A guinada psicoterapêutica no Império Russo: sobre a dinâmica da recepção de Sigmund Freud e Alfred Adler no Império Tsarista

[ Die psychotherapeutische Wende im Russischen Reich: Zur Dynamik der Rezeption von Sigmund Freud und Alfred Adler im Zarenreich ]

por Sabine Richebächer

Tradução | Paulo Sérgio de Souza Jr.

 

Publicado originalmente em: Zeitschrift für Individualpsychologie, vol. 44, n. 4, 2019, pp. 395-407.

As “excursões psiquiátricas” de médicos russos pelo Ocidente

Com origem no século XIX, a psiquiatria russa, em termos de desenvolvimento profissional, esteve tradicionalmente voltada para a Alemanha. Médicos e neurologistas de renome como Ivan Sechenov (1829-1925), Ivan Pavlov (1849-1936) ou Vladimir Bekhterev (1857-1927) haviam estudado ou trabalhado na Alemanha. Assim como os seus colegas ocidentais — tais como Freud e Adler, no início —, eles procuravam causas somáticas para doenças mentais. Os agravantes para os cuidados psiquiátricos dos habitantes do Império Russo foram a sua enorme expansão e a flagrante falta de especialistas. Em 1914, por exemplo, havia apenas 350 psiquiatras e neurologistas para uma população de 160 milhões. Embora resultados notáveis no campo neurológico tenham sido obtidos, a psiquiatria russa — assim como a do Ocidente — estava presa ao niilismo terapêutico.

Que os russos estudassem no estrangeiro era uma tradição. Aristocratas, funcionários públicos e membros da Intelligentsiya, acadêmicos, artistas e escritores que criticaram o regime normalmente falavam, todos eles, francês e alemão. No século XIX, os jovens médicos tinham viajado para Viena para se encontrar com sumidades ocidentais como Theodor Meynert (1833-1892). Viajaram ao encontro de Emil Kraepelin (1856-1926), em Munique; de Carl Ludwig (1816-1895) e Paul Flechsig (1847-1929), em Leipzig; e, é claro, do grande mestre Jean-Martin Charcot (1825-1893), em Paris.

Após a virada do século, os médicos russos e seus pacientes têm novos destinos. Em sua busca por tratamentos para doenças neuróticas, viajam até Hippolyte Bernheim (1840-1919), em Nancy; Freud (1856-1939), em Viena; Eugen Bleuler (1857-1939) e C. G. Jung (1875-1961), em Zurique. Há outro destino popular na Suíça: os russos vão a Berna, ao encontro de Paul Dubois (1848-1918), que, antes da Primeira Guerra Mundial, era extraordinariamente conhecido e bem-sucedido com seu método de persuasão e psicoterapia racional. Regressando à terra natal, os viajantes relatam suas excursões psiquiátricas, como lhes chamavam, e informam os seus compatriotas sobre as novas teorias ocidentais, as suas observações e experiências — às vezes com um entusiasmo desmedido. E levam as suas novas descobertas a clínicas russas, a consultórios particulares e aos Zemtzva, os centros de cuidados médicos da população rural administrados coletivamente.

E foi assim que, no início do século XX, a psicanálise foi não apenas intensamente estudada em Viena e Zurique, mas também no Império Russo, que se encontrava sob o jugo de chumbo do Tsar. Após a revolução abortiva de 1905[1], na sequência da qual toda a expressão política foi brutalmente sufocada, os conceitos psicodinâmicos de Freud encontraram ouvidos abertos entre a Intelligentsia, cujos membros buscavam possibilidades de mudança social. Muitos dos próprios médicos russos tinham um passado político. A teoria da personalidade dinâmica de Freud e os elementos catárticos do seu método de tratamento fazem-lhes sentido imediatamente. Contudo, muitos deles consideram a visão de Freud acerca da etiologia sexual da neurose como sendo demasiado unilateral e acreditam que Freud precisa ser complementado com outras teorias e métodos. Eles veem Adler e a sua ênfase nos fatores sociais como um aditamento importante, dada a sua própria orientação política[2].

Os primórdios da psicanálise no Império Russo

Em 1899, a tradução russa do trabalho pioneiro de Sigmund Freud e Josef Breuer “Sobre o mecanismo psíquico dos fenômenos histéricos: comunicação preliminar” (1893) já havia sido publicada. Em março de 1908, Alexei Pevnickii (1866-?), médico militar de Odessa, ministrou uma palestra em Petersburgo sobre os “Estados compulsivos tratados segundo o método psicanalítico de Breuer-Freud”. No início do século XX, foram fundadas várias revistas que tratavam de questões teóricas e clínicas de neurologia, psiquiatria e novos métodos psicoterapêuticos. O primeiro é o famoso Zhurnal Nevropatologii i Psichhiatrii imeni S. S. Korsakov [Jornal “S. S. Korsakov” de Neurologia e Psiquiatria] — nomeado em homenagem a Sergei S. Korsakov, o fundador da psiquiatria humanitária na Rússia. Outras revistas são Terapevticheskoe obozrenie [Panorama terapêutico], Sovremennaya psikhiatriya [Psiquiatria moderna], e Chronik der Psychologie, der Forensischen Anthropologie und der Pädologie [Histórico de psicologia, antropologia forense e pedologia][3]. Muitos dos autores dessas revistas ocupam-se da psicanálise freudiana.

Logo os psiquiatras russos começam a apresentar seus próprios casos clínicos, os quais eles tratam por meio da psicanálise. Nikolai Osipov (1877-1934), a força motriz por trás do transferimento da psicanálise para a Rússia, apresenta o caso clínico de um paciente com neurose de medo[4]. O psiquiatra moscovita Nikolai Vyburov (1869-1918) também está intensamente empenhado com a psicanálise. Em seu ensaio “O método psicanalítico de Freud e o seu significado terapêutico” ele descreve o tratamento bem-sucedido de um distúrbio obsessivo-compulsivo grave, de uma paciente psicossomática e de um paciente com psicose aguda. Em todos os três casos, segundo Vyburov, ele encontrou confirmação das opiniões freudianas a respeito do papel da psicossexualidade, do trauma sexual infantil e do conflito psicológico na etiologia das psiconeuroses[5]. Não há nenhum artigo sobre Adler nas revistas mencionadas[6]. Isso só irá mudar com a fundação de outra revista pelos freudistas — é assim que são chamados os psicanalistas na Rússia.

Juntamente com Vyburov, Moshe Wulff (1878-1971), Mikhail Asatiani (1881-1938), Alexandr Bernstein (1870-1922) e Yuri Kannabich (1872-1939), Osipov fundou a sua própria revista em Moscou. Psikhoterapiya: Revista de questões de terapia e psicologia aplicada é publicada a partir de fevereiro de 1910. É publicada quinzenalmente e está aberta basicamente a todas as orientações terapêuticas, mas no princípio era, sobretudo, uma plataforma para a psicanálise freudiana. Além do Jahrbuch für Psychoanalytische und Psychopathologische Forschungen [Anuário de investigação psicanalítica e psicopatológica] de Freud, ela é a primeira revista em nível mundial dedicada à psicanálise. É o veículo central para a divulgação e a popularização de ideias psicanalítico-psicoterapêuticas no Império Russo. Os trinta números da revista, publicados entre 1910 e 1915, fornecem um bom panorama do desenvolvimento da psicanálise russa, do estado e do desenvolvimento de seus interesses teóricos e clínicos, da cooperação entre grupos freudistas e da sua relação com os vários grupos psicanalíticos e psicoterapêuticos do Ocidente. A psicologia individual de Adler ganhou importância rapidamente entre 1912 e 1914.

A recepção e a influência da psicanálise freudiana na Rússia têm sido relativamente bem pesquisadas em diversas publicações, incluindo várias monografias[7], as quais lidam principalmente com a influência da psicanálise freudiana na Rússia bolchevique. Quando se trata da psicologia individual, as coisas são diferentes. Até o momento, até onde a autora deste texto conseguiu tomar conhecimento, apenas dois artigos mais curtos foram publicados na Zeitschrift für Individualpsychologie [Revitsa de psicologia individual]: “Der Einfluss Alfred Adlers in Russland in der Zeit vor dem Ersten Weltkrieg” [A influência de Alfred Adler na Rússia no período que antecedeu a Primeira Guerra Mundial], de Valerie M. Leibin (1988) e “Zur Geschichte der Individualpsychologie in Russland” [Sobre a história da psicologia individual na Rússia], de Ludmila Shimelevich (1993)[8]. Esses dois artigos tratam da recepção de psicologia individual em Psikhoterapiya, separada do contexto histórico-científico da psiquiatria russa. Dessa forma, chegam a uma avaliação unilateral do significado de Alfred Adler no Império Czarista.

A situação geral de austeridade em relação ao rearranjo do papel da psicologia individual na Rússia pode estar parcialmente relacionada com as dificuldades que, na Rússia, a pesquisa traz consigo de modo geral, por exemplo: material perdido, arquivos perdidos, acesso difícil aos mesmos. Além disso, os obstáculos linguísticos não devem ser subestimados. Também é possível que a psicologia individual, que era altamente valorizada no Império Tsarista pouco antes da Primeira Guerra Mundial, “tenha desaparecido” repentinamente da discussão na Rússia após a Revolução de Outubro.

Primeiras traduções de obras originais da Psikhoterapiya

Recentemente, os artigos originais da Psikhoterapiya foram traduzidos e publicados pela primeira vez em inglês[9]. Esse trabalho pioneiro se deve à psicóloga individual russo-americana Marina Bluvshtein. Ela emigrou com a sua família para os EUA em 1995, onde hoje trabalha em consultório particular e é ativa na formação e no ensino em institutos de psicologia individual. Um de seus principais interesses é a investigação histórica do desenvolvimento e dos mais variados destinos da escola psicoterapêutica de Adler e de seus protagonistas. Foi assim que foi feita a documentação Found in Translation. Em três volumes é apresentado um material anteriormente inacessível, ou não traduzido, da história da psicologia individual nas primeiras décadas do século XX. Found in Translation, volume 1, trata de contribuições sobre o “jargão orgânico”; o volume 2 trata do tema “crime e suicídio”; o terceiro volume trata da “criação e educação de crianças”.

Os três volumes contêm ensaios de dois períodos. Primeiro, dos anos 1910 até ao início da Primeira Guerra Mundial; depois, dos anos 1931 a 1937 — ou seja, até o ano da morte de Adler. Os trabalhos do primeiro período são traduções da Psikhoterapiya. Para a década de 1930, ou seja, para a época da Viena Vermelha, Marina Bluvshtein selecionou artigos da Zeitschrift für Individualpsychologie, fundado em 1914. Os textos de ambos os períodos só podem ser compreendidos a partir do seu contexto histórico. A época da Viena Vermelha e da influência significativa de Alfred Adler na política escolar e na educação é relativamente bem investigada no mundo de língua alemã[10]. Os primeiros números da Zeitschrift für Individualpsychologie estão disponíveis em bibliotecas. Em contraste, a história da psicanálise no Império Tsarista é quase desconhecida no Ocidente. O grande mérito de Marina Bluvshtein é ter traduzido, pela primeira vez, obras originais. Found in Translation permite um novo olhar sobre o período pioneiro da psicanálise e a recepção da psicologia individual da perspectiva dos psiquiatras russos. Levando em conta a circunstância da pesquisa e do material, os seguintes comentários centram-se no período anterior de 1910 a 1914 na Rússia.

A primeira edição de Psikhoterapiya começa com um trabalho de Vyborov sobre “As perspectivas terapêuticas de S. S. Korsakov”. O autor esforça-se visivelmente em conectar o conceito freudiano de neurose e o novo método terapêutico à tradição humanitária da psiquiatria russa fundada por Korsakov, facilitando assim o acesso dos leitores russos às novas ideias. No processo, fica aparente uma suposta contradição. Enquanto Vyburov segue Freud, de forma consistente, na apresentação e na interpretação psicodinâmica de seus casos, as suas instruções para a prática clínica continuam empenhadas num conceito de tratamento multidimensional: “uma interação amigável e informal entre equipe e pacientes, bem como uma gama de métodos de tratamento psicoterapêutico que combina suggestion à la vielle [sugestão em vigília] com sugestão durante sono hipnótico; com o método de Breuer e Freud; com o método de Dubois, bem como com as suas respectivas modificações”[11].

No mesmo número, Kannabich publica o artigo “Desenvolvimento de ideias psicoterapêuticas no século XX”, no qual frisa a importância da psicologia individual para a psicologia e a psicoterapia[12]. Psikhterapiya torna-se assim a primeira revista técnica russa que lida com o trabalho de Alfred Adler! Na segunda edição de 1910, Evguêni Dovbnya (?-?) apresenta o histórico sensível e detalhado do caso de uma paciente com distúrbio de marcha psicogênico, que ele trata com hipnose[13]. No último número de 1910, Osip Fel’cman (1875-1919), médico da Clínica Psiquiátrica Preobrazenskoe, em Moscou, publica o texto “Sobre a questão do suicídio”. Para além de Freud, Isidor Sadger (1867-1942) e Wilhelm Stekel (1868-1940), as reflexões de Adler são ali discutidas: “Entre outras coisas, Adler assinala que existe o risco de as crianças fazerem a transição de um sentimento de fraqueza, inferioridade, para um desejo de serem grandes e fortes”[14].

 No primeiro número de 1911, Vyburov refere-se ao artigo de Adler “Über die psychische Behandlung der Trigeminusneuralgie” [Sobre o tratamento psíquico da neuralgia do trigêmeo] (1911) e refere-se ao seu estudo sobre a inferioridade dos órgãos (1907), em que os traços neuróticos são atribuídos à inferioridade orgânica congênita[15]. Pevnicki publica “Alguns exemplos da psicanálise” (1911), em que também se refere ao trabalho sobre o trigêmeo, segundo o qual casos complexos de paralisia facial poderiam ser curados apenas pela psicanálise.

Ecletismo russo

Como o que foi dito até agora demonstra, os psiquiatras russos têm a sua própria forma de lidar com questões de tratamento psicoterapêutico. Enquanto no Ocidente as diferentes orientações psicoterapêuticas competem entre si — e, dentro dos grupos psicanalíticos, há uma disputa sobre a teoria certa, o valor da libido e da etiologia das neuroses —, os médicos russos adotam uma abordagem mais pragmática. Osipov coloca as coisas da seguinte maneira: “o psicoterapeuta deve estar equipado com o conhecimento das sumidades psicoterapêuticas, com o espírito do seu ensino, e combater a doença usando um método uma vez e outra vez outro método”[16].

Eles gostam de ser estimulados. Tiram da psicanálise freudiana e de outras sumidades ocidentais — tais como Charcot, Janet, Dubois ou C.G. Jung — aquilo que consideram valioso e útil. Não estão interessados em conhecimentos canonizados. Com a sua atitude de tirar da psicanálise o que lhes parece valioso, confiando nas suas próprias experiências, mas também contribuindo voluntariamente para o conjunto comum, a recepção da psicanálise na Rússia pode ser comparada mais de perto com a situação da psicanálise suíça[17].

Até que ponto Freud está familiarizado com o desenvolvimento da psicanálise russa é difícil de avaliar. Como não fala russo, ele depende de traduções e informações de segunda mão. Pelo que lhe chega aos ouvidos, tem boas razões para supor que os psicanalistas russos não têm qualquer interesse em adotar o seu ensino como um todo e continuá-lo no sentido por ele definido. Em vez disso, eles mostram claros sinais desse desejo eclético de experimentar, que sempre foi uma pedra no sapato de Freud, mesmo entre os psiquiatras suíços. Em “Contribuição à história do movimento psicanalítico” (1914) ele faz um balanço: a grande importância da Escola de Zurique para o desenvolvimento do movimento psicanalítico é reconhecida; os dissidentes Adler e Jung são tirados da conta. A avaliação que Freud faz da psicanálise russa soa contida:

Na Rússia a psicanálise tornou-se bastante conhecida e difundida; quase todos os meus escritos, assim como os de outros seguidores da psicanálise, foram traduzidos para o russo. Uma compreensão mais profunda das teorias psicanalíticas ainda não se verificou na Rússia, porém. As contribuições dos médicos russos são pouco notáveis até o momento. Apenas Odessa conta, na pessoa de M. Wulff, com um analista treinado.[18]

Até então os leitores russos só podiam conhecer o trabalho dos colegas ocidentais através de resumos e discussões. Em 1911, as primeiras obras originais de Sigmund Freud, C. G. Jung e Paul Dubois foram publicadas na Psikhoterapiya. Em 22 páginas, Vyburov publica um “Levantamento crítico da literatura psicanalítica até 1909”. Em várias páginas ele discute as reflexões de Adler sobre o protesto masculino nas mulheres e anuncia traduções das suas obras originais[19].

O conflito Freud-Adler

O ano de 1911 marca um ponto de virada no movimento psicanalítico. É o início das grandes cisões que moldaram a história da psicanálise desde então até os dias de hoje. Na noite de conferências da Associação Psicanalítica de Viena (WPV), em 4 de janeiro de 1911, Adler apresenta o seu programa de palestras “Einige Probleme der Psychoanalyse” [Alguns problemas da psicanálise]. A primeira parte, “Rolle der Sexualität”, trata do papel da sexualidade. Adler enfatiza que a visão freudiana de que toda pulsão tem uma componente sexual é biologicamente insustentável. É, antes, a inferioridade orgânica que leva o neurótico a desenvolver falsas teorias sexuais: “o que o neurótico nos mostra em termos de libido não é legítimo”[20].

Um mês mais tarde, Adler dá continuidade a suas ideias. O título da conferência é programático: “Der männliche Protest als Kernproblem der Neurose” [O protesto masculino como problema central da neurose]. Adler vê a principal causa do adoecimento psíquico num opressivo sentimento de inferioridade e — como compensação — num protesto masculino, isto é, na luta pela potência ou na pulsão de potência. Poderia ter causas biológicas, pedagógicas, mas sobretudo sociais ou culturais. Na Associação Psicanalítica de Viena isso vira um escândalo. Freud, que normalmente só toma a palavra ao final da discussão, faz dessa vez uma exceção. Ele profetiza os ensinamentos de Adler: “Vão causar uma impressão tremenda e causar grandes danos à psicanálise”. Todo o ensino tem um carácter reacionário e retrógrado: “Em vez da psicologia, ele traz em grande medida a biologia; e em vez da psicologia do inconsciente, traz a psicologia da superfície, a psicologia do ego”[21]. Pouco tempo depois, Adler renunciou ao seu cargo de chefia na Associação.

As tensões entre Freud e Adler não se resolvem aí. No verão, Adler deixa a WPV juntamente com três seguidores. Na primeira sessão de outono, o presidente (Freud) aborda o tema dos assuntos internos e “apresenta aos senhores que pertencem ao círculo do Dr. Adler, cujos empreendimentos demonstram o carácter de concorrência hostil, em nome do Comitê, a decisão de escolherem entre o pertencimento aqui ou lá, uma vez que o presidente considera incompatível o presente estado de coisas”[22].

Um eco do conflito Freud-Adler repercute na Rússia. Os acontecimentos desagradáveis em Viena irão mudar para sempre o conceito de publicação da Psikhoterapiya. Psiquiatras e psicanalistas russos já haviam sofrido o suficiente, sob a censura e a proibição de falar, em seu país de origem. Eles certamente não estão interessados em dogmas científicos. Muitos colegas russos têm, eles próprios, um passado político, e consideram a argumentação de Adler — a sua consideração a respeito do poder e das circunstâncias sociais — muito plausível e um bom complemento a Freud. Vyburov tornou-se membro da associação adleriana de pesquisa independente em janeiro de 1912. Ao mesmo tempo, ele e Moshe Wulff foram colaboradores na redação do Zentralblatt für Psychoanalyse da Associação Psicanalítica Internacional (IPA).

O crescente interesse dos freudistas pela psicologia individual reflete-se também nas visitas de analistas russos como Josif Abramovich Birshtein (?-?), Dovbnya e Lev M. Rozenshtein (1884-1934) a Alfred Adler a Viena. Birshtein e outros psicanalistas russos analisaram as neuroses com base nos ensinamentos de Adler e tornaram públicas as suas experiências. No relatório “Russische Literatur” [Literatura russa] (1921), Sabina Spielrein menciona: “As obras de Bierstein são escritas do ponto de vista de Alf. Adler”[23]. Felix Asnaourow (?-?), num caso clínico sobre um jovem instável, também se refere — para além de a Bekhterev, Janet, Freud, Jung e Bleuler — às concepções de Adler[24].

O ensaio de Adler “Contribuição para a compreensão da resistência no tratamento” [Beitrag zum Verständnis des Widerstandes in der Behandlung, 1911] sai como a primeira contribuição original no segundo número da Psikhoterapiya de 1912. No mesmo número, sob a rubrica de Histórico, é relatada a fundação, em Viena, de uma Associação de Pesquisa Psicanalítica Livre. Seu objetivo era o desenvolvimento futuro da psicanálise. A associação pretende publicar uma série de artigos sob o título “Ética e psicanálise”. É também anunciado que, no futuro, relatórios e atas de reuniões da Associação de Pesquisa Psicanalítica Livre serão impressos na Psikhoterapiya[25]. Na terceira edição de 1912, a direção da associação para investigação psicanalítica independente faz uma declaração sobre os acontecimentos na Associação Psicanalítica de Viena que levaram à fundação da nova associação. Segue-se um “Prefácio do editor”, Dr. Alfred Adler:

somos guiados pela consideração de que, num processo espiritual, pode-se perguntar pela direção e a meta em vez da causa, e pelo todo em vez dos elementos. É por isso que, em nossa análise psicológica, damos espaço à representação da meta, e isso nos orienta em nossa busca pelo problema ou pela personalidade. Na nossa opinião, uma pessoa, como qualquer outro fenômeno, está em constante evolução e pode ser vista como um microcosmo e símbolo do todo. Estudamos a gênese do fenômeno através da comparação de diferentes partes do fenômeno, comparando diferentes partes […]. Em nosso trabalho também utilizamos fatores de desenvolvimento para identificar as características dos seres humanos do passado para o futuro. A dinâmica da psicologia humana resulta da busca inconsciente de metas.

Adler conclui com as seguintes palavras:

As publicações que estão planejadas devem mostrar que não queremos competir com outros pontos de vista e outras orientações da ciência psicológica. Mas defendemos o nosso direito de não nos agarrarmos a dogmas e encontrarmos o nosso próprio caminho.[26]

O apogeu da psicologia individual russa

As ideias de Adler encontram a compreensão de muitos colegas russos. Tal como Adler, eles têm uma meta: a mudança social. Só assim, do ponto de vista deles, as pessoas podem ficar psiquicamente saudáveis. Em oposição à visão de Adler acerca da humanidade, o modelo pulsional freudiano e a teoria freudiana do conflito não são compatíveis com uma meta como essa[27]. Como Vyburov conclui — em publicação na Psikhioterapiya — a respeito do livro de Adler, Über den nervösen Charakter [Sobre o caráter nervoso] (1912): “Temos todo um volume de psicologia individual e só no final a psicoterapia de um neurótico”[28].

No primeiro número de 1913 sai o ensaio de Adler “O papel do inconsciente na neurose” [Zur Rolle des Ubewussten in der Neurose, 1913], bem como um “Relatório sobre o Congresso da ‘Associação Internacional de Psicologia Médica e Psicoterapia’ em Zurique, aos 8 e 9 de setembro de 1912” [Bericht über den Kongress des ‘Internationalen Verbandes der medizinischen Psychologie und Psychotherapie’ in Zürich am 8. und 9. September 1912]. Um total de nove obras originais de Adler foram publicadas em tradução russa entre 1912 e 1914. Por fim, o prefácio de Adler a “Psicanálise e ética” sai no segundo número de Psikhoterapiya de 1914. Ao mesmo tempo, são publicados cada vez mais artigos de psiquiatras russos baseados nos conceitos de Adler. Birshtein já foi mencionado: no “Ensaio psicológico sobre a questão do álcool”, ele discute o conteúdo de um artigo de jornal descrevendo um crime — um homem mais jovem foi golpeado até à morte com um machado por um homem de 80 anos. Segundo Birshtein, a vítima era um neurótico com tendências de desvalorização que se tornou vítima do idoso, no qual foi claramente diagnosticado um protesto masculino[29]. A análise feita por Birshtein de um sonho do poeta Vsêvolod Mikháilovich Gárshin (1855-1888), que se suicidou aos 33 anos de idade, também segue as linhas de pensamento de Adler.

Raissa Adler-Epstein, a esposa russa de Adler, traduz as atas de reunião da associação adleriana para o russo com vistas à publicação na Psikhoterapiya. É também publicado um anúncio para uma revista de psicologia individual que estava prevista para ser o veículo oficial da associação adleriana em Viena, devendo refletir os pontos de vista de Adler e de sua escola. Enquanto Adler é, ele próprio, um socialista, a sua esposa Raissa simpatiza com ideias social-revolucionárias e comunistas. Assim, a casa do casal em Viena torna-se um ponto de encontro para refugiados políticos e revolucionários vindos da Rússia. Entre os convidados regulares encontram-se Lev Davidovich Trótski (1879-1940) e Adolf Abrahamovich Joffe (1883-1927). Este último faz inclusive uma análise com Adler e, em 1913, publica na Psikhoterapiya um artigo “Sobre a importância do inconsciente na vida do indivíduo”, que mostrava a sua proximidade com as teorias de Adler e Jung[30].

Em 1913, a redação da Psikhoterapiya foi consideravelmente ampliada através de contatos internacionais. A capa da terceira edição de 1914 lista vinte colaboradores permanentes, entre eles: Alfred Adler, Erwin Wexberg, Otto Kaus, Wilhelm Stekel e Marie Frischauf, de Viena; Felix Asnaourov, de Genebra; Vera Eppelbaum e Charlot Strasser, de Zurique, O. Hinrichsen, da Basileia; R. Assagiolo, de Florença e Edith Stein, de Budapeste. Em junho de 1914 o Conselho Editorial era composto por 21 membros, dez dos quais trabalhavam na Rússia e onze, no Ocidente[31]. Os diplomáticos editores declaram que continuarão a trabalhar com o pessoal existente. Com a quarta edição de 1914, a cara da Psikhoterapiya muda mais uma vez. A redação está com um novo endereço e falta a lista de colaboradores permanentes. O último número duplo de 1914 é publicado, com um longo atraso, em julho de 1915, e nele Vyburov anuncia que a publicação da revista será descontinuada durante a Guerra. Mas a Psikhoterapiya não será publicada depois.

O início da Segunda Guerra Mundial pôs fim ao início do apogeu da psicanálise russa. Todos os editores russos da Psikhoterapiya, exceto Osipov, são recrutados para o serviço militar. O contato entre os psicanalistas russos e os seus colegas no Ocidente se vê cortado durante anos. A Revolução Russa de 1917 marca um ponto de virada na história da Rússia, mas também do mundo inteiro, até aos dias de hoje. Muitos dos primeiros freudistas morreram; outros, como Osipov, acabaram emigrando. A década de 1920 viu um breve apogeu da psicanálise freudiana na Rússia soviética. Os bolcheviques financiam um instituto psicanalítico em Moscou e colocam à disposição uma imponente mansão em estilo art nouveau, que alberga também um orfanato psicanalítico experimental. A editora estatal imprime os escritos de Sigmund Freud, Anna Freud, Melanie Klein, Karl Abraham e muitos outros — até que a psicanálise foi proibida na União Soviética na década de 1930, como tantas outras ciências.

As obras de Alfred Adler já não são publicadas ou mencionadas depois de os bolcheviques terem tomado o poder em outubro de 1917! Poderia ser uma questão de pesquisa interessante se, e em que medida, o pensamento de Adler teve uma continuidade implícita — e, por exemplo, ajudou a moldar os numerosos projetos educacionais dos bolcheviques sem que mencionassem o seu nome.

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_____. (2018) Uma ligação perigosa com o poder: a psicanálise na Rússia bolchevique [Trad. G. S. Philipson]. Lacuna: uma revista de psicanálise, São Paulo, n.-7, p. 1, 2019. Disponível em: <revistalacuna.com/2019/08/07/n-7-1/>.

RÜEDI, Jürg (1992) Die Bedeutung Alfred Adlers für die Pädagogik. Eine historische Aufarbeitung der Individualpsychologie aus pädagogischer Perspektive, 2ª ed. Bern u. a.: Paul Haupt.

SCHIFERER, H. Rüdiger (1995) Alfred Adler – Eine Bildbiographie. München/Basel: E. Reinhardt.

SHIMELEVICH, Ludmilla (1993) Zur Geschichte der Individualpsychologie in Russland. Zeitschrift für Individualpsychologie, vol. 18, n. 1; pp. 196-202.

SIROTKINA, Irina (2002) Diagnosing literary genius. A cultural history of psychiatry in Russia, 1880–1930. Baltimore/London: The John Hopkins University Press.

SPIELREIN, Sabina (1921) Russische Literatur. Bericht über die Fortschritte der Psychoanalyse in den Jahren 1914–1919. Leipzig u. a.: Internationaler Psychoanalytischer Verlag, pp. 356-365.

WULFF, Moshe (1911) Die russische psychoanalytische Literatur bis zum Jahre 1911. Zentralblatt für Psychoanalyse, vol. 1, n. 7/8; pp. 364-371.


* Sabine Richebächer é graduada e doutora em Educação, Sociologia e Política pela Universidade J. W. Goethe (Frankfurt am Main). Uns fehlt nur eine Kleinigkeit: deutsche proletarische Frauenbewegung 1890-1914 — sua tese de doutorado, publicada em 1982 — é considerada a primeira teoria marxista da emancipação da mulher. Posteriormente, graduou-se em Psicologia Clínica pela Universidade de Zurique, realizando formação em psicanálise no Instituto Freud (FIZ) e no Seminário Psicanalítico (PSZ) da mesma cidade. Foi pesquisadora colaboradora e conferencista na Universidade de Zurique, bem como supervisora de equipe na Fundação Pestalozzianum. Desde 1983 exerce a psicanálise em consultório particular, ministrando palestras na Suíça e no exterior. No Brasil, encontra-se publicada a biografia de Sabina Spielrein, de sua autoria, intitulada: Sabina Spielrein: de Jung a Freud (Civilização Brasileira, 2008).

** Paulo Sérgio de Souza Jr. é psicanalista, linguista e tradutor. Com pós-doutoramento pela Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, é doutor e bacharel em linguística pelo Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP. Responsável pela tradução de diversos autores do campo da psicanálise, idealizou e traduz os textos da plataforma digital Escritos Avulsos (www.escritosavulsos.com), que publica traduções, inéditas em português, de obras de Jacques Lacan. É um dos editores da Revista Lacuna.


[1] Cf. GERICKE, Gerda (2020) “1905: Domingo sangrento em São Petersburgo”, Deutsche Welle <https://p.dw.com/p/1gAx>. (N. do T.)

[2] LJUNGGREN, Magnus (2014) Poetry and psychiatry. Essays on early twentieth-century Russian symbolist culture. Boston: Academic Studies Press.

[3] LJUNGGREN, Magnus (2014) Poetry and psychiatry. Essays on early twentieth-century Russian symbolist culture. Boston: Academic Studies Press, pp. 88-90; LEIBIN, Valerie M. (1988) Der Einfluss der Ideen Alfred Adlers in Russland in der Zeit bis zum Ersten Weltkrieg. Zeitschrift für Individualpsychologie, vol. 13, n. 2, p. 127.

[4] OSIPOV, Nikolai, Sobre a neurose de medo. Jornal “S. S. Korsakov”, vol. 9, 1909, pp. 783-805; FREUD, Sigmund; OSSIPOW, Nikolaj (2009) Briefwechsel 1921-1929. Frankfurt a. M.: Brandes & Apsel, p. 255.

[5] OSIPOV, Nikolai, O método psicanalítico de Freud e o seu significado terapêutico. Jornal “S. S. Korsakov”, vol. 1-2, 1909, pp. 783-805; WULFF, Moshe (1911) Die russische psychoanalytische Literatur bis zum Jahre 1911. Zentralblatt für Psychoanalyse, vol. 1, n. 7/8, pp. 366-ss.

[6] LEIBIN, Valerie M. (1988) Der Einfluss der Ideen Alfred Adlers in Russland in der Zeit bis zum Ersten Weltkrieg. Zeitschrift für Individualpsychologie, vol. 13, n. 2, p. 127.

[7] RICE, James L. (1993) Freud’s Russia. National identity in the evolution of psychoanalysis. New Brunswick/London: Transaction Publishers; ETKIND, Alexander (1996) Eros des Unmöglichen. Die Geschichte der Psychoanalyse in Russland. Leipzig: Kiepenheuer; KLOOCKE, Ruth (2002): Mosche Wulff. Zur Geschichte der Psychoanalyse in Russland und Israel. Tübingen: edition discord; RICHEBÄCHER, Sabine (2005) Sabina Spielrein: de Freud a Jung. Trad. D. Martinenschen. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2012; RICHEBÄCHER, Sabine (2016) “I long to get together with all of you…”: A letter from Sabina Spielrein-Scheftel (Rostov-on-Don) to Max Eitingon. Psychoanalysis and History, vol. 18, n 1; pp. 119-133.

[8] LEIBIN, Valerie M. (1988): Der Einfluss der Ideen Alfred Adlers in Russland in der Zeit bis zum Ersten Weltkrieg. Zeitschrift für Individualpsychologie, vol. 13, n. 2, pp. 126-137; SHIMELEVICH, Ludmilla (1993) Zur Geschichte der Individualpsychologie in Russland. Zeitschrift für Individualpsychologie, vol. 18, n. 1, pp. 196-202.

[9] BLUVSHTEIN, Marina [org.] (2016) Found in Translation, vol. I:  Somatic vocabulary: Early contributions to Organ Jargon. Fort Wayne: North American Society of Adlerian Psychology (NASAP); BLUVSHTEIN, Marina [org.] (2017) Found in Translation, vol. II: Crime and suicide: Early mapping of detours and moving backward. Fort Wayne: North American Society of Adlerian Psychology (NASAP); BLUVSHTEIN, Marina [org.] (2018-19) Found in Translation, vol. III: Children and education: Early contributions to raising a child – the human, the artist, the master of tasks. Fort Wayne: North American Society of Adlerian Psychology (NASAP).

[10] BRUDER-BEZZEL, Almuth (1991) Die Geschichte der Individualpsychologie. Frankfurt a. M.: Fischer Taschenbuch Verlag; RÜEDI, Jürg (1992) Die Bedeutung Alfred Adlers für die Pädagogik. Eine historische Aufarbeitung der Individualpsychologie aus pädagogischer Perspektive, 2ª ed. Bern u. a.: Paul Haupt; SCHIFERER, H. Rüdiger (1995) Alfred Adler – Eine Bildbiographie. München/Basel: E. Reinhardt; GSTACH, Johannes (2003) Individualpsychologische Erziehungsberatung der Zwischenkriegszeit. Wien: Empirie-Verlag; MACKENTHUN, Gerald (1988/2011) Die Zusammenarbeit von Individualpsychologie und Sozialdemokratie im “Roten Wien” 1919–1938.

[11] VYBUROV, Nikolai apud SIROTKINA, Irina (2002) Diagnosing literary genius. A cultural history of psychiatry in Russia, 1880–1930. Baltimore/London: The John Hopkins University Press; p. 104.

[12] SHIMELEVICH, Ludmilla (1993) Zur Geschichte der Individualpsychologie in Russland. Zeitschrift für Individualpsychologie, vol. 18, n. 1; p. 197.

[13] BLUVSHTEIN, Marina [org.] (2016) Found in Translation, vol. I:  Somatic vocabulary: Early contributions to Organ Jargon. Fort Wayne: North American Society of Adlerian Psychology (NASAP); pp. 28-36.

[14] BLUVSHTEIN, Marina [org.] (2017) Found in Translation, vol. II: Crime and suicide: Early mapping of detours and moving backward. Fort Wayne: North American Society of Adlerian Psychology (NASAP); pp. 38-58.

[15] ADLER, Alfred (1911) Die psychische Behandlung der Trigeminusneuralgie. Zentralblatt für Psychoanalyse, vol. 1, n. 1, pp. 10-37; ADLER, Alfred (1907) Studie über Minderwertigkeit von Organen. Berlin/Wien: Urban u. Schwarzenberg.

[16] Em “Sobre a neurose de medo”, citado por SIROTKINA, Irina (2002) Diagnosing literary genius. A cultural history of psychiatry in Russia, 1880–1930. Baltimore/London: The John Hopkins University Press; p. 103.

[17] RICHEBÄCHER, Sabine (2010) “Freud und die Politik der Psychoanalyse in der Schweiz”. Vortrag vom 25.6.2010 am Freud-Institut Zürich. Unveröffentliches Manuskript.

[18] FREUD, Sigmund (1914) “Contribuição à história do movimento psicanalítico”. In: FREUD, Sigmund, Obras completas, vol. 11. Trad. P. C. de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2016; p. 281.

[19] BLUVSHTEIN, Marina [org.] (2016) Found in Translation, vol. I:  Somatic vocabulary: Early contributions to Organ Jargon. Fort Wayne: North American Society of Adlerian Psychology (NASAP); pp. 111-114.

[20] NUNBERG, Hermann; FEDERN, Ernst [org.] (1979) Protokolle der Wiener Psychoanalytischen Vereinigung, vol. III, 1910-1911. Frankfurt a. M.: S. Fischer; pp. 103-ss.

[21] NUNBERG, Hermann; FEDERN, Ernst [org.] (1979) Protokolle der Wiener Psychoanalytischen Vereinigung, vol. III, 1910-1911. Frankfurt a. M.: S. Fischer; p. 145.

[22] NUNBERG, Hermann; FEDERN, Ernst [org.] (1979) Protokolle der Wiener Psychoanalytischen Vereinigung, vol. III, 1910-1911. Frankfurt a. M.: S. Fischer; pp. 271-ss.

[23] SPIELREIN, Sabina (1921) Russische Literatur. Bericht über die Fortschritte der Psychoanalyse in den Jahren 1914–1919. Leipzig u. a.: Internationaler Psychoanalytischer Verlag, pp. 356-365.

[24] BLUVSHTEIN, Marina [org.] (2018-19) Found in Translation, vol. III: Children and education: Early contributions to raising a child – the human, the artist, the master of tasks. Fort Wayne: North American Society of Adlerian Psychology (NASAP); pp. 44-48.

[25] SHIMELEVICH, Ludmilla (1993) Zur Geschichte der Individualpsychologie in Russland. Zeitschrift für Individualpsychologie, vol. 18, n. 1, p. 199.

[26] ADLER, Alfred (1912) “Foreword by [Alfred Adler] the Editor [Minutes of the Society for Free Psychoanalytic Inquiry]. In: BLUVSHTEIN, Marina [org.] (2016) Found in Translation, vol. I:  Somatic vocabulary: Early contributions to Organ Jargon. Fort Wayne: North American Society of Adlerian Psychology (NASAP).

[27] RICHEBÄCHER, Sabine (2018) Uma ligação perigosa com o poder: a psicanálise na Rússia bolchevique [Trad. G. S. Philipson]. Lacuna: uma revista de psicanálise, São Paulo, n.-7, p. 1, 2019.

[28] SHIMELEVICH, Ludmilla (1993) Zur Geschichte der Individualpsychologie in Russland. Zeitschrift für Individualpsychologie, vol. 18, n. 1; p. 199.

[29] BLUVSHTEIN, Marina [org.] (2017) Found in Translation, vol. II: Crime and suicide: Early mapping of detours and moving backward. Fort Wayne: North American Society of Adlerian Psychology (NASAP); pp. 17-27.

[30] BLUVSHTEIN, Marina [org.] (2017) Found in Translation, vol. II: Crime and suicide: Early mapping of detours and moving backward. Fort Wayne: North American Society of Adlerian Psychology (NASAP); pp. 59-64.

[31] KLOOCKE, Ruth (2002): Mosche Wulff. Zur Geschichte der Psychoanalyse in Russland und Israel. Tübingen: edition discord; p. 62.




COMO CITAR ESTE ARTIGO | RICHEBÄCHER, Sabine (2020) A guinada psicoterapêutica no Império Russo: sobre a dinâmica da recepção de Sigmund Freud e Alfred Adler no Império Tsarista [Trad. C. P. S. Souza Jr.]. Lacuna: uma revista de psicanálise, São Paulo, n. -10, p. 3, 2020. Disponível em: <https://revistalacuna.com/2020/11/18/n-10-3/>.