Sara Neiditsch: nova luz em uma figura elusiva – e novas perguntas

[Sara Neiditsch: New light on an elusive figure ‒ and new questions]

por Isabella Ginor & Gideon Remez

Tradução | Paulo Beer

Originalmente publicado em: Luzifer-Amor, vol. 66, n.33, 2020.[1]

Nossa pesquisa biográfica sobre Max e Mirra Eitingon[2] teve um subproduto intrigante: um desafio substancial à imagem convencional, na literatura psicanalítica, de uma figura até então elusiva no desenvolvimento inicial do movimento. Essa é a Dra. Sara Neiditsch — com quem as histórias de vida dos Eitingons estiveram entrelaçadas por quase 40 anos.

A maior parte dos poucos e esparsos perfis de Neiditsch na literatura psicanalítica afirmam corretamente que ela nasceu em Pinsk, então no Império Russo (agora em Belarus), em 1875; que ela estudou medicina em Zurique a partir de 1905 e obteve seu título de médica em Berlim; e que ela publicou três trabalhos pioneiros sobre o desenvolvimento do pensamento freudiano e da prática psicanalítica em seu país nativo. O último desses, um obituário muito citado de sua amiga e colega de estudos Tatiana Rosenthal, após seu suicídio em Petrogrado em 1921, indicava, junto ao nome de Neiditsch, como “zur Zeit Berlin”. Não é claro em quais bases “zur Zeit” foi interpretado para significar que “na primavera de 1923 Sara Neiditsch voltou para a Russia”, e ela ser agrupada como “mulheres psicanalistas na Rússia”. A assumpção implícita de que a partir de então “ela viveu na Rússia” foi copiada até nos estudos mais recentes (embora em sua maior parte somente como notas de rodapé em discussões sobre Rosenthal)[3]. Mas é aceito que “seu nome não apareceu nas listas de membros da Associação de Psicanálise Russa que foi fundada em 1922”, e nenhuma menção subsequente de seu nome foi registrada. A data de sua morte é deixada em aberto, o que dificilmente teria sido raro entre seus colegas e outros na URSS[4]. Mas podemos começar preenchendo essa lacuna: “Mlle. Dr. Sarah Naiditch” foi enterrada em 26 de setembro de 1966 — não na União Soviética, mas em Paris, na França[5]. Junto a inúmeras aparições da correspondência dos Eitingons e outras fontes, isso agora demanda um reexame de toda sua biografia e de seu legado.

Por que essas fontes foram negligenciadas, mesmo que a maior parte estivesse prontamente acessível por décadas? Isso pode ser atribuído, ao menos em sua maior parte, a uma “tempestade perfeita” de várias causas. O sobrenome de Sara aparece, em diversas grafias, em caracteres cirílicos e latinos assim como também hebraicos, com diferentes ortografias entre as línguas que usaram cada alfabeto. Há, por exemplo, pelo menos 10 variações somente em alemão, francês e inglês — muitas das quais aparecem nas citações abaixo. Em relação aos primeiros nomes: judeus, especialmente na Europa oriental, costumeiramente tinham vários. Todo mundo tinha um ou mais nomes hebreus que eram dados no nascimento e usados em rituais. Mas também havia cognatos em ídiche para uso diário secular, e ainda mais um ou mais nomes de línguas europeias, de escolha da própria pessoa, para conveniência na sociedade geral. Nosso sujeito Max Eitingon era então, formalmente, Mordechai, Mordukh em ídiche, e chamava a si mesmo de Mark ou Marcus. As famílias tipicamente grandes de judeus russos — dez ou mais irmãos era comum — e o costume de nomear as crianças em homenagem a ancestrais falecidos significava que os mesmos primeiros nomes frequentemente se repetiam na mesma geração de um clã. Havia até combinações idênticas de nome e patronímico — a forma como as pessoas eram referidas ou chamadas, omitindo o sobrenome, por colegas falantes de russo em certos níveis de familiaridade. Portanto, em algumas das fontes mais íntimas e reveladoras, Dra. Neiditsch aparece somente como “Sara Adolfowna”, ou até mesmo só “S.A.”. Felizmente para essa investigação, isso não foi ainda mais complicado por trocas de nomes de solteira no casamento, como na maioria das mulheres daquele tempo. Mas outras dificuldades foram suficientes para que algumas fontes fossem obscurecidas e outras interpretadas erradas.

Para avaliar totalmente a evidência que veio à luz quando os fatores acima foram percebidos é necessária uma visão mais ampla de ambas famílias, a Neiditsch e a Eitingon. A “Matrikel” de “Sarra” Neriditsch, nascida em 1875, que entrou na Universidade de Zurique no semestre do verão de 1905, dá o endereço de seus “pais” em Moscou como “Armjanerstrasse bei Konstantinoff”. Mas seus pais já tinham falecido, e o endereço desse “J. Neiditsch” na rua Armjaner número 7 é, na verdade, registrado nos diretórios russos como o domicílio do irmão mais velho de Sara, Jitzchak (Isak ou Issac), que era, então, o chefe da família. Seu vizinho de porta no número 9 era Mendel-Mikhail Eitingon, primo irmão de Max[6]. Ambos faziam parte da pequena comunidade privilegiada de judeus que tinham permissão para residir em Moscou após à repressão antissemita de 1891, quando muitos foram expulsos das cidades fora da “Paliçada do assentamento”, à qual a maioria dos judeus estava limitada na Rússia czarista. Mikhail Eitingon ganhou esse direito por ser filho de um banqueiro que fora nomeado “cidadão honorário” por seus serviços ao império; Isak Neiditsch, como um comerciante da primeira “guilda” (escalão) e industrial de produtos de álcool e tabaco. O pai de Max, Chaim-Efim Eitingon, foi expulso de Moscou em 1891 uma vez que seu negócio de comércio de peles lhe dera o status de apenas segunda guilda. Os registros mostram que Isak Neiditsch só tomou domicílio em Moscou em 1898, depois dos pais de Max já terem se estabelecido em Leipzig. Mas os ramos da tribo Eitingon permaneceram em contato próximo mesmo depois que a expulsão os separou. As afirmações posteriores de Max de que “Sara Adolfowna” e sua irmã mais nova “Olja” (Olga, nascida em 1891) eram “como irmãs” para ele parecem refletir uma proximidade anterior a quando ele e Sara se encontraram como estudantes.

O clã Neiditsch, em sua nativa e majoritariamente shtetl[7] de Pinsk (dentro dos limites da Paliçada), era tipicamente extensiva. Uma parente, Bluma Neiditsch, seria a mãe da futura Primeira-ministra de Israel Golda Meir. O primeiro presidente de Israel, Chaim Weizmann, nasceu num vilarejo próximo e foi à escola em Pinsk, onde se tornou amigo de Isak Neiditsch, iniciando uma parceria de vida no ativismo sionista. Sara era uma das cinco irmãs e, como muitos irmãos, tinha nascido do “comércio” Yehuda-Adolf e Bracha-Bertha Neiditsch. Quando seus pais morreram, Sara tomou conta de sua irmã mais nova Olga em Pinsk até se mudarem para a capital imperial São Petersburgo, para se juntarem a Isak, que ganhara direitos de domicílio lá como um homem de negócios de sucesso; elas então se mudaram com ele para Moscou. O filho de Mikhail Eitingon, Vladimir, descreveu a casa de seus pais como frequentada pela elite judaica e sionista de Moscou, na qual Isak Neiditsch havia estabelecido uma posição proeminente quando Sara começou seus estudos acadêmicos no exterior.[8] Como muitas jovens judias com aspirações, ela foi para fora por falta de acesso às universidades russas, fazendo exames internacionais para o equivalente a um certificado de ginásio de sétima série de meninas, já que (como ela escreveu em seu currículo de sua tese de doutorado médico) “Eu recebi minha primeira escolarização num internato privado”. 

Esse “Lebenslauf” é a única, e até agora despercebida, fonte de que ela realmente começou seus estudos médicos em “Halle a.S” (de Saale, Saxônia) em 1901 — o ano em que Max Eitingon passou um semestre lá entre seus dois primeiros semestres na universidade da vizinha de sua cidade natal Leipzig. Como ele, Sara continuou por uma série de universidades; enquanto Max foi a Heidelberg e Marburgo, ela frequentou a Universidade de Berna antes de eles se encontrarem novamente em Zurique, em 1905. No pequeno e fortemente unido círculo de estudantes judeus russos de lá, como relatado por outro membro, Aron Perelman, Sara teria conhecido Max Eitingon de qualquer maneira[9]. Mas a conexão familiar e o conhecimento prévio presumivelmente foi um fator adicional na relação.

Enquanto estudante de medicina clínica, Sara não estava afiliada à clínica mental de Burghölzli, onde Max era um interno voluntário. Só pode se especular que em seguida à primeira visita de Eitingon a Sigmund Freud em janeiro de 1907, foi ele, junto com Rosenthal, que despertaram o interesse de Sara pela psicanálise. O que é certo é que após uma “interrupção” de seus estudos a partir de novembro de 1907, quando ela evidentemente retornou à Rússia e se inteirou dos movimentos iniciais do pensamento freudiano lá, era Eitingon que a conectava com seu superior em Burghözli, Carl Jung.

Em junho de 1909, em meio aos preparativos para os exames de doutorado médico já muito adiados de Max, Jung o escreveu “Caro colega, muito obrigado por enviar o manuscrito da Srta. Neiditsch” — seu relato inovador do desenvolvimento do freudismo na Rússia.[10] O que Sara contou a Max pessoalmente, além do artigo, aparentemente o encorajou a fazer sua primeira e única viagem de volta à Rússia depois de 20 anos para explorar (sem sucesso) o prospecto de começar uma clínica psicanalítica lá.[11]

Em contraste com a atitude sarcástica e desdenhosa de Jung com o próprio Eitingon, ele recebeu bem a contribuição da “Fraülein Neiditsch”. Sua própria carta de resposta a Jung ficou sem resposta, já que ela chegou enquanto ele estava nos Estados Unidos com Freud. Mas quando Max perguntou sobre isso, Jung respondeu que ela deveria “completar o trabalho anterior, o qual eu poderia então publicar no próximo volume do anuário”. Jung pediu, contudo, “mas o mais legível possível” — o que, a julgar por nosso único, e muito posterior exemplo de sua grafia à mão, era bastante compreensível (não que a própria letra de Jung fosse muito melhor). Ele de fato incluiu o trabalho no segundo volume do Jahrbuch de 1910, que foi editado. Foi assinado como “J[eanne] Neiditsch”, levando mesmo a uma tese recente que sugere que haveriam duas irmãos Neiditsch estudando em Zurique.[12] Mas somente “Sarra” estava registrada lá, e a correspondência Eitingon-Jung confirma a atribuição convencional do trabalho a ela. A escolha por “Jeanne” como um pseudônimo pode talvez ser explicada pelo “certificado de nível em francês e ciências naturais da escola latina”, para o qual ela fez o teste após conseguir o certificado do ginásio. Mas não se sabe de Sara ter usado “Jeanne” nenhuma outra vez, mesmo na França.

Ademais, o anuário indica o local de Jeanne como Berlim — não Zurique. O cartão postal de Jung para Eitingon sobre o trabalho em abril de 1910 acabou com “meus cumprimentos a você e à Srta. Neiditsch”. Estava endereçado e ele em Berlim, aonde ele havia decidido se estabelecer depois de ter finalmente conseguido seu doutorado em Zurique e desistido de um retorno à Rússia.[13]

Um mês antes, Sara havia defendido sua tese de doutorado médico na Universidade Friedrich-Wilhelms em Berlim. É dedicado “ao meu irmão”, já que Isak deve ter financiado seus estudos. Uma copia dessa impressão rara está entre os livros da coleção de Max Eitingon na Biblioteca Nacional de Israel, então eles claramente mantinham um contato próximo em Berlim também.[14] Lá, e antes em Zurique, ou em ambos, Sara evidentemente visitou sua irmã Olga, então se tornando uma mezzo-soprano e pianista realizada, embora, de acordo com sua filha, “ela não tinha nem a disciplina nem a ambição para uma carreira. Ela era uma jovem linda, mimada e muito emotiva”[15]. A intensificação de seus problemas emocionais teria um lugar de destaque na vida e na carreira subsequente de Sara.

Durante a incursão de Max Eitingon na Rússia, uma paciente prospectiva foi encaminhada a ele: uma atriz com o nome artístico de Mirra Birens. Além de uma doença nos pulmões, ela sofria depressão após seu breve pico de estrelato no Teatro de Arte de Moscou terminar por causa de uma nova repressão antissemita e de sua idade avançada, dois anos mais nova que Sara. Mirra inicialmente não se impressionou pelo “judeu ordinário” Eitingon. Mas quando a relação deles se tornou um romance apaixonado três anos depois, ela ficou com ciúmes do fulgor real ou suspeitado de Max, incluindo suas visitas e presentes para Sara e, especialmente, para sua quase contemporânea “Olja”.

Casada com 20 anos, Olga ainda vinha ocasionalmente para ficar com Sara durante crises de seus problemas matrimoniais, junto com sua primeira filha, Eva-Yvette, que tinha nascido em janeiro de 1911.[16] Max convencia com dificuldades Mirra de que ele estava apenas “dando a essa mulher e mãe algo em retorno do que ela me deu como uma criança poética” e sua “pequena filha está ganhando apenas brinquedos. Olja [e] Sara N. são como irmãs para mim agora… Você pode se acalmar, animae meae anima[17].

Mirra pode não ter ficado inteiramente tranquila: quando, em um pós-escrito a uma das cartas de amor de Max, duas semanas depois, ele adicionou em russo que “S.N.” tinha enviado uma foto sua com Olja, Mirra guardou a carta mas a foto está faltando — infelizmente, já que nenhuma outra imagem de Sara foi até agora encontrada.[18] Max não correu riscos: no caminho para um encontro amoroso com Mirra na Suíça, ele decidiu renunciar a um encontro contemplado com as irmãs Neiditsch, que estavam lá — e a contou assim: “eu não deveria ir à Olga? Eu também acho que não vou. Eu realmente quero [somente saber] o que está acontecendo com ela, e especialmente com Sara”.[19]

O que estava acontecendo com Sara? Depois de conseguir seu diploma, convencionalmente se assume que ela praticou psicanálise “temporariamente” junto com Rosenthal, em São Petersburgo, antes de 1914.[20] Porém seu elogio de Rosenthal cita uma afirmação que Tatiana fez pra ela durante seus estudos conjuntos em Zurique, em 1906. Apesar do artigo atribuir muito do desenvolvimento da psicanálise em São Petersburgo à atividade de Rosenthal após seu retorno para lá em 1911, ela aponta que “infelizmente, atualmente não há documentos para mostrar o quão longe ela foi em seu trabalho” —, refletindo uma subsequente falta de comunicação entre elas.

De fato, “Sarah Naiditch” — se identificava indubitavelmente como “de Pinsk, Russia” — está registrada como uma estudante de medicina (presumivelmente de pós-doutorado) na Universidade de Genebra, a partir de 1909 e até, ao menos, o inverno de 1912-3.[21] Em novembro de 1913, ela estava novamente em Berlim — como Max Eitingon escreveu a Mirra: “noite passada os Neiditsches de Moscou estiveram aqui, com Sara. Eles estão indo para [o ressorte alpino] de Merano de manhã logo cedo, por causa do menino doente de Aron. [Eu] os vi no Hotel Adlon” (o melhor da cidade). Mirra estava então na Rússia para visitar sua família após se casar com Max em abril, logo, evidentemente por receio de que a censura czarista interceptasse a carta, ele evitou entrar em detalhes ao adicionar: “eles estão muito preocupados com a coisa de Aron, mas não acreditam que nada vá acontecer”.[22] O irmão de Sara, Aron Neiditsch (nascido em 1882), também figurou no círculo de estudantes russos dos Eitingons. A natureza de suas questões que concerniam Isak e Sara ainda permanece obscura, mas logo ele entraria em apuros.

Sara continuou trabalhando, durante o ano de 1914, na clínica oftalmológica da Universidade de Genebra, e produziu um trabalho de pesquisa no campo oncológico, assim como sua tese doutoral, o qual foi publicado lá em 1916.[23] Tenha ou não ela ficado presa na Suíça neutra durante a eclosão da Primeira Guerra Mundial, se Sara retornou à Rússia brevemente antes ou depois da revolução — mais plausivelmente para comparecer a compromissos familiares do que para clinicar —, ela não ficou muito por lá. Diferentemente de Rosenthal (de quem ela se lembrou como uma comunista de vida toda, que sonhava em misturar Freud com Marx), Sara — fossem quais fossem suas próprias simpatias políticas — tinha boas razões para evitar o regime Bolchevique.

O chefe de sua família, o irmão mais velho Isak, era não somente um capitalista de sucesso e um líder sionista; durante a guerra, ele até serviu como representante do governo czarista para o comércio de álcool com o oeste europeu. Ele fugiu de Moscou no verão de 1918 para o sul considerado “branco”, foi evacuado de Odessa para Constantinopla em abril de 1919, e de lá prosseguiu — através da Itália — para a França.[24] Olga escapou com seu marido, um engenheiro de minas “muito conservador”, de Lugansk, na Ucrânia oriental; como ela contou, ele sequestrou a locomotiva com uma arma e a dirigiu através das linhas da guerra civil.[25] Eles se estabeleceram em Berlim até 1930. O irmão mais novo de Sara, Aron, foi preso pela Cheka (polícia secreta) em 1919.[26] Ele evidentemente foi liberado, já que Max se encontrou com ele em Paris, em 1934.[27] Mas, com tal histórico, retornar à Rússia soviética, ou ficar lá, teria sido extremamente arriscado, se não suicidário, para Sara.

O sócio próximo de Isak, o proeminente advogado judeu Israel-Oskar Gruzenberg, o havia precedido na mesma migração de Odessa a Paris via Constantinopla, em meados de março de 1919. Ele recordou numa carta subsequente a Isak, de que ele estava acompanhado, na viagem pelo Mar Negro, por sua não nomeada “amável irmã”.[28] Pode bem ter sido Sara (se, de fato, ela tenha retornado para a Rússia afinal), mas possivelmente outra das irmãs Neiditsch: Ida, que também se estabeleceu na França. Tenha ou não sido Sara nessa rota, em dezembro de 1920, o Comitê Secreto de Freud foi informado, por seus membros de Berlim, Karl Abraham e Hanns Sachs, de que “Srta. Neiditsch, da Rússia, acabou de chegar”.[29]

Em seu relato sobre a Policlínica de Berlim de 1920-2, Eitingon constatou que além do estabelecimento de sete clínicos, “esse ano, nossa colega russa Senhorita Dra. Naiditsch [sic] também veio”, sem nenhuma indicação — até junho de 1922 — de que seu trabalho era temporário.[30] Foi somente nesse momento, na recentemente dotada instituição de Eitingon, que a Dra. Neiditsch recebeu sua formação psicanalítica formal. Outra analista em formação mais avançada, de origem russo-judaica, era Fanny Lowtzky, nascida Schwartzmann, mais ou menos contemporânea de Sara (nascida em 1873), quem já tinha começado sua formação psicanalítica e análise em Genebra, com Sabina Spielrein.[31] Ela introduziu ambos, Eitingon e Neiditsch, a seu irmão, o filósofo Lev Shestov, então baseado em Paris, que se tornou um amigo próximo e convidado frequente dos Eitingons em Berlim, e beneficiário perene de sua generosidade.

Se, no entanto, a descrição de Sara em 1921 como “zur Zeit Berlin” significava um retorno iminente à Rússia soviética, como é convencionalmente tido, não foi por muito tempo. Isak Neiditsch logo se reestabeleceu na França como um industrial do álcool e do açúcar, assim como um ativista sionista proeminente, financiador e mecenas da cultura hebraica. A estabilização do marco alemão após a hiperinflação do começo dos anos 1920 também deixou a Alemanha menos acessível a esses que dependiam de remessas de moedas estrangeiras, como muitos russos expatriados, então o centro deles se mudou para a França. Isak reuniu diversos membros da família ao redor dele em Paris, incluindo Sara. Em 16 de janeiro de 1924, Shestov escreveu a Eitingon: “ontem, S.A. Neiditsch nos visitou. Eu a convidei para escutar Remizov — acho que ela o aprecia bastante”.[32] Em maio-junho de 1925, “Dr. (Mlle) S. Naiditch”, sem nenhuma afiliação institucional, foi listada entre os “membres aduérents” dos “médicins aliénistes et neurologistes de France et des pays de langue française”, na organização do 29º Congresso em Paris. Seu endereço é dado como 11, rue Théodule-Ribot, um imponente edifício belle-époque perto do Arco do Triunfo no refinado 17º Arrondissement.[33]

Dali em diante, através da década de 1930, múltiplas referências na correspondência dos Eitingons localizam Sara entre os “Neiditsches” baseados em Paris. A maior parte das referências são no contexto dos cuidados da irmã mais nova de Mirra, Leah-Elizaveta (“Lelja”) Raigorodsky, cujo bem-estar se tornou uma preocupação central para os Eitingons pelo resto de suas vidas.

O marido de Lelja, Leonid Nikolayevich Raigorodsky, havia sido um homem de negócios de reputação suficiente na cidade natal deles, Ekaterinodar, na região Kuban do sul da Rússia, para servir como prefeito em exercício durante a última ocupação da cidade pelas forças “brancas” na guerra civil que seguiu a revolução. Os horrores sangrentos que eles experienciaram conforme a cidade mudou de mãos diversas vezes tornou a linda e anteriormente vivaz Lelja permanentemente afetada, física e mentalmente, após eles também fugirem por Constantinopla. Em julho de 1920, Max escreveu para Freud: “uma irmã de minha esposa, vindo de seu país nativo que ainda está sendo assombrado pelos bolcheviques, chegou com notícias tristes e pouco encorajadoras”.[34] Em janeiro de 1921, no máximo, os Raigorodskys estavam estabelecidos em Paris. Como Sara, Mirra também tinha agora uma irmã mais nova, atraente porém instável, como uma demanda constante de sua atenção, recursos — e do conhecimento profissional e conexões de seu marido, assim como de suporte material. Se Mirra guardara qualquer rancor contra as irmãs Neiditsch, logo foi deixado de lado.

Olga Neiditsch, agora conhecida por seu nome de casada Ajzenberg/Eisenberg, estabeleceu-se com seu marido em Berlim, onde sua segunda filha, Fay, nasceu em 1926. Mas o casamento estava em crescente tormentoso, e Olga frequentemente se hospedava em Paris com Sara. Em 1930, ambos os Azenbergs se mudaram para Paris, onde Isak empregou o marido de Olga como diretor de uma fábrica de açúcar. Em Paris, em setembro de 1934, em seu retorno do Congresso da Associação Internacional de Psicanálise em Lucerna para seu novo lar em Jerusalém, Eitingon parou em Paris e consultou uma alta autoridade sobre prospectos de seu novo país. Ele escreveu a Mirra que teve “uma longa, muito boa e interessante conversa com Isak Adolfowitsch sobre a Palestina. Ele é uma mente encantadora”.[35] Alguns dias depois, ele se juntou a um encontro de família com “os Neiditsches, Isak Adolfowitsch e Sara, Aron, os Einsenbergs”.[36]

Mas Olga e seu marido ainda tinham períodos recorrentes de separação, conforme ela se tornava cada vez mais neurótica, uma gastadora compulsiva que, sob dificuldades financeiras, recorreu à generosidade de Isak entre ataques de gritos e ameaças de suicídio. Desde seus 9 anos (isso é, mais ou menos 1935), a filha deles, Fay, encontrou estabilidade e apoio com sua tia, que se tornou sua mentora. As memórias de Fay apresentam esse retrato brilhante e singular:

Minha liberdade de estar sozinha era quase total, graças à irmã de minha mãe, Sara. Sara era uma psicanalista freudiana que tinha uma pequena clínica. Ela […] havia cuidado de minha mãe quando ela ficou órfã. […] Ela não se casou. […] Sara era muito independente e entendia minha necessidade de liberdade. Ela persuadiu minha mãe a me deixar viajar sozinha por Paris para visitá-la a qualquer momento.[37] Eu a via toda semana. Ela me ensinou a analisar meus sentimentos honestamente, e a explicar minhas vontades e necessidades convincentemente a meus pais. Nós amávamos e respeitávamos uma à outra. E eu aprendi a usar a liberdade que ganhei através de Sara.[38]

Fay então creditou sua tia pela força de caráter que a permitiu ultrapassar a barreira de gênero e outros obstáculos, a se sobressair e seguir uma carreira distinguida como uma das poucas físicas nucleares nos Estados Unidos. Isso coincidentemente se espelhou com o trajeto do filho de Mirra, de seu casamento anterior, Yuli Khariton, na URSS — onde ele se tornou “pai da bomba atômica soviética”. Em ambos os casos, fontes facilmente acessíveis associadas a campos como a física parecem ter sido negligenciadas por pesquisadores de psicanálise, devido a um estreito foco disciplinar.

Muito do contato dos Eitingons com Sara sobre Leila foi conduzido através de Fanny Lowtzky, que também tinha se mudado para Paris. Mas um bilhete rabiscado, assinado somente “Sara”, num papel de carta de hotel de um resort alpino em agosto de 1938 — a única amostra de sua escrita à mão que foi preservada — mostra que a relação deles não era limitadas a consultas profissionais; continuou, isso sim, uma estreita amizade. O bilhete parece indicar que Max faltou a um encontro planejado com Sara depois que ficou doente em Paris, após o Congresso da IPA que aconteceu lá entre 1 e 5 de agosto.[39] “Desde a noite passada, querido Max”, Sara escreveu, “estou esperando desculpas suas, mas elas não estão vindo. Estou preocupada, … só quero saber de você, onde você está e o que está fazendo. Se eu soubesse que você estava em ex-les-bains [sic], saudável e descansando, eu estaria até mesmo feliz. Me acalme e escreva algumas palavras, Sara”.[40]

Doze dias depois, Fanny Lowtzky contou a Max, que já havia voltado a Jerusalém, que Lelja “se sente bem e está aguentando. Sarah Adolfovna afirma que isso é devido ao efeito da psicanálise, e que ela [Lelja] nunca teria aguentado tão bem” sem isso.[41] Réné Laforgue escreveu a Eitingon em março de 1939 sobre a opinião que ele tinha formado sobre o caso de Lelja, “seguindo os testemunhos da Mme Neiditsch e outros, é impossível para sua cunhada se reestabelecer no ambiente criado para ela por seu marido, que — ao que parece — a submete a cenas de violência inacreditável… Estando incapacitada de tomar uma decisão, ela adoeceu novamente”. Laforgue então lavou suas mãos em relação a qualquer novo envolvimento “a não ser que você decida trazê-la para perto de você”.[42] Nesse momento, Sara tinha se tornado o principal, senão único, canal de contato de Eitingon com Lelja. Sobre ela, Fanny Lowtzky escreveu, “Eu só sei por Sara Adolfovna, com quem converso sobre ela todo dia”. L.N. [Leonid Nikolayevich] não quer se encontrar comigo, mas consulta S.A. sobre tudo”.[43] Max fez um grande esforço, por anos, para cuidar de Lelja, mas ele colocou um limite frente à sugestão de que ele cuidasse dela na Palestina. No final dos anos 1930, ele era contra a permanência longa de Mirra na França para estar lá para Lelja, o que ela aparentemente justificou ao apontar a dedicação de Sara com sua irmã — ou melhor, irmãs.

As memórias de Fay Ajzenberg revelam essa faceta da vida de Sara, não registrada de nenhuma outra maneira: “Além de seu trabalho, ela cuidava de outra irmã, Fania. Fania era uma mulher pequena, com a cabeça um pouco fraca. Mesmo esse cuidado não acontecia num modo tradicional — Fania vivia num pequeno apartamento próprio”.[44] Isso parece clarear um comentário críptico de Max Eitingon numa carta a Mirra, em 1937: “É claro que Sara Adolfowna não é um exemplo para você, de nenhuma maneira… ela é uma pessoa diferente, com uma vida diferente”.[45]

Já que Max claramente tinha a maior consideração por Sara, em relação ao quê ele aconselhava sua mulher a não a emular? Ele estava fazendo um esforço enorme para alistar novos amigos, além de Fanny Lowtzky, para partilharem o fardo de cuidar de Lelja, para contratar ajuda, ou para colocar Lelja num sanatório — coisas que ele dificilmente conseguiria pagar — ,para que então Mirra pudesse aceitar seus pedidos de confiar sua irmã a outros e voltar para casa. Como, então, ele considerou a situação de Sara diferente da de Mirra? Era porque Sara era profissionalmente qualificada? Porque sua casa era perto da de Fania? Ou porque Sara não era casada?

A passagem das memórias de Fay indica que Sara não somente cuidava informalmente de sua família e amigos, mas também tinha “uma pequena clínica”. Os comentários de Lowtzky e Laforgue indicam que ela permaneceu uma firme proponente de terapia psicanalítica. Surge a questão, então, por que nenhuma menção dessa clínica não foi encontrada até agora — não somente na literatura freudiana, mas também nos diretórios gerais de Paris ou na imprensa popular francesa da época. Esse é outro fator que presumivelmente contribui para as assunções errôneas de que ela estava na União Soviética. Sara pode ter se concentrado ostensivamente em trabalhos clínicos ao invés de pesquisas teóricas e escrita, mas isso não explica sua ausência de associações profissionais. Seu registro, em 1925, nos “médecins aliénistes et neurologistes” não se repetiu, e ela nunca foi listada entre os membros da Société Psychoanalytique de Paris, que Marie Bonaparte e Laforgue (que claramente apreciava a opinião profissional de Sara) fundaram no ano anterior (com o apoio de Eitingon).[46] Os dois grupos desenvolveram uma rivalidade, mas em 1925, Laforgue e outros membros fundadores da SPP ainda era membros da venerável associação também.[47] Eitingon se absteve de mencionar Sara em dúzias de cartas à princesa Marie, quem ele cultivava por outros motivos. Além disso, apesar de seu contato frequente e íntimo com Sara, ele nunca a mencionou em sua correspondência volumosa com Freud.[48] Mais pesquisa é necessária para determinar se foi por causa de questões pessoais ou doutrinárias entre a ferozmente independente Sara e o establishment psicanalítico que Eitingon se sentiu obrigado a segregar as duas relações. 

Ele também não incluiu Sara entre os numerosos colegas judeus para quem ele se empenhou em encontrar refúgio dos nazistas. Depois da invasão alemã da França em 1940, Isak e a maior parte do clã Neiditsch conseguiu sair e chegar, ao final, aos Estados Unidos. Sara estava entre os que permaneceram em Paris — talvez por causa da doença de Fania. A sobrinha deles, Fay, as visitou depois de descobrir que “Sara e Fania tinham sobrevivido em Paris, nunca saindo de seu esconderijo por quatro anos. … Elas estavam frágeis e tristes”.[49] Aparentemente, Fania morreu logo após, e isso deve ter sido atribuído à sua provação do período de guerra, já que seu nome está inscrito no muro do memorial do Holocausto em Paris, junto com sua irmã Ida e seu irmão Max.[50] Sara viveu por mais 20 anos num endereço mais modesto, 4-bis rue de la Grande Chaumière, no 6º Arrondissement. Já com 70 anos quando a guerra terminou, não é claro se ela continuou a clinicar.

Actes de décès na cidade de Paris usualmente incluem os diplomas e outras distinções do falecido, conforme fornecido por seus parentes próximos. Mas quando o sobrinho de Sara, o artista Wolf-Vladimir Naiditch (filho de Isak, entre os membros da família que retornaram dos Estados Unidos) relatou, em 16 de setembro de 1966, que ela morreu em casa, sua entrada foi como “sans profession”, sem nenhuma menção a seu doutorado médico. Isso pode ter sido, parcialmente, por desatenção do oficial de registro, que também confundiu o local de nascimento de Sara por Minsk ao invés Pinsk, e então a data de nascimento colocada, 1883, é presumivelmente menos confiável do que aquela que ela deu em sua matrícula na Universidade de Zurique, 60 anos antes. No momento de seu enterro, o doutorado de Sara foi lembrado. Mas quando que Vladimir assinou a inexata acte de décès, parece que a história da sua vida já havia sido borrada mesmo na memória de sua própria família, à qual ela tinha sido tão devota — assim como foi nos anais da psicanálise.

REFERÊNCIAS

ARON ADOLFOVICH NEIDICH,” memorial site in Russian, <https://bessmertnybarak.ru/books/person/1795665/>.

BAKMAN, N. (2020) Fanny Lowtzky (1873 Kiew – 1965 Zürich). Pionierin der psychoanalytischen Pädagogik in Palästina und Israel. Luzifer-Amor 33:65 (2020), pp.113-129.

CIMETIERE DE BAGNEUX, Archives de Paris, BAG_RA19661966_01

CHANIN, Clifford  (1977) Interview with Vladimir M. Eitingon. New York: American Jewish Committee Oral History Library.

CONGRES DES MEDECINS ALIENISTES ET NEUROLOGISTES DE FRANCE ET DES PAYS DE LANGUE FRANÇAISE (1925) XXIXe session, Paris, 28 mai-1er juin 1925: Comptes rendus. Paris: G. Masson.

EITINGON, Max (1912) letter from Berlin to Mirra Birens, Badenweiler, 21 May 1912, ISA 3234/4.

_____. (1912) letter from Berlin to Mirra Birens, Badenweiler, 12 June 1912, ISA 3234/6.

_____. (1912) letter from Berlin to Mirra Birens, Badenweiler, 27 June 1912, ISA 3234/8.

_____. (1912) letter from Berlin to Mirra Birens, Badenweiler, 5 July 1912, ISA 3234/2.

_____. (1913) letter from Berlin to Mirra Eitingon, Ekaterinodar, 5 November 1913, ISA 3234/4.

_____. (1922) Bericht über die Berliner Psychoanalytische Poliklinik: März 1920 bis Juni 1922. Internationale Zeitschrift für Psychoanalyse 8:4, pp. 506-520.

_____. (1934) letter from Paris to Mirra Eitingon, Jerusalem, 9 September 1934, ISA 3234/3.

_____. (1934) letter from Paris to Mirra Eitingon, Jerusalem, 12 September 1934, ISA 3234/3

_____. (1934) letter from Paris to Mirra Eitingon, Jerusalem, 14 September 1934, ISA 3234/3.

_____. (1937) letter from Jerusalem to Mirra Eitingon, Nice(?), 19 January 1937, ISA 3234/5

_____. (1938) letter to Marie Bonaparte, 24 August 1938, Library of Congress MB 2-17.

GINOR, Isabella; REMEZ, Gideon. (2012) Her Son, the Atomic Scientist: Mirra Birens, Yuli Khariton and Max Eitingon’s Services for the Soviets, Journal of Modern Jewish Studies, 11:1, pp. 39-59

_____. (2015) ‘Meine Mirra, meine Welt’: Mirra Birens-Eitingon als Schlüssel zur Persönlichkeit ihres Mannes Max Eitingon,” Luzifer-Amor, 28:55, pp. 7‒38.

GONTMAKHER, M.A. Evrei na Donsoj Zemle. <http://www.e-reading.link/bookreader.php/136075/Gontmaher_-_Evrei_na_Donskoii_zemle.pdf>, p. 159.

GRUZENBERG, Oskar (1920) to Isak Neiditsch, 15 January 1920, Neiditsch papers, Geneva Jewish Community archive.

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KHAZAN, Vladimir (2014) Istselenie dlya neistselimykh [curing the incurable]. Moscow: Wodolej, pp. 101-203

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_____. (1938) letter to Max Eitingon, 18 August 1938, on notepaper of Hotel Beausejour, Pralognan-Vanoise, Savoie, in Russian, ISA 2974/12.

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_____. (1938) v. 10, pp. 149-50.

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[1] Um resumo longo desse artigo, omitindo todas as referências, foi traduzido para o alemão e impresso no volume 66 da LUZIFER-AMOR. — Documentos do Arquivo do Estado de Israel (ISA) são identificados por caixa/arquivo. Todos estão na divisão P. Os autores agradecem a Helena Vilensky por sua ajuda no arquivo.

[2] GINOR, Isabella; REMEZ, Gideon. (2012) Her Son, the Atomic Scientist: Mirra Birens, Yuli Khariton and Max Eitingon’s Services for the Soviets, Journal of Modern Jewish Studies, 11:1, pp. 39-59; GINOR, Isabella; REMEZ, Gideon (2015) ‘Meine Mirra, meine Welt’: Mirra Birens-Eitingon als Schlüssel zur Persönlichkeit ihres Mannes Max Eitingon,” Luzifer-Amor, 28:55, pp. 7‒38.

[3] P.e. LELLI, Ilaria; ZALAMBANI, Maria  (2016) Fedor Dostoevsky in Tat’jana Rozental’s Interpretation. Na Anticipation of Freud/ Fedor Dostoevskij interpretato da Tat’jana Rozental. Un’anticipazione di  Freud.” Studi Slavistici, v. 13, p. 115‒142.

[4] As citações acima são de “Sara Neiditsch (1875-19?)”, in: <http://www.psychoanalytikerinnen.de/russland_biografien.html#Neiditsch>.

[5] Registro de enterros do CIMITIÈRE DE BAGNEUX, Archives de Paris, BAG_RA19661966_01.

[6] <https://arc.familyspace.ru/archive/Moskva_1917_1/p562>.

[7] Denominação de pequenas cidades judias do leste europeu (nota do tradutor)

[8] CHANIN, Clifford  (1977) Interview with Vladimir M. Eitingon. New York: American Jewish Committee, Oral History Library. Os autores agradecem a Charlotte Bonelli, bibliotecária da AJC.

[9] PERELMAN, Aron (2009) Vospominanija. St. Petersburg: Evreisky Dom, ch. 6.

[10] JUNG (1909) letter from Küsnacht to Eitingon, Sils Maria, Engadin, 10 June 1909, ISA 2970/6.

[11] EITINGON, Max (1912) letter from Berlin to Mirra Birens, Badenweiler, 21 May 1912, ISA 3234/4.

[12] WIESER, Annatina (2001) Zur frühen Psychoanalyse in Zürich 1900–1914. Inaugural–Dissertation, Zürich (online: luzifer-amor.de ‒ downloads), p. 164.

[13] JUNG, (1910) letter from Küsnacht to Eitingon, Berlin, 18 April 1910, ISA 2970/6.

[14] NEIDITSCH, Sara (1910) Zur Frage der Kontagiosität des Krebses, Tag der Promotion: 15 März 1910, Berlin: Druck von Emil Ebering.

[15] AJZENBERG-SELOVE, Fay (1994) A Matter of Choice: Memoirs of a Female Physicist. New Brunswick, NJ: Rutgers University Press, p. 9; SHALVI, Alice “Fay Ajzenberg-Selove, 1926-2012,” Encyclopedia of Jewish Women.

[16] “In Memory of Yvette Ajzenberg Louria,” <http://www.dignitymemorial.com/obituaries/new-york-ny/yvette-louria-4586761/add-memory>.

[17] EITINGON, Max (1912) letter from Berlin to Mirra Birens, Badenweiler, 12 June 1912, ISA 3234/6.

[18] EITINGON, Max (1912) letter from Berlin to Mirra Birens, Badenweiler, 27 June 1912, ISA 3234/8.

[19] EITINGON, Max (1912) letter from Berlin to Mirra Birens, Badenweiler, 5 July 1912, ISA 3234/2.

[20] KLOOCKE, Ruth; WULFF, Mosche (2002) zur Geschichte der Psychoanalyse in Rußland und Israel. Tubingen: ed. diskord, p. 59.

[21] UNIVERSITE DE GENEVE, Liste des autorités, professeurs, étudiants et auditeurs. Semestre d’été

1910, p. 57; semestre d’hiver 1912-13, p. 63.

[22] EITINGON, Max (1913) letter from Berlin to Mirra Eitingon, Ekaterinodar, 5 November 1913, ISA 3234/4.

[23] NAÏDITCH, Sarah  (1916) Un cas de Sarcome mélanique de Chloroïde, in : Revue médicale de la Suisse romande, v.36, pp. 270.

[24] “ISAAK ASHER NEIDITSCH”, <http://www.jewage.org/wiki/ru/Profile:P1792752007>; KHAZAN, Vladimir (2014) Istselenie dlya neistselimykh [curing the incurable]. Moscow: Wodolej, pp. 101-203.

[25] AJZENBERG-SELOVE, Matter of Choices, p. 10.

[26]“ARON ADOLFOVICH NEIDICH,” memorial site in Russian, <https://bessmertnybarak.ru/books/person/1795665/>.

[27] “Ich gehe heute Abend zu Aron Naiditsch.” [Eu estou indo para a casa de Aron Naiditsch esta noite]  EITINGON, Max (1934) letter from Paris to Mirra Eitingon, Jerusalem, 14 September 1934, ISA 3234/3.

[28] GRUZENBERG, Oskar (1920) to Isak Neiditsch, 15 January 1920, Neiditsch papers, Geneva Jewish Community archive. Os autores agradecem a Francine Bengui e Yves Chicheportiche. “Gruzenberg on way to Paris” from Odessa, Jiddisches Tageblatt, New York, 19 March 1919, p. 1.

[29] KLOOCKE; Wulff, p. 194, citing “Die Rundbriefe des ‘Geheimen Komitees.’”

[30] EITINGON, Max (1922) Bericht über die Berliner Psychoanalytische Poliklinik: März 1920 bis Juni 1922. Internationale Zeitschrift für Psychoanalyse 8:4, pp. 506-520.

[31] PSYCHOANALYTIKERINNEN: BIOGRAFISCHES LEXIKON. “Fanny Lowtzky,” in Psychoanalytikerinnen in Israel,” <http://www.psychoanalytikerinnen.de/israel_biografien.html>. [Adição do editor da publicação original, Michael  Schröter: ver BAKMAN, N. (2020) Fanny Lowtzky (1873 Kiew – 1965 Zürich). Pionierin der psychoanalytischen Pädagogik in Palästina und Israel. Luzifer-Amor 33:65 (2020), pp. 113-129.]

[32] SHESTOV (1924) to Max Eitingon, 16 January 1924, in Russian. Khazan, Istselenie dlya neistselimykh, p. 53. Aleksey Remizov (1877-1957), um folclorista e satirista russo que passou por Berlim antes de se estabelecer em Paris em 1924, também foi um beneficiário dos Eitingons.

[33] CONGRES DES MEDECINS ALIENISTES ET NEUROLOGISTES DE FRANCE ET DES PAYS DE LANGUE FRANÇAISE (1925) XXIXe session, Paris, 28 mai-1er juin 1925: Comptes rendus. Paris: G. Masson, p. 23.

[34] SCHRÖTER, Michael (org.) (2004), Sigmund Freud, Max Eitingon: Briefwechsel 1906-1939, Tübingen: ed. diskord, v. 1, p. 210.

[35] EITINGON, Max (1934) letter from Paris to Mirra Eitingon, Jerusalem, 9 September 1934, ISA 3234/3.

[36] EITINGON, Max (1934) letter from Paris to Mirra Eitingon, Jerusalem, 12 September 1934, ISA 3234/3

[37] Seus endereços eram, mais ou menos, 4 quilómetros distantes.

[38] AJZENBERG-SELOVE, Matter of Choices, pp. 16-17.

[39] “Foi um pequeno ataque de angina pectoris que eu tive na noite após o congresso.” EITINGON, Max (1938) letter to Marie Bonaparte, 24 August 1938, Library of Congress MB 2-17.

[40] NEIDITSCH, Sara (1938) letter to Max Eitingon, 18 August 1938, on notepaper of Hotel Beausejour, Pralognan-Vanoise, Savoie, in Russian, ISA 2974/12. Ela escreveu errado, em francês, o resort próximo em Aix-les-Bains.

[41] LOWTZKY, Fanny (1938) letter from Paris to Max Eitingon, Jerusalem, in Russian, 30 October 1938, ISA 2972/12.

[42] LAFORGUE, Réné (1939) letter from Paris to Max Eitingon, Jerusalem, in French, 3 March 1939, ISA 3239/3. Eitingon consultava Laforgue sobre Lelja desde seu primeiro encontro com ela em 1933: LAFORGUE (1933), letter from Paris to Max Eitingon, Berlin, 8 July 1933, ISA 3239/3.

[43] LOWTZKY, Fanny (1939) letter from Paris to Max Eitingon, Jerusalem, in Russian, 13 April 1939, ISA 2934/12. A preferência de Leonid por Sara pode ser em parte explicada por uma conexão familiar remota: seu irmão, Yakov, estava entre os ativistas judeus na metrópole regional Rostow-am-Don que esteve na lista da polícia czarista durante a revolução abortiva de 1905 entre homens de negócios suspeitos de simpatias revolucionárias — junto com Naftal Spielrein, o pai da colega de Sara e analista Sabina. GONTMAKHER, M.A. Evrei na Donsoj Zemle, p. 159.

[44] AJZENBERG-SELOVE, Matter of Choices, p. 16.

[45] EITINGON, Max (1937) letter from Jerusalem to Mirra Eitingon, Nice(?), 19 January 1937, ISA 3234/5. Ellipsis

in original.

[46] REVUE FRANÇAISE DE PSYCHANALYSE, v.7 (1934), pp. 166-7; v. 10 (1938), pp. 149-50; v. 11 (1939), pp. 161-2.

[47] HESNARD, Angelo (1935) “Ce que la Clinique française a retenu de la Psychanalyse,”. La Clinique no. 240 (February 1935). Hesnard, um antigo Defensor do freudismo na associação, tinha tentado ultrapassar a “hostilidade que a psicanálise encontrou lá. No 30º congresso em 1926, ele apresentou um trabalho junto com Laforgue. Seus esforços falharam, e ele também se juntou à dissidente “Société psychoanalytique de Paris” quando foi fundada por Bonaparte e Laforgue.

[48] Exceto por uma única troca em 1926 sobre o trabalho de Rosenthal sobre Dostoievsky, o qual rapidamente menciona o obituário de Sara como uma fonte. SCHRÖTER, Briefwechsel, v.1, pp. 485n, 489. O uso, lá, de “Naiditsch” por Eitingon ilustra a variedade de ortografia mesmo pelo mesmo escritor.

[49] AJZENBERG-SELOVE, Matter of Choices, pp. 56- 57.

[50] Foto em <http://www.findagrave.com/memorial/32084301/fanny-naiditsch/photo#view-photo=15646580>.



Isabella Ginor & Gideon Remez são membros-associados do Instituto Truman, Universidade Hebraica de Jerusalém.

Paulo Beer é psicanalista e doutor em Psicologia Social pelo IPUSP. Coordenador do Centro de Estudos e Trabalhos Terapêuticos (NETT), membro do Laboratório de Teoria Social, Filosofia e Psicanálise (LATESFIP-USP) e da International Society of Psychoanalysis and Philisophy (SIPP-ISPP). Editor de Lacuna: uma revista de psicanálise e autor de Psicanálise e ciência: um debate necessário (Ed. Blucher, 2017)




COMO CITAR ESTE ARTIGO | GIDEON, Isabella & REMEZ, Gideon (2020) Sara Neiditsch: nova luz em uma figura elusiva – e novas perguntas [Trad. P. Beer]. Lacuna: uma revista de psicanálise, São Paulo, n. -10, p. 7, 2020. Disponível em: <https://revistalacuna.com/2020/12/04/n-10-7/>