Barbara Low e o princípio de Nirvana

por Marcus Vinicius Neto Silva

O princípio de Nirvana surge na obra freudiana de um modo repentino, apresentado de uma forma pouco clara em “Além do Princípio de Prazer” (1920). No trecho em que esse termo faz sua aparição, Freud debatia o efeito rejuvenescedor da cópula sobre os protistas, que seria explicado por um acréscimo na quantidade de estímulos, que deveriam então “ser exauridas através dos processos vitais”. Ele prossegue afirmando que “um dos motivos mais fortes para acreditarmos na existência das pulsões de morte” seria a concepção de que a tendência dominante da vida psíquica (e da vida orgânica) é “tal como expressa o princípio de prazer, o anseio por reduzir, manter constante e suspender a tensão interna provocada por estímulos (o princípio de Nirvana, segundo uma expressão de Barbara Low)”[1].

Essa é a única ocorrência do termo nesse texto, e inicialmente parece ser uma noção equivalente ao princípio de prazer. Com essa breve referência, Freud chama atenção para uma autora amplamente desconhecida, que tinha uma produção discreta e apenas recentemente havia se voltado para os estudos em psicanálise.

Mesmo nos dias atuais, o nome de Barbara Low permanece ligado ao princípio de Nirvana e poucos sabem mais do que isso a seu respeito. Mas quem foi Barbara Low? Como Freud entra em contato com a obra dela? Sua formulação do princípio de Nirvana está de acordo com o uso que Freud faz dela?

Um esboço biográfico

Barbara Low foi a única mulher entre os membros fundadores da Associação de Psicanálise de Londres, em 1919. Suas obras versavam principalmente sobre a relação da psicanálise com a educação e suas conferências eram em geral dirigidas a professores.

Ao nascer, recebeu o nome de Alice Leonora Loewe[2], tendo vindo ao mundo em 1877, em Londres. Filha mais nova de uma família judaica com onze filhos, frequentou a escola para garotas Frances Mary Buss e em seguida cursou a University College em Londres. Era membro do Partido Trabalhista e de sociedades de intelectuais de esquerda, como a Sociedade Fabiana. Entre 1913 e 1915 palestrou no Colégio Normal para Professores do Município de Fulham sobre temas diversos, entre eles educação, literatura e história. Ela manteve contato com grandes expoentes da literatura britânica, como H. G. Wells, Bernard Shaw e D. H. Lawrence[3].

Seu primeiro contato com a psicanálise se deu através de seu cunhado Montague David Eder, que havia sido cofundador, em 1913, da Sociedade Psicanalítica de Londres. Foi analisada em Berlim por Hanns Sachs e posteriormente se submeteu a uma análise didática com Ernest Jones. Em 1920, publica seu livro mais conhecido, “Psycho-analysis — a brief account of the Freudian theory”[4].

Foi uma das pessoas que insistiu na criação de uma clínica psicanalítica para tratamento gratuito de pacientes que não podiam pagar, seguindo o modelo da Policlínica de Berlim, que havia conhecido em sua estadia naquela cidade. Isso resultou, em 1926, na inauguração da London Clinic for Psychoanalysis.

Nas controvérsias que ocorreram em Londres entre Melanie Klein e Anna Freud, tomou partido desta última, tendo inclusive traduzido uma de suas obras para o inglês. Sua defesa um tanto enfática das teorias de Anna Freud fez com que entrasse em conflito não apenas com Klein, mas também com Joan Riviere[5].

Além disso, trabalhou como bibliotecária da Sociedade Psicanalítica Britânica, foi co-diretora da Imago Publishing Company e palestrante (além de terapeuta) no Instituto para o Estudo e Tratamento da Delinquência. Morreu em 1955, aos setenta e oito anos de idade[6].

O contato de Freud com Low

Não sabemos como Freud ficou conhecendo o livro de Low. Em uma carta enviada por ele a Jones, em 24 de maio de 1920, afirma ter recebido o livro dela naquele mesmo dia. Sendo um dos primeiros livros em língua inglesa que apresenta a psicanálise a um público leigo, não seria absurdo supor que tanto ela quanto o próprio Jones pudessem ter remetido o volume a Freud. A cópia de Freud do livro de Low conta com uma dedicatória da autora, datada de maio de 1920. Sendo assim, sabemos que ela pretendeu de fato presentear Freud com seu livro, só não temos evidência de quem o enviou a Freud[7]. Jones não faz qualquer menção a isso, nem nas cartas imediatamente anteriores[8], nem nas posteriores, o que poderia nos indicar que não teve qualquer participação nisso[9].

Contudo, Jones visitou Viena no mês anterior, de modo que poderia ter tratado desse assunto pessoalmente com Freud e se comprometido a enviar um exemplar quando retornasse a Londres.

Poderíamos também levantar a possibilidade de Low ter entrado em contato com Freud diretamente. Em 1920, ela trabalhou na tradução de “A Psicogênese de um Caso de Homossexualismo numa Mulher” para o inglês. Entretanto, essa expectativa fica logo frustrada ao descobrirmos que não há qualquer registro de correspondência entre os dois nesse período. Ficaríamos novamente lançados no campo da especulação, não fosse o fato de Kurt Eissler ter entrevistado Barbara Low em 1954, e através dessa entrevista podemos colher algumas pistas para nossa indagação.

Low parece ter conhecido Freud no congresso em Berlim, em 1922. Há algum grau de incerteza com relação a essa afirmação. Em carta a Eissler, em 28 de junho de 1954, indica que o conheceu em Berlim, apesar de não recordar a data[10]. As anotações de Eissler (aparentemente feitas ao entrevistá-la) apontam que ela não sabia dizer se o conhecera em Berlim ou Haia e em seguida em Innsbruck, tendo mantido contato direto com ele nessas ocasiões[11].

Apesar de não recordar totalmente o local ou data, Low fornece um relato de como esse encontro se desenvolveu. Estava sentada à direita de Freud durante um almoço em homenagem a ele. Ela recorda que discutiram literatura inglesa, e que Freud ficou impressionado ao saber que ela mantinha relações de amizade com H. G. Wells e Shaw. Ela chegou a discordar dele, que teria afirmado que Arnold Bennett era um melhor escritor que Wells, ponto que ela contestou. Ela se recordava ainda de ter elogiado o sucesso de Freud nos Estados Unidos, ao que ele teria respondido: “Meu sucesso, como você chama, terá vida curta: os americanos me tratam como uma criança trata sua boneca mais nova — é a nova favorita, mas logo é substituída em favor da próxima nova boneca (ou outro brinquedo) e é atirada de lado”[12]. As anotações de Eissler registram que ele teria completado essa afirmação com outra: “Os ingleses vão pegar apenas uma parte de mim e deixar de fora os pedaços que não aprovam, mas se manterão fiéis ao que eles aceitarem”[13].

Sendo assim, se nos basearmos no relato de Low, não foi através de contato direto que Freud veio a saber de seu livro e, consequentemente, do princípio de Nirvana. Mesmo que ela tivesse encontrado com Freud pela primeira vez no Congresso de Haia, que ocorreu em 1920, o fato de ela não haver mencionado ter conversado com ele sobre seu livro parece depor contra essa possibilidade. Outra hipótese é que M. D. Eder[14] tenha sido a ponte entre os dois. Essa possibilidade também fica descartada por não haver qualquer registro de correspondência entre Eder e Freud, o que faria qualquer afirmação sobre isso carecer de sustentação.

Não é possível, portanto, com os materiais a que se tem acesso hoje, chegar a uma decisão sobre como o livro de Low chega a Freud. Não seria absurdo supor que Low tenha remetido o volume a ele, já que há uma dedicatória assinada por ela no livro. Mas se essa remessa foi acompanhada de uma carta, esta parece ter se perdido. A hipótese de que Jones o tenha enviado a Freud também não pode ser totalmente descartada. Em favor dela temos a carta de Freud o informando do recebimento do livro. Independente do caminho percorrido pelo exemplar até as mãos de Freud, podemos imaginar que seu interesse na obra se devesse mais ao fato de ser um dos primeiros livros em inglês que apresentava a psicanálise a um público mais amplo, e não à noção de princípio de Nirvana.

O princípio de Nirvana de Low

Quando publicou seu primeiro livro, “Psycho-Analysis — A brief account of the Freudian theory” em 1920, Barbara Low pretendia expor as noções básicas da psicanálise para um público leigo. O livro de Low é dirigido àqueles “que estão interessados no assunto, mas não encontraram ainda tempo ou oportunidade para estudar em primeira mão o trabalho de Freud e seus seguidores”[15].

O livro contém seis capítulos. A autora parte de temas mais básicos, como os apresentados nos dois primeiros capítulos, “O escopo e significado da psicanálise” e “A vida mental – inconsciente e consciente”, passando por questões de interesse teórico, em “Recalcamentos” e “O papel do sonho”, e termina com capítulos de cunho mais prático, “Tratamento pela psicanálise” e “Prováveis resultados sociais e educacionais”.

No terceiro capítulo, enquanto tenta apresentar a ideia do recalcamento, faz breves descrições do princípio de prazer e de realidade. Explicando o princípio de prazer, Low se vê diante da tarefa de demonstrar de que modo sensações de dor e desprazer obedeceriam a essa tendência. Após afirmar que dor e desprazer podem ser utilizados para intensificar as sensações de prazer e que de fato isso é feito desde a infância, propõe:

É possível que mais profundamente que o princípio de prazer jaz o princípio de Nirvana, como se poderia chamá-lo – o desejo da criatura recém-nascida de retornar ao estágio de onipotência, no qual não há desejos não satisfeitos, no qual ele existia dentro do útero da mãe[16].

Ela não explora essa ideia, nem a discute em detalhes, e logo retoma sua exposição da teoria freudiana, deixando em suspenso todo o debate sobre o significado desse novo princípio. Algumas poucas linhas abaixo, indica que esse desejo de retorno ao útero age como uma tendência regressiva nos seres humanos. Assim, não fica claro como ela chega a essa ideia ou onde essa noção se encaixaria em suas formulações.

Para tentar trazer alguma luz para as proposições um tanto obscuras de Low, podemos tomar sua definição e investigar cada parte. Em primeiro lugar, o nome princípio de Nirvana, que parece bastante inusitado nesse contexto. Com relação a isso, algumas possibilidades podem ser levantadas.

Low tinha algum contato com a obra de Jung, e este pode ter sido um dos caminhos pelo qual a idéia do Nirvana chega até ela. Há, entretanto, uma outra via: a filosofia de Schopenhauer. Comecemos por Jung.

Investigar a influência da obra de Jung sobre Low é uma tarefa bastante complexa. Um livro de Jung, “Studies in Word Association” (1918), consta como referência ao final de “Psycho-Analysis” (1920), o que indica que ela estaria familiarizada com a produção inicial dele. Ao longo de seu livro, Low cita Jung apenas em duas ocasiões. A primeira para diferenciar a Psicologia Analítica da Psicanálise e a segunda ao reconhecer que foi ele quem primeiro utilizou o termo “complexo” (o que, de todo modo, é um equívoco, já que o próprio Jung atribui esse termo a Bleuler). Entretanto, ela pode ter tido um contato com os escritos de Jung através de seu cunhado M. D. Eder, ou mesmo por influência de sua irmã Edith, que havia sido analisada por Jung.

Por esse motivo, talvez não seja absurdo supor que Low tenha de fato lido Jung através de Eder. Seguindo essa trilha, podemos tomar como hipótese que ela tenha lido ao menos as obras de Jung que Eder veio a traduzir, no caso somente o já referido “Studies in Word Association”.

A leitura desse livro, entretanto, não nos aponta nenhum parentesco ou proximidade entre as ideias de Jung e Low. O livro de Jung trata dos experimentos com os testes de associação de palavras conduzidos quando ainda era médico no hospital Burghölzli, e não contém nada que possa ter conduzido Low a esse caminho[17]. O interesse dele só avança no sentido das religiões orientais (e do Nirvana) em um período posterior, de forma que não há uma influência direta sobre a autora britânica.

Se tentarmos agora localizar na filosofia de Schopenhauer algo que possa ter influenciado Low em suas afirmações sobre o princípio de Nirvana, encontraremos indícios em “O Mundo como Vontade e como Representação”. Na parte final dessa obra, Schopenhauer tenta refletir sobre os efeitos de seu pensamento na prática, caminhando para uma proposição (ou talvez uma problematização) ética.

Já que não é possível (e nem mesmo necessário, nesse caso) nos determos nas minúcias de seu raciocínio, vemos que ele indica haver uma semelhança entre o que chama de negação da vontade e o nirvana, “um estado no qual não existem quatro coisas, a saber, nascimento, velhice, doença e morte”[18].

Schopenhauer prossegue analisando as noções de bom, mau, justiça e vê como problema na relação entre os homens a afirmação da vontade, que causaria um bem transitório e relativo. Em oposição a isso afirma que o “bom absoluto” implicaria na “satisfação final da vontade além da qual nenhum novo querer apareceria”[19], coisa que só é possível ao negar a vontade. A total supressão da vontade seria o único caminho para livrar o homem do sofrimento que enfrenta quando está submetido a ela. Essa supressão parece ocorrer, de acordo com ele, na vida de santos e sábios budistas, por exemplo.

Interrompendo nossa leitura extremamente limitada de Schopenhauer[20], já podemos encontrar nos escritos dele uma possível fonte para o pensamento de Low. Se notarmos que na definição dela o estado intrauterino é visto também como uma espécie de negação da vontade (não há desejos não satisfeitos), não podemos deixar de indicar que ela pode também ser fonte de uma leitura de Schopenhauer já contaminada pela psicanálise. Isso porque, embora no pensamento de ambos o efeito final seja o mesmo (cessação do desejo), em Schopenhauer isso é alcançado através da renúncia, enquanto em Low parece se dar pelo fato de que no interior do útero materno os desejos são atendidos prontamente, não restando nenhum não realizado.

Uma outra influência também não explícita, mas que pode ser traçada a partir de algumas observações, é a obra de Ferenczi. Esse autor apresenta ideias muito semelhantes às de Low em seu artigo de 1913, “O Desenvolvimento do Sentido de Realidade e seus Estágios”. Low não faz referência direta a Ferenczi ao apresentar o princípio de Nirvana (embora chegue a citá-lo em outros pontos de seu livro), mas suas formulações são incrivelmente semelhantes. Ela enumera, porém, “Contributions to Psycho-Analysis” como uma das obras de referência em seu livro. Essa publicação, uma compilação de textos de Ferenczi traduzida por Jones para o inglês, contém o artigo “Stages in the Development of the Sense of Reality”.

Ferenczi toma como ponto de partida a explicação freudiana do princípio de prazer e do princípio de realidade para interrogar como o indivíduo passa de um ao outro. Ele analisa então a onipotência de pensamento e afirma (de modo semelhante a Low) que a onipotência existe de fato na vida dentro do útero.

Ao se interrogar o que constitui a onipotência, a define como “a impressão de ter tudo o que se quer e de não ter mais nada a desejar”[21]. Esse estado, conclui, é real para o feto. A megalomania infantil, os pensamentos do neurótico obsessivo, e outros fenômenos similares são uma espécie de exigência de retorno a um estado que existiu no passado, em que o indivíduo era todo-poderoso.

O texto de Ferenczi avança localizando diversos estágios atravessados pela onipotência até chegar ao princípio de realidade, mas as duas ideias básicas do princípio de Nirvana já podem ser encontradas aqui: onipotência (estado sem desejos não satisfeitos) na vida intrauterina e desejo de retornar a esse estado.

Dessa forma, ficamos com a impressão de que Low, apesar de não ter deixado explícito em seu texto, se serve das ideias de Ferenczi. Uma vez que seu livro tinha a intenção de ser mais acessível a leigos, ela pode ter optado por não incluir muitas notas ou citações, o que justificaria em parte a omissão. Sua descrição do princípio de Nirvana, porém, é feita em termos tão parecidos com os que Ferenczi havia utilizado sete anos antes que é muito provável que tenha sido ele uma das principais fontes dessa ideia.

O princípio de Nirvana de Freud

Freud introduz o princípio de Nirvana em suas formulações sobre a teoria pulsional de forma bastante discreta. Sua primeira aparição ocorre, como já havíamos apontado, em “Além do Princípio de Prazer” (1920). Nesse texto, esse princípio dá nome à tendência a “reduzir, manter constante e suspender a tensão interna”[22]. Alguns anos mais tarde, em “O problema econômico do masoquismo” (1924), Freud afirma que ele representa a tendência da pulsão de morte, a partir do qual os outros princípios se derivam.

Não nos parece absurdo pensar que ao se apropriar do princípio de Nirvana de Low, Freud o apresenta sob um novo prisma. A descrição de Low tem como foco a noção de um desejo de retornar ao estado de onipotência da vida dentro do útero. Para Freud, o essencial parece ser o mecanismo econômico desse desejo, traduzido como tendência à extinção das excitações. Aparentemente, as duas versões do princípio de Nirvana não se contradizem, e sim se complementam.

Curiosamente, no uso freudiano do conceito não há qualquer referência à ideia de onipotência que sua criadora destaca. Para Freud, o foco parece ser o rebaixamento ou eliminação da tensão, que, na formulação de Low, aparece como estado em que não há desejos não realizados. Ficamos com a impressão de que a versão de Freud é mais sofisticada e elaborada, mas na realidade é uma reformulação, uma expansão da ideia de Low que acaba por inserir esse princípio em outro contexto, o que obrigatoriamente faz com que ganhe um novo sentido.

Assim, o princípio de Nirvana poderia parecer uma nova forma do que anteriormente era referido como princípio de constância. Se o compararmos, por exemplo, ao que Freud afirma no “Projeto de uma psicologia” (1895) ou em “A interpretação dos sonhos” (1900), encontraremos a proposição de que “os esforços do aparelho tinham o sentido de mantê-lo tão livre de estímulos quanto possível”[23].

Essa forma de compreender o princípio de Nirvana só poderia ser lida em Low de forma bastante indireta, ao fazermos equivaler o estado sem desejos não realizados ao esgotamento ou suspensão da tensão. Essa parece ser a leitura de Freud e, ao fazer isso, integra o conceito de Low à sua teoria pulsional de modo irreversível. Tentaremos a seguir acompanhar a transição, na obra freudiana, do princípio de constância ao de Nirvana, para compreender melhor de que modo eles se relacionam.

Da constância ao Nirvana

O princípio de constância, que supostamente serviria de suporte para a introdução do princípio de Nirvana, está presente na obra de Freud desde muito cedo. Um dos autores que contribui diretamente para a formulação do princípio de constância é Breuer, em seu trabalho publicado conjuntamente com Freud, “Estudos sobre a histeria” (1895/2006).

Breuer, entretanto, cita Freud e atribui a ele a proposição da existência de uma “tendência a manter constante a excitação intracerebral”[24]. Contudo, a eliminação da excitação parece, ao menos na versão de Breuer, referir-se apenas ao “excedente de excitação”, que é visto como uma sobrecarga ao sistema. Isso é tornado explícito quando ele afirma que podemos “presumir que existe um ponto ótimo para o nível da excitação tônica intracerebral”[25].

Isso parece indicar, como afirma Hirschmüller (1989), que há uma diferença não apenas nos termos que cada autor utiliza para expressar seu modelo energético, mas uma diferença crucial na compreensão que cada um tinha do princípio de constância[26]. Como ficará claro a seguir, Freud parece oscilar entre um princípio de constância de fato e um princípio que determina a eliminação completa das excitações. Hirschmüller (1989) chega a propor que o princípio freudiano poderia ser melhor nomeado como de descarga ou anulação do que efetivamente de constância[27].

Outro autor que nos auxilia a pensar essa ambiguidade é Kanzer (1983), em seu artigo “The Inconstant ‘Principle of Constancy’”. Ele argumenta que não há uma linearidade na transição entre constância e Nirvana e que em certos pontos da obra freudiana encontramos os dois sobrepostos, apesar de serem contraditórios. Numa tentativa de solucionar esse problema, recorre ao “Projeto de uma Psicologia”, onde vê no princípio de inércia a encarnação dos dois outros, o de constância e de Nirvana[28].

Para acompanhar esse raciocínio, retornemos ao trecho do texto a que Kanzer se refere. Já no início, Freud apresenta o princípio de inércia nervosa, afirmando que “o neurônio aspira a libertar-se de Q”[29]. Logo percebe que a inércia não pode ser mantida, uma vez que o organismo recebe estímulos a partir de seu interior, dos quais não pode escapar. Por essa razão, o sistema nervoso se vê forçado a abandonar a tendência originária à inércia (ou seja, de rebaixar Q a zero). O organismo “tem de permitir a ocorrência de armazenamento de Qή para satisfazer a exigência da ação específica”[30]. De todo modo, Freud ainda vê nesse funcionamento “a permanência da mesma tendência, modificada no esforço de manter a Qή no menor nível possível, em defender-se contra a elevação, ou seja, em mantê-la constante”[31].

Tendo isso em vista, “todos os desempenhos do sistema nervoso devem ser considerados ou sob o ponto de vista da função primária ou da função secundária imposta pela necessidade da vida”[32]. Kanzer (1983) acredita que aqui temos dois princípios de inércia: um primário, que tende ao zero, e outro secundário, que visa manter constante a excitação.

Mas ele leva seu argumento um passo além, e afirma que:

A pulsão de morte, com seu ímpeto de livrar o sistema de toda a energia, realmente renomeia o princípio de inércia nervosa, enquanto Eros, dirigido à ligação da energia e estabelecimento de relações de objeto que são tanto autoconservadoras quanto sexualmente gratificantes, se correlaciona com o sistema ampliado de inércia nervosa, que atinge constância relativa, mas deve no final sucumbir à extinção de sua energia[33].

A proposição de Kanzer parece razoável, mas antes de aceitá-la seria prudente retornar a Freud mais uma vez e verificar se há mais algum ponto onde apoiar essa leitura. Já tivemos oportunidade de observar que, ao introduzir o princípio de Nirvana, Freud está usando um novo nome para uma descrição do aparelho que é excessivamente ampla, que ele julga estar extraindo diretamente de suas formulações sobre o princípio de constância. A tendência a “reduzir, manter constante e suspender a tensão interna”[34] carrega em si três metas que não necessariamente coincidem.

Toda a situação se torna ainda mais complexa quando voltamos nossa atenção para a produção freudiana pós-1920. Para nosso assombro, o vemos afirmar em “O Eu e o Id” (1923) que “se por um lado o princípio de constância, […] domina o curso da vida – que nada mais é que um deslizar para a morte –, por outro lado, são as reivindicações de Eros, […] que se manifestam na forma de necessidades e carências pulsionais”[35].

Não bastasse isso, em “O problema econômico do masoquismo” (1924), Freud aponta que “nosso aparelho psíquico teria a função de reduzir a zero a soma de excitações que a ele afluem ou, pelo menos, de mantê-la a menor possível”[36]. Segundo ele, essa tendência teria o nome de princípio de Nirvana. Prossegue indicando que até então o princípio de prazer e de Nirvana eram equivalentes e que estariam ambos a serviço das pulsões de morte, que visam o retorno ao inorgânico. Mesmo antes disso, em “Além do princípio de prazer”, ele já afirmava que “o princípio de prazer parece, de fato, estar a serviço das pulsões de morte”[37].

Mas não fica evidente, em momento algum, essa “total identidade”[38] entre princípio de prazer e de Nirvana. Por sorte, Freud logo apresenta uma nova argumentação que visa esclarecer exatamente esse ponto, ao investigar a relação entre os dois princípios de forma mais cuidadosa. O princípio de Nirvana, sofrendo ação das pulsões de vida, passa a dividir a regulação dos processos vitais com o de prazer. Dessa forma, “o princípio de Nirvana expressa a tendência da pulsão de morte; o princípio de prazer representa a sua transformação em reivindicação da libido; e o princípio de realidade, a influência do mundo exterior”[39].

Com isso, a confusão parece de algum modo se dissipar. Temos agora três princípios claramente distintos e sabemos a que forças atendem. A solução freudiana parece satisfatória, embora tenha exigido de nós uma enorme tolerância às contradições e incertezas com que nos deparamos até chegar a esse ponto.

Conclusão

O termo princípio de Nirvana passa a condensar toda uma gama de noções e sentidos inseridos por Freud no conceito de Low, que não apenas causam uma expansão de seu significado, mas também de sua aplicação. Além disso, seu surgimento permite que Freud resgate o princípio de constância que ocupava lugar central em suas formulações econômicas iniciais, mas que aos poucos havia cedido espaço para o princípio de prazer na teoria psicanalítica.

Como tentamos demonstrar anteriormente, a versão freudiana do conceito não contradiz a formulação de Low, mas a reveste com novas camadas de sentido talvez não imaginadas por sua criadora. A ênfase freudiana no aspecto econômico desse conceito atende a uma necessidade teórica daquele momento, fornecendo um princípio que pudesse funcionar como equivalente ao princípio de prazer e de realidade.

Ao acompanharmos não apenas a construção do princípio de Nirvana, mas os caminhos percorridos em sua transmissão a Freud, também é interessante notar que, assim como Freud toma a noção de Low e se serve dela para outros fins, também Low se vale de ideias de Ferenczi e Schopenhauer em sua descrição da teoria psicanalítica. Esse trânsito de ideias não era incomum, e pode ser rastreado em outros conceitos e formulações freudianas. É o caso, por exemplo, do uso que ele faz da pulsão de destruição de Spielrein e da pulsão de agressão de Adler ao construir as pulsões de morte[40].

Esperamos, além disso, que nossa discussão não apenas do conceito, mas da história de sua formação, sirva para trazer o nome de Barbara Low a um lugar de maior destaque, ultrapassando a breve menção freudiana em “Além do princípio de prazer”.

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* Marcus Vinicius Neto Silva é psicólogo, especialista em teoria psicanalítica (UFMG), mestre em estudos psicanalíticos (UFMG), doutorando pela mesma universidade. E-mail: <marcusviniciusnsilva@gmail.com>.



[1] Freud, Sigmund. (1920). “Além do Princípio de Prazer”. In: Escritos sobre a Psicologia do Inconsciente. Trad. Luiz Alberto Hanns. Rio de Janeiro: Imago, 2006; p. 176.

[2] Essa afirmação sobre o nome de Barbara Low, assim como uma data de nascimento diferente, em 1874, constam apenas no site “Psychoanalitikerin – Biografisches Lexikon”, que pode ser acessado em: <www.psychoanalytikerinnen.de/greatbritain_biographies.html#Low>.

[3] FRANKLIN, Marjorie (1956) Barbara Low. International Journal of Psychoanalysis, vol. 37; pp. 473-474. YORKE, Clifford (2005) “Low, Barbara”. In: DE MIJOLLA, Allain, Dicionário internacional da psicanálise. Trad. Á. Cabral. Rio de Janeiro: Imago; pp. 1104-1105.

[4] FRANKLIN, Marjorie (1956) Barbara Low. International Journal of Psychoanalysis, vol. 37; pp. 473-474. YORKE, Clifford (2005) “Low, Barbara”. In: DE MIJOLLA, Allain, Dicionário internacional da psicanálise. Trad. Á. Cabral. Rio de Janeiro: Imago; pp. 1104-1105.

[5] GROSSKURTH, Phyllis (1992) O Mundo e a obra de Melanie Klein. Trad. P. Rosas. Rio de Janeiro: Imago.

[6] FRANKLIN, Marjorie (1956) Barbara Low. International Journal of Psychoanalysis, vol. 37; pp. 473-474. YORKE, Clifford (2005) “Low, Barbara”. In: DE MIJOLLA, Allain, Dicionário internacional da psicanálise. Trad. Á. Cabral. Rio de Janeiro: Imago; pp. 1104-1105.

[7] Essa informação foi gentilmente fornecida por Ken Robinson, bibliotecário honorário da Sociedade Britânica de Psicanálise. Foi ele quem também nos informou sobre a inexistência de correspondência entre Freud e Low no período de 1920, fato discutido logo adiante.

[8] Há uma carta de Freud de 5 de maio agradecendo a felicitação pelo seu aniversário, mas a carta a que essa responde, enviada por Jones, parece ter se perdido. Existe, portanto, a possibilidade de que o assunto tivesse sido debatido nessa carta.

[9] PASKAUSKAS, R. Andrew (1993) The complete correspondence of Sigmund Freud and Ernest Jones: 1908-1939. Cambridge and London: Belknap Press; p. 383.

[10] FREUD, Sigmund. (1914) Sigmund Freud papers: interviews and recollections, 1998; Set A, 1998; Recollections; Low, Barbara; Undated. 1998. [Manuscript/Mixed Material] Retrieved from the Library of Congress,<www.loc.gov/item/mss3999001651/>.

[11] FREUD, Sigmund. (1914) Sigmund Freud papers: interviews and recollections, 1998; Set A, 1998; Recollections; Low, Barbara; Undated. 1998. [Manuscript/Mixed Material] Retrieved from the Library of Congress,<www.loc.gov/item/mss3999001651/>.

[12] FREUD, Sigmund. (1914) Sigmund Freud papers: interviews and recollections, 1998; Set A, 1998; Recollections; Low, Barbara; Undated. 1998. [Manuscript/Mixed Material] Retrieved from the Library of Congress,<www.loc.gov/item/mss3999001651/>; pp. 2-3.

[13] FREUD, Sigmund. (1914) Sigmund Freud papers: interviews and recollections, 1998; Set A, 1998; Recollections; Low, Barbara; Undated. 1998. [Manuscript/Mixed Material] Retrieved from the Library of Congress,<www.loc.gov/item/mss3999001651/>; p. 2.

[14] Montague David Eder foi um dos primeiros médicos a praticar psicanálise na Inglaterra. Casou-se com Edith Low, irmã de Barbara Low. Foi analisado por Jung em 1909 e conheceu Freud no ano seguinte. Foi um dos fundadores da Sociedade Psicanalítica de Londres, em 1913. (THOMSON, Mathew [2011] ‘The Solution to his Own Enigma’: Connecting the Life of Montague David Eder (1865–1936), Socialist, Psychoanalyst, Zionist and Modern Saint. Medical History, 55, pp. 61-84.)

[15] LOW, Barbara (1920) Psycho-analysis — A brief account of the freudian theory. London: Allen & Unwin; p. 9.

[16] “It is possible that deeper than the Pleasure-principle lies the Nirvana-principle, as one may call it — the desire of the newborn creature to return to that stage of omnipotence, where there are no non-fulfilled desires, in which it existed within the mother’s womb” (LOW, Barbara (1920) Psycho-analysis — A brief account of the freudian theory. London: Allen & Unwin; p. 73).

[17] JUNG, Carl Gustav. (1919). Studies in word-association. New York: Moffat, Yard & Company.

[18] SCHOPENHAUER, Arthur (1819) Livro Quarto – Do Mundo como Vontade. In: O Mundo como vontade e representação. Trad. J. Barboza. São Paulo: Unesp, 2005; p. 455.

[19] SCHOPENHAUER, Arthur (1819) Livro Quarto – Do Mundo como Vontade. In: O Mundo como vontade e representação. Trad. J. Barboza. São Paulo: Unesp, 2005; p. 462.

[20] Podemos encontrar uma discussão mais detalhada em Rocha (2010), em particular nas páginas 112-122. Nesse trecho, o autor analisa também a relação entre o Nirvana de Schopenhauer e o princípio de Nirvana, embora direcione a discussão para um caminho diferente do nosso. (ROCHA, Guilherme Massara [2010] O estético e o ético em psicanálise: Freud, o sublime e a sublimação. Tese de doutorado, Departamento de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Ciências Humanas e Letras da Universidade de São Paulo).

[21] FERENCZI, Sándor (1913) “O desenvolvimento do sentido de realidade e seus estágios”. In: Obras completas – Psicanálise II. Trad. Á. Cabral. São Paulo: Martins Fontes, 2011; p. 48.

[22] FREUD, Sigmund (1920) “Além do Princípio de Prazer”. In: Escritos sobre a psicologia do inconsciente. Trad. L. A. Hanns. Rio de Janeiro: Imago, 2006; p. 176.

[23] FREUD, Sigmund (1900) A interpretação dos sonhos e Sobre os sonhos. Trad. J. Salomão. Rio de Janeiro: Imago, 1996; p. 594.

[24] BREUER, Josef; FREUD, Sigmund (1893-95) Estudos sobre a histeria. Trad. J. Salomão. Rio de Janeiro: Imago, 1996; p. 218.

[25] BREUER, Josef; FREUD, Sigmund (1893-95) Estudos sobre a histeria. Trad. J. Salomão. Rio de Janeiro: Imago, 1996; p. 219.

[26] Uma discussão mais detalhada desse tema pode ser encontrada em Silva (2015), especialmente no capítulo 3 (SILVA, Marcus Vinicius Neto [2015] A construção da pulsão de morte freudiana: um estudo histórico da formação do conceito a partir de suas fontes. Montes Claros: Unimontes.)

[27] HIRSCHMÜLLER, Albrecht (1989) The life and work of Josef Breuer. New York: New York University Press.

[28] KANZER, Mark (1983) “The Inconstant ‘Constancy Principle’”, Journal of the American Psychoanalytic Association, vol. 31; pp. 843-865.

[29] FREUD, Sigmund (1895) Projeto de uma psicologia. Trad. O. F. Gabbi Jr. Rio de Janeiro: Imago, 1995; p. 10.

[30] FREUD, Sigmund (1895) Projeto de uma psicologia. Trad. O. F. Gabbi Jr. Rio de Janeiro: Imago, 1995; p. 11.

[31] FREUD, Sigmund (1895) Projeto de uma psicologia. Trad. O. F. Gabbi Jr. Rio de Janeiro: Imago, 1995; p. 11.

[32] FREUD, Sigmund (1895) Projeto de uma psicologia. Trad. O. F. Gabbi Jr. Rio de Janeiro: Imago, 1995; p. 11.

[33] KANZER, Mark (1983) “The Inconstant ‘Constancy Principle’”, Journal of the American Psychoanalytic Association, vol. 31; p. 858.

[34] FREUD, Sigmund (1920) “Além do princípio de prazer”. In: Escritos sobre a psicologia do inconsciente. Trad. L. A. Hanns. Rio de Janeiro: Imago, 2006; p. 176.

[35] FREUD, Sigmund (1923) “O Ego e o Id”. In: O Ego e o Id e outros trabalhos. Trad. J. Salomão. Rio de Janeiro: Imago, 1996; p. 55.

[36] FREUD, Sigmund (1924) “O problema econômico do masoquismo”. In: Escritos sobre a psicologia do inconsciente. Trad. L. A. Hanns. Rio de Janeiro: Imago, 2007; p. 105.

[37] FREUD, Sigmund (1920) “Além do princípio de prazer”. In: Escritos sobre a psicologia do inconsciente. Trad. L. A. Hanns. Rio de Janeiro: Imago, 2006; p. 181.

[38] FREUD, Sigmund (1924) “O problema econômico do masoquismo”. In: Escritos sobre a psicologia do inconsciente. Trad. L. A. Hanns. Rio de Janeiro: Imago, 2007; p. 106.

[39] FREUD, Sigmund (1924) “O problema econômico do masoquismo”. In: Escritos sobre a psicologia do inconsciente. Trad. L. A. Hanns. Rio de Janeiro: Imago, 2007; p. 106.

[40] SILVA, Marcus Vinicius Neto (2015) A construção da pulsão de morte freudiana: um estudo histórico da formação do conceito a partir de suas fontes. Montes Claros: Unimontes.




COMO CITAR ESTE ARTIGO | Silva, Ernest (2019) Marcus Vinicius Neto. Lacuna: uma revista de psicanálise, São Paulo, n. -7, p. 7, 2019. Disponível em: <https://revistalacuna.com/2019/08/07/n-7-7/>