De antropofagia

por Oswald de Andrade

Apresentação | Alexandre Nodari

Apresentação

“A psicologia antropofágica” — eis o título atribuído pela organizadora da primeira edição de Os dentes do dragão, reunião de entrevistas dadas por Oswald de Andrade para o texto republicado a seguir. Embora sem nenhum apuro filológico, afinal, a entrevista, em sua publicação original, vinha intitulada como “de antropofagia” (uma expressão usada costumeiramente pelo movimento antropófago para cunhar suas colaborações), podemos tentar entender a decisão pelo fato de parte significativa do argumento de Oswald dizer respeito às elaborações de Freud. Assim, encontramos não só uma crítica ao universalismo da concepção freudiana, consubstanciada no sagaz e sarcástico questionamento da pertinência e validade do complexo de Édipo em situações sócio-históricas outras que a ocidental moderna — num gesto que prenuncia os de Lévi-Strauss, Foucault, e Deleuze e Guattari —, como também a proposição de uma outra maneira de conceber a psique em contraste com aquela da psicanálise. Mas entendamo-nos bem: se se trata de atacar Freud, não se trata, porém, de descartá-lo. Considerado “uma das grandes energias do ciclo nascente”, e, em outro lugar, um dos “românticos da Antropofagia”, seu nome aparecerá positivamente ao longo do Manifesto Antropófago e em outras elaborações da Revista de Antropofagia, sempre, contudo, com a ressalva do escopo restrito a que se aplicam os achados psicanalíticos: o da “mentalidade cristã”. É por isso que a “Antropofagia só pode ter ligações estratégicas com Freud”, cabendo a ela “fazer a crítica da terminologia freudiana, terminologia que atinge profundamente a questão”. Desse modo, por exemplo, a Traumdeutung aparece transformada na interpretação política do imaginário coletivo que explicaria o recente interesse pelos mitos indígenas (os nomes listados são de proto-etnógrafos, coletores e tradutores da mitologia nativa) como um despertar da resistência anticolonial — resistência também de pensamento: “o desenvolvimento de um estado de luta que a memória desperta”. (Não se trata, porém, de lembrar dos índios, como se estivessem no passado: a emergência da literatura indígena viria a nos lembrar do nosso passado indígena, nos lembrar de que, de algum modo, somos índios, e de que sua luta foi e é a nossa luta). E, no mesmo movimento, o inconsciente — o sexo e o estômago — é alçado ao estatuto de “consciente antropofágico”, afinal, parafraseando uma expressão oswaldiana, os sujeitos sabem o que comer. Aqui, começamos a ver a limitação do título atribuído, pois a psicologia proposta se funda em outra cosmologia, em outra organização social: os modos de vida e de pensamento indígenas. O modelo (latente) de Freud é Roma (embora o manifesto seja a Grécia) — o de Oswald são os Kayapó, e os Tupi, etc. Se a metafísica ocidental e suas instituições — a Igreja, o Direito romano, o Estado, o pai de família — se embasam na figura paterna, na filiação, as ameríndias, por sua vez, se organizam em torno do inimigo, da afinidade (cf., nesse sentido, as análises magistrais de Eduardo Viveiros de Castro). Com isso, é o sentido (em todos os sentidos) do complexo oral (“canibal”, como também o chama Freud) que diverge radicalmente: não se trata de comungar com o mesmo, mas de devorar o outro enquanto outro — e para outrar-se. A elaborada leitura que Oswald de Andrade faz de Totem e tabu, e que aparece de forma muito abreviada na entrevista, consiste em pensar o par totem e tabu não como um eixo fixo e interior(izado) de identificações, e sim como pivô móvel, que organiza o sujeito e a comunidade de fora, ou melhor, para o fora, e que não visa produzir estabilidade, mas movimento (“exogamia”). Mais do que acumular o mesmo (produzir), trata-se de consumir o outro — daí um dos erros de Marx… “A posse contra a propriedade”. O desafio, portanto, consiste impedir a cristalização do tabu em imperativo categórico, e do totem em ícone salvacionista e messiânico. Nesse ponto também vemos como estamos longe de uma psicologia em sentido estrito, pois trata-se igualmente de propor — a partir do “desenvolvimento do estado de luta” — mudanças políticas e legais, tais como a educação sexual, a diminuição da parafernália legal (anticodificação), a reforma agrária (abolição do título morto), e a legalização do aborto e da eutanásia, propostas que seriam remetidas ao Poder Legislativo após serem discutidas no Congresso de Antropofagia que, infelizmente, nunca chegou a ocorrer. Um dos mais densos documentos da teoria antropófaga, a entrevista é também, assim, um atestado da coragem do gesto oswaldiano: coragem intelectual de, em 1929, propor uma revisão radical de Freud, coragem político-intelectual de, em 1929, propor uma ontologia baseada no pensamento indígena, coragem política de, em 1929, propor mudanças radicais na sociedade. Coragem essa que ele próprio atribui aos índios, coragem essa tão necessária noventa anos depois, nos dias atuais de uma avalanche conservadora e de uma catástrofe ambiental provocada pelo mesmo padrão civilizatório criticado pelos antropófagos. Coragem de desenvolver o estado de luta que a memória e o presente da resistência indígena despertam naqueles dispostos a, minimamente, sair de si.

Alexandre Nodari

A entrevista foi originalmente publicada em O jornal (Rio de Janeiro, agosto de 1929)

O estado atual da nossa mentalidade é muito interessante. Se, de um lado, uma porção de “grandes nomes” continua a tradição de microcefalia que, de preferência, se aninha na Academia Brasileira e na Escola de Belas-Artes — proclamando, por exemplo, sem intuito de blague, num Congresso de Eugenia[1], que, nestes tempos freudianos, a castidade deve ir até o casamento —; por outro lado, o Brasil renasce poderosamente. Falo das novas expressões de pintura, de escultura, de poesia e de pensamento que já podem garantir nada termos com os aposentados-natos que querem atravancar o caminho de todas as conquistas.

É verdade que a exposição[2]de Tarsila agora encerrada no Palace-Hotel deu motivo a se porem de fora orelhas imensas como a do ilustre crítico Flexa Ribeiro[3], senhor de uma das mais pesadas inculturas do momento. Mas também produziu as manifestações vivamente intelectuais de João Ribeiro[4], Álvaro Moreyra[5], Jorge de Lima[6], Bezerra de Freitas[7], Clóvis de Gusmão[8], Landucci[9], Angyone Costa[10]etc. e algumas notas muito brilhantes de críticos e jornalistas.

O neocatolicismo

Explico o movimento encabeçado pelos srs. Tristão de Athayde[11]e Augusto Frederico Schmidt[12]como a consequência da nossa nefasta educação de casa e de família. É um prolongamento do espírito de ralho e de carinho que presidiu, em todos os Botafogos do Brasil, à nossa formação menineira. No fundo das recordações de cada um de nós jaz uma mamãe aflita com os perigos desse abismal mundo moderno que vai roendo o ciclo vencido. Junte-se a esse forte elemento emocional, que talvez seja o grave empecilho para a conquista profunda da vida, o medo físico do Inferno, a esperança na ressurreição de uma carnezinha modestamente gulosa e regalada pelos trópicos, um gozo de ladainhas e de velas e a autoridade nunca seriamente examinada de Jacques Maritain e Charles Maurras.

É verdade que houve também a influência de Jackson de Figueiredo[13], ao que querem um cangaceiro do espírito, uma “coluna de fogo”[14]etc. Isso realmente me espanta porque, para provar o contrário, aí está a obra inteira de Jackson, de uma mediocridade lancinante e de uma falta de importância absoluta. A não ser que pessoalmente ele fosse o contrário do que era nos livros.

É lastimável tudo isso. Homens de um talento vivo como Tristão e Schmidt vivem pregados ao barro das tragédias opacas e subjetivas, românticos sem repercussão num mundo que brinca e devora. Personagens a sério, mas muito menos interessantes, da minha “Trilogia do Exílio”[15]. Simplesmente.

O resultado é a greve da fome em que alguns deles já caíram. Não escrevem mais, quebraram a caneta e beberam a tinta. Que Freud os classifique catolicamente.

A antropofagia

O movimento que vitaliza o Brasil é o que chamei de Antropofagia. Em S. Paulo encontrei duas forças extraordinárias que, ao meu lado, formaram a urgente obra de anticatequese que vamos levando a efeito. São Raul Bopp[16]e Oswaldo Costa[17].

O jesuíta deixou entre nós uma psique neurastênica e a justificativa moral dos movimentos do coração. É isso que faz, por exemplo, em Minas, o sr. Affonso de Guimarães Júnior continuar solidário em tudo com a bestice paterna[18].

É verdade que se trata aí de um atavismo pesado. Mas em geral são os umbigos sentimentais que urram contra a limpeza que vamos fazendo e que faremos, custe o que custar. “Uma questão de amizade”. Cretinos! Como se o sr. Mário de Andrade — antes, durante e depois da amizade que teve por mim — não fosse, acima de tudo, um cínico! Quanto a mim, o que sempre me impressionou no Mário foi o barítono.

Uma revolução metafísica

A Antropofagia é uma revolução de princípios, de roteiro, de identificação. O homem, por uma fatalidade que eu chamo de “lei de constância antropofágica”, sempre foi o animal devorante. Mas as religiões de salvação o desidentificaram, levando-o aos piores desvios (catolicismos, teosofia, puritanismo, comunismo ideológico). O ciclo primitivista, poderosamente escorado em Bergson e os intuitivistas; em James e todos os pragmatistas, inclusive Maurice Blondel, Spengler e todos os profetas do Declínio, Lênin e todos os quebradores de Sèvres; em Shan, Welle; na jurisprudência sentimental de Berolzheimer; nos movimentos de anticodificação; no Surrealismo e todos os documentais; no behaviour; na tendência presentista antigenética, da Escola de Marburgo; na anarquia civilizada de Krishnamurti, como na revolução integral das expressões — poesia, artes, arquitetura —; na América do Norte inteira, com o cinema, o divórcio, o box, o crédito e, sobretudo, o apetite: o ciclo primitivista é invencível. Nós, brasileiros, oferecemos a chave que o mundo cegamente procura: a Antropofagia.

Nem cristãos nem comunistas

O cristianismo felizmente agoniza numa terra preparada de todo lado para a Descida Antropofágica. E como o Brasil colonial timbra em ser o país mais atrasado do mundo, é agora que se lembraram de erigir num morro do Rio o Monumento cristão.

Retificação de Freud

A Antropofagia só pode ter ligações estratégicas com Freud. Ele é uma das grandes energias do ciclo nascente. Mas Freud é apenas o outro lado do catolicismo. Como Marx é o outro lado do capitalismo. Como os comunistas são os novos burgueses da época transitória. Não foi à toa que eu disse outro dia, a Tristão de Athayde, que antes de Hegel e da dialética nunca houve filosofia. E mais que filosofia, nunca houve compreensão.

Mas [a] Antropofagia que baseia no homem natural a construção da sociedade futura não pode deixar de ver alguns erros profundos de Freud. O recalque que produz em geral a histeria, as nevroses e as moléstias católicas não existe numa sociedade liberada senão em percentagem pequena ocasionada pela luta. E o desafogo direto, tornado possível, remedeia tudo.

Cabe a nós, antropófagos, fazer a crítica da terminologia freudiana, terminologia que atinge profundamente a questão. O maior dos absurdos é, por exemplo, chamar de “inconsciente” a parte mais iluminada pela consciência do homem: o sexo e o estômago. Eu chamo a isso de “consciente antropofágico”. O outro, o resultado sempre flexível da luta com a resistência exterior, transformado em norma estratégica, chamar-se-á o “consciente ético”.

Freud católico

As experiências das teorias de Freud numa sociedade natural trariam também a derrocada de outros resultados da psicanálise. Que sentido teria num matriarcado o complexo de Édipo?

Traumdeutung interpretada antropofagicamente reduziria o sonho católico de Freud ao palpite de S. Cipriano.

O documental índio (o sonho augural e estratégico em Amorim[19], Barbosa Rodrigues[20], Couto de Magalhães[21], Macunaíma[22]) é, mais do que tudo, o desenvolvimento de um estado de luta que a memória desperta. Nada tem com o sonho em função do “pecado sexual” que coloca Freud nos quadros do catolicismo.

Don Juan na tribo

O que poderia perfeitamente elucidar o abismo que existe entre a mentalidade cristã (sobre a qual a pesquisa de Freud é notável) e a outra, a antropofágica, seria um desembarque de Don Juan em um acampamento poligâmico de Kayapó, apesar do atestado de conduta que passou a esses e outros excelentes silvícolas brasileiros a reverendíssima sabedoria do padre Schmidt[23], de Viena (Semana Etnológica — Milão, 1925).

As piscadelas do herói em função do pecado sexual teriam um sucesso de comicidade incalculável ante a liberdade camarada da tribo.

Os erros de Marx

São quatro. Resposta aos quatro:

1º) O que interessa o homem não é a produção e sim o consumo.

2º) O “homem histórico” é uma criação artificial que não pode presidir a nenhuma pesquisa séria de ordem psicológica. O determinismo histórico é a anedota do determinismo biológico. Muitas vezes mal contada.

3º) O que faz do comunismo, como de qualquer movimento coletivo, uma coisa importante é ainda e sempre a aventura pessoal.

4º) A ideia de um progresso humano indefinido (adotada por mais de um intérprete de Marx) traria finalmente o quadro proposto pela Idade Média. No começo, o pecado original. No fim, o céu.

A psicologia antropofágica

Com base nas duas grandes correntes da psicologia atual — o behaviour e a Gestalttheorie—, sem deixar de lado a crítica de Politzer, tracei em um trecho da Revista de Antropofagia as diretivas que creio indicadas para a solução do problema psicológico[24].

No homem do horizonte ptolomaico se encaixa um aparelho telepático que o leva a todas as aventuras chamadas “do espírito”.

A função antropofágica do comportamento psíquico se reduz a duas partes: 1º) totemizar os tabus exteriores; 2º) criar novo tabu em função exogâmica.

Unificando numa figura (Gestalt) o universo fragmentário, totemizamos — produzindo, ao mesmo tempo, o novo tabu com que partimos à aventura exterior da conquista (exogamia).

A criação do tabu

Um dos fenômenos de permanência psicológica que mais de perto acompanham a ação humana é a criação do tabu, elemento de função fixa na transformação do eterno presente. O seu caráter é sacro: o direito, a arte, a religião.

Na totemização desses valores todos os dias consiste a vida individual e social que, por sua vez, renova os tabus, numa permanente e, graças a Hegel, insolúvel contradição.

Turismo

Pedro Eremita[25]foi o Cook[26]das cruzadas. Exogamia. Totalidade da humana aventura. O que a humanidade quer é pretexto para viajar, mesmo que seja a carnificina do Santo Sepulcro.

Contra o homem econômico de Marx a realidade opõe o antropófago turista, o homem perdulário.

A posse e a chamada[27]

O direito antropofágico tem as suas razões nas leis cósmicas que nos condicionam.

A lei da gravidade nos garante a posse de um pedaço do planeta, enquanto vivermos.

Disso à noção de propriedade, de título morto, de latifúndio e de herança, nunca! Somos contra tudo isso. Mas a posse é respeitável, garantida pelo valor de quem possui e pela vitalidade de quem sabe guardar.

Não fosse o Brasil o maior grilo da história — um grilo de milhões de quilômetros talhados no título morto de Tordesilhas.

Outra condição de nossa vida é o eletromagnetismo a que se precisa reduzir a pesquisa admirável de Freud. Na posse e na chamada freudiana se exercerá em plena vitalidade o direito antropofágico.

Somos solidários com todos os movimentos de anticodificação. Pelo julgador contra o legislador, pelo costume e pela sentença sentimental, imediata e oportuna.

Ao meu ver, o direito atual — tabu prolongado de Kant — está sofrendo o embate mais sério de sua vida extra-humana. Temos que descer às realidades da taba. Higiene e vingança, únicos imperativos categóricos.

Nos países cultos, graves professores de universidades indicam os novos caminhos: além da educação sexual preparando a liberdade de amar, a eutanásia e, sobretudo, a maternidade consciente.

Infelizmente, aqui no Rio, homens da maior responsabilidade exaltam ainda a vil comédia da castidade católica. A nova geração saberá castigá-los.

A expansão antropofágica

Os aposentados-natos urram, insultam, se acovardam, arremetem de novo. Tudo inutilmente. O movimento antropofágico é invencível. Além do primeiro “sambaqui”[28]que vamos dar agora à publicidade em S. Paulo, contendo o documental da campanha, prossigo eu mesmo os dois livros que darei no próximo ano: Serafim Ponte Grande e A hipótese antropofágica[29]. Oswaldo Costa está compondo com a sua força estupenda o Iurupari, condensação de política e sociologia. Raul Bopp publicará talvez o mais belo poema do Brasil — Cobra Norato. Clóvis de Gusmão prepara o estudo sociológico Tenupá-Oikó, ensaio sobre a filosofia do “Deixa está”![30]

O último livro de Álvaro Moreyra, Circo[31], indica a linha ascendente da poesia brasileira, saída do Simbolismo. A Pontes de Miranda[32]caberá a mesma indicação no campo do Direito. Do seu talento e da sua cultura a Antropofagia espera muito. Aníbal Machado dará em breve João Ternura[33], revelação do seu grande talento.

E do Norte ao Sul, e ao Nordeste, uma geração de forças novas se prepara para a transformação do Brasil: Garcia de Rezende[34]; Renato Sóldon[35]e o grupo de Maracajá; Eneida[36]e o grupo do Pará; Achilles Vivacqua e os liberados de Minas; Pagu[37], em São Paulo.

O jornal

Rio de Janeiro, agosto de 1929.


Oswald de Andrade é… Oswald de Andrade.

Alexandre Nodari é doutor em literatura pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC e professor do Departamento de Literatura e Linguística da Universidade Federal do Paraná – UFPR. Cofundador do SPECIES – Núcleo de antropologia especulativa. Foi editor do panfleto político-cultural SOPROe da Editora Cultura e Barbárie. Mantém o blog partes sem um todo.



[1]O I Congresso Brasileiro de Eugenia ocorreu no Rio de Janeiro, entre os dias 30 de junho e 7 de julho do ano de 1929. (N. de E.)

[2]Tratou-se de uma exposição de 35 quadros de Tarsila do Amaral no Rio de Janeiro, inaugurada em 20 de julho de 1929. Cf <http://tarsiladoamaral.com.br/carrossel/1929-2/>. (N. de E.)

[3]José Flexa Pinto Ribeiro (1884-1971) foi professor, poeta, crítico e historiador da arte. (N. de E.)

[4]Membro da Academia Brasileira de Letras desde 1898, João Batista Ribeiro de Andrade Fernandes (1860-1934) foi jornalista, crítico, filólogo, historiador, pintor e tradutor. (N. de E.)

[5]Álvaro Maria da Soledade Pinto da Fonseca Velhinho Rodrigues Moreira da Silva (1888-1964) foi poeta, cronista e jornalista, tornando-se membro da Academia Brasileira de Letras no ano de 1959. (N. de E.)

[6]Jorge de Lima (1893-1953) foi escritor, poeta, médico, pintor e tradutor. (N. de E.)

[7]José Bezerra de Freitas foi poeta, tradutor e crítico literário. (N. de E.)

[8]Clóvis Gusmão foi jornalista e escritor. (N. de E.)

[9]Lelio Landucci (1890-1954) foi escultor, arquiteto e crítico de arte. (N. de E.)

[10]Angyone Costa (1888-1954) foi professor de arqueologia do curso de museus do Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro. (N. de E.)

[11]Pseudônimo de Alceu Amoroso Lima (1893-1983), “que se converteu ao catolicismo em 1929. Foi muito amigo e discípulo de Jackson de Figueiredo, ocupando a presidência do Centro Dom Vital e a direção da revista A ordem. Conforme informação de Antonio Carlos Villaça, Alceu Amoroso Lima exerceu influência decisiva na formação do jovem poeta Augusto Frederico Schmidt, através de longa correspondência quando este morava em Nova Iguaçu” (BOAVENTURA, Maria Eugênia da Gama Alves [org.] (1990) Os dentes do dragão. Rio de Janeiro: Editora Globo; p. 49). (N. de E.)

[12]Augusto Frederico Schmidt (1906-1965) foi poeta, polemista, ensaísta e empresário. (N. de E.)

[13]Jackson de Figueiredo Martins (1891-1928) foi advogado, professor, jornalista, crítico, ensaísta, filósofo e político. (N. de E.)

[14]Cf. FIGUEIREDO, Jackson de (1925) A coluna de fogo. Rio de Janeiro: Ed. do Centro Dom Vital. (N. de E.)

[15]ANDRADE, Oswald de (1922, 1927, 1934) Os condenados: a trilogia do exílio. Rio de Janeiro: Editora Globo, 2003. (N. de E.)

[16]Raul Bopp (1898-1984) foi poeta, cronista e jornalista. (N. de E.)

[17]Jornalista, Oswaldo Costa (1900-1967) é considerado uma peça-chave do movimento antropofágico. Cf. JÁUREGUI, Carlos A. (2015) “Oswaldo Costa, Antropofagia, and the Cannibal Critique of Colonial Modernity”, Culture & History Digital Journal, vol. 4, n. 2, 2017. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.3989/chdj.2015.017>. (N. de E.)

[18]Aqui o texto original apresenta, ao invés de ponto, uma vírgula; esta, por sua vez, é seguida de uma palavra que, interrompida, provavelmente continuaria na linha seguinte, que foi suprimida: “É isso que faz, por exemplo, em Minas, o sr. Affonso de Guimarães Júnior continuar solidário em tudo com a bestice paterna, contra-[linha ausente no original]”. (N. de E.)

[19]Naturalista tupinólogo, Antonio Brandão de Amorim (1865-1926) escreveu Lendas em nheengatu e em português(1926), obra que teria ecos no movimento antropofágico: “Foi uma revelação. Eu não havia lido nada mais delicioso. Era um idioma novo. A linguagem tinha às vezes uma grandiosidade bíblica”. (BOPP, Raul [1977] Vida e morte da Antropofagia. Rio de Janeiro: José Olympio, 2008; p. 83). (N. de E.)

[20]João Barbosa Rodrigues (1842-1909) foi um engenheiro, naturalista e botânico brasileiro. (N. de E.)

[21]José Vieira Couto de Magalhães (1837-1898) foi político, militar, escritor e folclorista. É considerado o iniciador dos estudos folclóricos no Brasil, publicando O selvagemem 1876. (N. de E.)

[22]O livro de Mário de Andrade havia sido publicado no ano anterior, em 1928. (N. de E.)

[23]Nascido em Hörde — atual Dortmund (Alemanha) —, o linguista, etnólogo e historiador das religiões Wilhelm Schmidt (1868-1954) foi um religioso e professor da Universidade de Viena bastante influente. No ano de 1933, Freud relatará a Jones o fato de que a publicação de um periódico psicanalítico italiano havia sido interrompida devido a ordens expressas do Vaticano — ordens que seriam consequência da intervenção direta do referido padre. Ao que se sabe, ainda que o editor chegue a pedir a intercessão de Mussolini no referido caso, o veto não será revertido.Cf. VITZ, Paul C. (1988) “Pater (Father) Schmidt and the Catholic Church”. In: Sigmund Freud’s christian unconscious. New York: Guilford Press; pp. 197-199. (N. de E.)

[24]Conforme aponta Alexandre Nodari, o autor refere-se aqui a um texto dele próprio chamado “Antropofagia e cultura”, publicado na Revista de Antropofagia, 2ª dentição, 15 de maio de 1929. Cf. NODARI, Alexandre (2015) “‘A transformação do Tabu em totem’: notas sobre (um)a fórmula antropofágica”, Revista das questões: filosofia, tradução, arte, n. 2. Universidade de Brasília, fev/mai de 2015. Disponível em: <periodicos.unb.br/ojs248/index.php/dasquestoes/article/download/15415/10967>. (N. de E.)

[25]Pedro, o Eremita (1053- 1115) foi um monge francês e um dos principais pregadores da Primeira Cruzada, liderando a expedição não oficial conhecida como “Cruzada Popular” ou “Cruzada dos Mendigos”. (N. de E.)

[26]James Cook (1728-1779)foi um navegador, cartógrafo e explorador britânico. Realizou viagens pelo Oceano Pacífico, chegando à Nova Zelândia, à Austrália e às Índias Orientais Holandesas, explorando também os arredores da Antártida. Em 1778, tornou-se o primeiro europeu a pisar no Havaí, cujo rei ele tenta sequestrar ao retornar ali no ano seguinte — em razão do que foi capturado, morto e devorado pelos nativos. (N. de E.)

[27]Sobre a teoria da posse contra a propriedade, cf. BOAVENTURA, Maria Eugênia da Gama Alves “Oswald de Andrade, A Luta da Posse contra a Propriedade”. In: SCHWARZ, Roberto [org.] (1983) Os pobres na literatura brasileira. São Paulo: Brasiliense. Cf. também: NODARI, Alexandre (2011) “A única lei do mundo”. In: CASTRO ROCHA, João Cezar; RUFFINELLI, Jorge (Orgs.) Antropofagia hoje?São Paulo: É Realizações, 2011; pp. 455-483. Disponível em: <www.academia.edu/2281680/A_%C3%BAnica_lei_do_mundo>. (N. de E.)

[28]“Em Vida e morte da Antropofagia, Raul Bopp conta que, entre os projetos para o programado Congresso de Antropofagia de 1931, constava a formação de uma ‘Bibliotequinha Antropofágica’. O diminutivo reivindicava o formato pequeno, o texto breve, a escrita em escala reduzida de que eram adeptos os vanguardistas. Livros de bolso. Segundo o testemunho de Bopp, a biblioteca teria como volumes fundadores Macunaíma, de Mário de Andrade, e Cobra Norato, do próprio Bopp. Também constaria de várias compilações. Uma delas era ‘Sambaqui ou restos de cozinha’, que incluía artigos da Revista de Antropofagiaem sua primeira e segunda dentições. Seu nome vinha do tupi: “samba— explica Bopp — significa ‘conchas’ e ki, ‘amontoado’. Portanto, sambaqui é literalmente um amontoado de conchas”. (AGUILAR, Gonzalo [2008] “Bibliotecas errantes” [Trad. R. Monte Alto]. Suplemento literário de Minas Gerais, n. 1312; p. 7 [Dossiê: Manifesto antropófago faz 80 anos]. Disponível em: <www.cultura.mg.gov.br/files/2008-julho-1312.pdf>). (N. de E.)

[29]Serafim Ponte Grande (Ed. Ariel, 1933). Hipótese Antropofágica não chegou a ser publicado.

[30]Cobra Norato(1931) seria o único a ser publicado. Cf. “4 pedaços do tenupá oikó” em: NODARI, Alexandre (2018) “Três textos quase inéditos da Antropofagia”, sub specie alteritatis: experiências de antropologia especulativa. Disponível em: <subspeciealteritatis.wordpress.com/2018/11/09/tres-textos-quase-ineditos-da-antropofagia/>. (N. de E.)

[31]Dedicado a Tarsila e Oswald de Andrade, o livro de poemas Circofoi publicado por Álvaro Moreira, em 1929, na Ed. Pimenta de Mello. (BOAVENTURA, Maria Eugênia da Gama Alves [org.] (1990) Os dentes do dragão. Rio de Janeiro: Editora Globo; p. 55)

[32]Um dos juristas mais importantes do século XX, o polígrafo Francisco Cavalcanti Pontes de Miranda (1892-1979) foi advogado, magistrado, professor, diplomata e ensaísta. (N. de E.)

[33]O livro só seria publicado um ano após a morte do seu autor. Cf. MACHADO, Aníbal (1965) João Ternura, 4ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1978. (N. de E.)

[34]Assessor de Atílio Vivacqua, secretário de educação do Espírito Santo, Sezefredo Garcia de Rezende (1897- 1978?) era jornalista, jornalista, escritor e professor. Cf. nota introdutória em: NODARI, Alexandre (2018) “Três textos quase inéditos da Antropofagia”, sub specie alteritatis: experiências de antropologia especulativa. Disponível em: <subspeciealteritatis.wordpress.com/2018/11/09/tres-textos-quase-ineditos-da-antropofagia/>. (N. de E.)

[35]Renato Sóldon (1903-?) foi jornalista, cronista, humorista. (N. de E.)

[36]Eneida de Villas Boas Costa de Moraes (1904-1971) foi uma jornalista, escritora, militante política e pesquisadora. (N. de E.)

[37]Patrícia Rehder Galvão (1910-1962) foi militante política, escritora, jornalista, desenhista, diretora de teatro, poeta e feminista. (N. de E.)




COMO CITAR ESTE ARTIGO | DE ANDRADE, Oswald (2019) De antropofagia. Lacuna: uma revista de psicanálise, São Paulo, n. -7, p. 4, 2019. Disponível em: <https://revistalacuna.com/2019/08/07/n-7-4/>.