no circuito; e esse circuito pode assumir proporções variadas:

Reencontramos aqui o que já lhes indiquei, isto é, que o inconsciente é o discurso do outro. O discurso do outro não é o discurso do outro abstrato, do outro da díade, do meu correspondente, nem mera e simplesmente o do meu escravo, é o discurso do circuito no qual estou integrado. Sou um dos seus elos. E o discurso do meu pai, por exemplo, na medida em que meu pai cometeu faltas as quais estou absolutamente condenado a reproduzir – é o que se denomina superego. Estou condenado a reproduzi-las porque é preciso que eu retome o discurso que ele me legou, não só porque sou o filho dele, mas porque não se para a cadeia do discurso, e porque estou justamente encarregado de transmiti-lo em sua forma aberrante a outrem. Tenho de colocar a outrem o problema de uma situação vital onde existem todas as probabilidades que ele também venha a tropeçar, de forma que este discurso efetua um pequeno circuito no qual se acham presos uma família inteira, um bando inteiro, uma facção inteira, uma nação inteira ou a metade do globo. Forma circular de uma fala, que está justo no limite do sentido e do não sentido, que é problemática[63].

Algumas coisas chamam atenção aqui. O inconsciente enquanto discurso do Outro é submetido à dimensão de mensagem no circuito. O sujeito está inevitavelmente situado em tal circuito e não é indiferente às mensagens que herda. Afinal, quando nasce, já há um circuito em curso. Mas, agora, a questão é se essa mensagem possui uma função restituidora de um estado homeostático dentro do sistema (como um princípio de prazer ou um circuito de feedback negativo) ou se, ao contrário, ela é uma mensagem que se prolifera, por repetição, podendo até mesmo ampliar sua extensão, mas com uma resposta de saída que retorna à entrada sem ajuste ou sem restabelecer o equilíbrio. Nesse último caso, estamos diante de uma mensagem que insiste em retornar, como em um sistema com feedback positivo. É justamente a partir dessa noção de mensagem, sem a possibilidade de restituição do equilíbrio, que Lacan vai ler a compulsão à repetição freudiana. E, dessa forma, a compulsão à repetição freudiana acaba por se tornar uma compulsão à repetição cibernética.

 

Considerações finais

Retornar a Lacan, mais especificamente à discussão entre psicanálise e cibernética tem implicações consideráveis, que, para serem mais detalhadamente apreciadas, exigiria um espaço maior de exposição. Portanto, vou apenas aponta-las aqui. A apropriação da cibernética (mas também da teoria da informação e da teoria dos jogos) por Lacan em um tempo imediatamente anterior ao uso dos recursos linguísticos possui consequências diretas na maneira como ele maneja a terminologia linguística. Não à toa alguns autores consideram que Lacan fez uma apropriação não linguística da linguística[64].

Além disso, estabelecer um diálogo com a cibernética exibe um precedente na história da psicanálise de um diálogo profícuo com uma disciplina que está na origem das ciências cognitivas[65]. Esse aspecto particularmente paradoxal, tendo em vista a resistência de alguns psicanalistas com os desenvolvimentos posteriores das ciências cognitivas. Assim, o propósito de uma retomada histórico-conceitual serve também para reparar equívocos relativos a diálogos em relação aos quais o curso da história de um pensamento às vezes se estreita. A psicanálise, de maneira geral, está ainda muito presa aos diálogos epistemológicos estabelecidos pelos grandes autores. Houve diversos avanços no que se refere ao funcionamento de máquinas com a Inteligência Artificial e as teorias acerca dos sistemas auto-organizados e complexos. Dessa forma, muito ainda precisa ser discutido entre psicanálise e ciências cognitivas, na tentativa de fazer uma psicanálise atenta ao século XXI.

 

REFERÊNCIAS

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Bernardo Sollar Godoi é psicólogo e psicanalista. Doutor em Psicologia, na área de concentração Estudos Psicanalíticos, pelo Programa de Pós-graduação em Psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Mestre em Ciência da Religião, na área de concentração Filosofia da Religião, pelo Programa de Pós-graduação em Ciência da Religião da Universidade Feral de Juiz de Fora (UFJF). Foi professor em Cursos de Graduação em Psicologia. Participa do Lab21 – Laboratório Psicanálise no Século XXI. E-mail: bernardosollar@gmail.com



[1] GODOI, Bernardo Sollar (2024). “A mecânica da repetição”. In: Contingência e repetição: ensaio sobre a pulsão de morte a partir de uma articulação entre psicanálise e materialismo especulativo. [Tese de doutorado, Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas – UFMG], pp. 74-154. Essa pesquisa contou com o apoio financeiro da CAPES.

[2] LACAN, Jacques ([1954-1955] 1977). O seminário, livro 2: o eu na teoria de Freud e na técnica da psicanálise. Trad. M. C. L. Penot. Rio de Janeiro: Zahar, 2010; pp. 46-48.

[3] LACAN, Jacques ([1954-1955] 1977). O seminário, livro 2: o eu na teoria de Freud e na técnica da psicanálise. 2ª ed.  Trad. M. C. L. Penot. Rio de Janeiro: Zahar, 2010; p. 49.

[4] DUPUY, Jean-Pierre (1996). Nas origens das ciências cognitivas. São Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista, p. 78, 93.

[5] Também abordo as articulações que Kubie entre psicanálise e cibernética na tese. Dupuy, citado anteriormente, suspeita que ele tenha influenciado a maneira como Lacan relê a compulsão à repetição, uma vez que esse conceito fora central nos trabalhos de Kubie.

[6] DUPUY, Jean-Pierre (1996). Nas origens das ciências cognitivas. São Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista, p. 34.

[7] TURING, Alan Mathison (1936). On Computable Numbers, with an Application to the Entscheidungsproblem. Proceedings of the London Mathematical Society, s2-42(1), 230-265.

[8] TURING, Alan Mathison (1936). On Computable Numbers, with an Application to the Entscheidungsproblem. Proceedings of the London Mathematical Society, s2-42(1), 230-265.

[9] ROSENBLUETH, Arturo; WIENER, Nobert; BIGELOW, Julian (1943). Behavior, Purpose and Teleology. Philosophy of Science, 10(1), 18-24.

[10] MCCULLOCH, Warren; PITTS, Walter (1943). A Logical Calculus of the Ideas Immanent in Nervous Activity. The Bulletin of Mathematical Biophysics, 5, 115-133.

[11] DUPUY, Jean-Pierre (1996). Nas origens das ciências cognitivas. São Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista.

[12] LEAHEY, Thomas Hardy (2018). Cognitive Science (1956-2016). In: A History of Psychology: From Antiquity to Modernity. New York and London: Routledge, pp. 375-416.

[13] ROSENBLUETH, Arturo; WIENER, Nobert; BIGELOW, Julian (1943). Behavior, Purpose and Teleology. Philosophy of Science, 10(1), p. 19.

[14] HEIMS, Steve Joshua (1991). The Cybernetics Group. Cambridge and London: The MIT Press.

[15] ROSENBLUETH, Arturo; WIENER, Nobert; BIGELOW, Julian (1943). Behavior, Purpose and Teleology. Philosophy of Science, 10(1), 18-24.

[16] LIU, Lydia He (2010). The Freudian Robot: Digital Media and the Future of the Unconscious. Chicago and London: The University of Chicago Press, p. 166.

[17] LIU, Lydia He (2010). The Freudian Robot: Digital Media and the Future of the Unconscious. Chicago and London: The University of Chicago Press, p. 169.

[18] Em teoria da probabilidade, um processo estocástico é um conjunto de variáveis aleatórias indexadas em uma variável t, representando o tempo. Por exemplo, consideremos a existência de uma máquina que joga cara ou coroa por um período finito de tempo. Cada resultado de um lançamento da moeda é aleatório e o padrão formado pelo conjunto de lances em uma série temporal t é chamado de padrão estocástico.

[19] LIU, Lydia He (2010). The Freudian Robot: Digital Media and the Future of the Unconscious. Chicago and London: The University of Chicago Press, p. 184.

[20] BURGOYNE, Bernard (2018). The changing forms of a research programme. In BAILLY, Lionel; LICHTENSTEIN, David; BAILLY, Sharmini. The Lacan Tradition: Lines of Development – Evolution of Theory and Practice over the Decades. London and New York: Routledge, pp. 5-47.

LIU, Lydia He (2010). The Freudian Robot: Digital Media and the Future of the Unconscious. Chicago and London: The University of Chicago Press, p. 166.

[21] ROUDINESCO, Elisabeth (1988). História da Psicanálise na França: A Batalha dos Cem Anos. Volume 2: 1925-1985. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, pp. 608-610.

ROUDINESCO, Elisabeth (1994). Jacques Lacan: Esboço de uma vida, história de um sistema de pensamento. Rio de Janeiro: Companhia das Letras, p. 349, 363-364.

[22] LE ROUX, Ronan (2013). Structuralisme(s) et cybernétique(s). Lévi-Strauss, Lacan et les mathématiciens. Dossiers d’HEL, 3, pp. 1-30.

LIU, Lydia He (2010). The Freudian Robot: Digital Media and the Future of the Unconscious. Chicago and London: The University of Chicago Press, p. 168.

[23] BURGOYNE, Bernard (2018). “The changing forms of a research programme”. In BAILLY, Lionel; LICHTENSTEIN, David; BAILLY, Sharmini. The Lacan Tradition: Lines of Development – Evolution of Theory and Practice over the Decades. London and New York: Routledge, pp. 15-16.

[24] LE ROUX, Ronan (2013). Structuralisme(s) et cybernétique(s). Lévi-Strauss, Lacan et les mathématiciens. Dossiers d’HEL, 3, p. 3.

[25] LE ROUX, Ronan (2007). Psychanalyse et cybernétique. Les machines de Lacan. L’Évolution Psychiatrique, 72(2), pp. 346-369.

LE ROUX, Ronan (2013). Structuralisme(s) et cybernétique(s). Lévi-Strauss, Lacan et les mathématiciens. Dossiers d’HEL, 3, pp. 1-30.

[26] Para mais detalhes, ver o trabalho de LIU, Lydia He (2010). The Freudian Robot: Digital Media and the Future of the Unconscious. Chicago and London: The University of Chicago Press.

[27] LE ROUX, Ronan (2007). Psychanalyse et cybernétique. Les machines de Lacan. L’Évolution Psychiatrique, 72(2), p. 361.

[28] LE ROUX, Ronan (2007). Psychanalyse et cybernétique. Les machines de Lacan. L’Évolution Psychiatrique, 72(2), p. 351.

[29] LE ROUX, Ronan (2007). Psychanalyse et cybernétique. Les machines de Lacan. L’Évolution Psychiatrique, 72(2), p. 362.

[30] LACAN, Jacques ([1954-1955] 1977). O seminário, livro 2: o eu na teoria de Freud e na técnica da psicanálise. 2ª ed. Trad. M. C. L. Penot. Rio de Janeiro: Zahar, 2010; pp. 376; grifo do autor.

[31] LACAN, Jacques ([1954-1955] 1977). O seminário, livro 2: o eu na teoria de Freud e na técnica da psicanálise. 2ª ed. Trad. M. C. L. Penot. Rio de Janeiro: Zahar, 2010; pp. 377.

[32] LE ROUX, Ronan (2007). Psychanalyse et cybernétique. Les machines de Lacan. L’Évolution Psychiatrique, 72(2), p. 362.

[33] LE ROUX, Ronan (2007). Psychanalyse et cybernétique. Les machines de Lacan. L’Évolution Psychiatrique, 72(2), pp. 361-362.

[34] LE ROUX, Ronan (2007). Psychanalyse et cybernétique. Les machines de Lacan. L’Évolution Psychiatrique, 72(2), pp. 362-363. Inclusive, Le Roux lembra que Lacan tomou consciência dessa desproporção ao comentar, em nota de pé de página, em seu ensaio “O seminário sobre ‘A carta roubada’”, que essa teria sido a decepção do seu público diante da conferência “Psicanálise e cibernética, ou da natureza da linguagem”.

[35] LE ROUX, Ronan (2007). Psychanalyse et cybernétique. Les machines de Lacan. L’Évolution Psychiatrique, 72(2), p. 354.

[36] LACAN, Jacques ([1954-1955] 1977). O seminário, livro 2: o eu na teoria de Freud e na técnica da psicanálise. 2ª ed. Trad. M. C. L. Penot. Rio de Janeiro: Zahar, 2010; p. 80.

[37] LACAN, Jacques ([1954-1955] 1977). O seminário, livro 2: o eu na teoria de Freud e na técnica da psicanálise. 2ª ed. Trad. M. C. L. Penot. Rio de Janeiro: Zahar, 2010; p. 70.

[38] LACAN, Jacques ([1954-1955] 1977). O seminário, livro 2: o eu na teoria de Freud e na técnica da psicanálise. 2ª ed. Trad. M. C. L. Penot. Rio de Janeiro: Zahar, 2010; pp. 70-71.

[39] LACAN, Jacques ([1954-1955] 1977). O seminário, livro 2: o eu na teoria de Freud e na técnica da psicanálise. 2ª ed. Trad. M. C. L. Penot. Rio de Janeiro: Zahar, 2010; pp. 74-75.

[40] LE ROUX, Ronan (2007). Psychanalyse et cybernétique. Les machines de Lacan. L’Évolution Psychiatrique, 72(2), p. 356; tradução minha.

[41] LE ROUX, Ronan (2007). Psychanalyse et cybernétique. Les machines de Lacan. L’Évolution Psychiatrique, 72(2), p. 357.

[42] LACAN, Jacques ([1954-1955] 1977). O seminário, livro 2: o eu na teoria de Freud e na técnica da psicanálise. 2ª ed. Trad. M. C. L. Penot. Rio de Janeiro: Zahar, 2010; p. 75.

[43] LACAN, Jacques ([1954-1955] 1977). O seminário, livro 2: o eu na teoria de Freud e na técnica da psicanálise. 2ª ed. Trad. M. C. L. Penot. Rio de Janeiro: Zahar, 2010; p. 75.

[44] LE ROUX, Ronan (2013). Structuralisme(s) et cybernétique(s). Lévi-Strauss, Lacan et les mathématiciens. Dossiers d’HEL, 3, p. 21.

[45] LACAN, Jacques ([1954-1955] 1977). O seminário, livro 2: o eu na teoria de Freud e na técnica da psicanálise. 2ª ed. Trad. M. C. L. Penot. Rio de Janeiro: Zahar, 2010; p. 79.

[46] LE ROUX, R. (2013). Structuralisme(s) et cybernétique(s). Lévi-Strauss, Lacan et les mathématiciens. Dossiers d’HEL, 3, p. 21.

[47] LACAN, Jacques ([1955-1956] 1981). O seminário, livro 3: as psicoses. 2ª ed. Trad. A. Menezes. Rio de Janeiro: Zahar, 1988; pp. 116-118.

[48] LACAN, Jacques ([1955-1956] 1981). O seminário, livro 3: as psicoses. 2ª ed. Trad. A. Menezes. Rio de Janeiro: Zahar, 1988; pp. 116-117.

[49] LACAN, Jacques ([1954-1955] 1977). O seminário, livro 2: o eu na teoria de Freud e na técnica da psicanálise. 2ª ed. Trad. M. C. L. Penot. Rio de Janeiro: Zahar, 2010; p. 80.

[50] LACAN, J. ([1955-1956] 1981). O seminário, livro 3: as psicoses. 2ª ed. Trad. A. Menezes. Rio de Janeiro: Zahar, 1988; pp. 76-77.

[51] FREUD, Sigmund (1901). Psicopatologia da vida cotidiana: sobre esquecimentos, lapsos verbais, ações equivocadas, superstições e erros. Belo Horizonte: Autêntica, 2023, pp. 331-342.

[52] LACAN, J. ([1955-1956] 1981). O seminário, livro 3: as psicoses. 2ª ed. Trad. A. Menezes. Rio de Janeiro: Zahar, 1988; pp. 82-83.

[53] LACAN, Jacques ([1956] 1966). O seminário sobre “A carta roubada”. In: Escritos. Rio de Janeiro: Zahar, 1998; pp. 13-66.

[54] LACAN, Jacques ([1956] 1966). O seminário sobre “A carta roubada”. In Escritos. Rio de Janeiro: Zahar, 1998; p. 13.

[55] LACAN, Jacques ([1954-1955] 1977). O seminário, livro 2: o eu na teoria de Freud e na técnica da psicanálise. 2ª ed. Trad. M. C. L. Penot. Rio de Janeiro: Zahar, 2010; pp. 87-89, 108.

[56] LACAN, Jacques ([1954-1955] 1977). O seminário, livro 2: o eu na teoria de Freud e na técnica da psicanálise. 2ª ed. Trad. M. C. L. Penot. Rio de Janeiro: Zahar, 2010; pp. 88-89, 92-93.

[57] LACAN, Jacques ([1954-1955] 2010). O seminário, livro 2: o eu na teoria de Freud e na técnica da psicanálise. 2ª ed. Trad. M. C. L. Penot. Rio de Janeiro: Zahar, p. 106.

[58] LACAN, Jacques ([1954-1955] 2010). O seminário, livro 2: o eu na teoria de Freud e na técnica da psicanálise. 2ª ed. Trad. M. C. L. Penot. Rio de Janeiro: Zahar, pp. 106-107.

[59] LACAN, Jacques ([1954-1955] 2010). O seminário, livro 2: o eu na teoria de Freud e na técnica da psicanálise. 2ª ed. Trad. M. C. L. Penot. Rio de Janeiro: Zahar, pp. 113-115.

[60] “Ele [Freud] se dá conta de que o cérebro é uma máquina de sonhar. E é na máquina de sonhar que ele reencontra o que já estava lá, desde sempre, e que a gente não se tinha dado conta, ou seja, de que é no nível do mais orgânico e do mais simples, do mais imediato e do menos manejável, no nível do mais inconsciente, que o sentido e a fala se revelam e se desenvolvem por inteiro” (LACAN, Jacques ([1954-1955] 2010). O seminário, livro 2: o eu na teoria de Freud e na técnica da psicanálise. 2ª ed. Trad. M. C. L. Penot. Rio de Janeiro: Zahar, p. 178).

[61] LACAN, Jacques ([1956] 1966). O seminário sobre “A carta roubada”. In J. Lacan. Escritos. Rio de Janeiro: Zahar, 1998; pp. 13-66.

[62] LACAN, Jacques. ([1954-1955] 2010). O seminário, livro 2: o eu na teoria de Freud e na técnica da psicanálise. 2ª ed. Trad. M. C. L. Penot. Rio de Janeiro: Zahar, p. 126.

[63] LACAN, Jacques ([1954-1955] 2010). O seminário, livro 2: o eu na teoria de Freud e na técnica da psicanálise. 2ª ed. Trad. M. C. L. Penot. Rio de Janeiro: Zahar, p. 127; grifo do autor.

[64] Como é o caso de Nancy e Lacoue-Labarthe (NANCY, Jean-Luc; LACOUE-LABARTHE, Philippe [1973]. O título da letra: uma leitura de Lacan. São Paulo: Escuta, 1991). Também exploro isso na minha tese (GODOI, Bernardo Sollar [2024]. “A mecânica da repetição”. In: Contingência e repetição: ensaio sobre a pulsão de morte a partir de uma articulação entre psicanálise e materialismo especulativo. [Tese de doutorado, Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas – UFMG], pp. 74-154).

[65] DUPUY, Jean-Pierre. (1996). Nas origens das ciências cognitivas. São Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista.

SOLLAR GODOI, Bernardo (2024) Lacan cibernético. Lacuna: uma revista de psicanálise, São Paulo, n. -16, p. X, 2024. Disponível em: <XXX>.




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